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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) divulgou recente pesquisa sobre a percepção dos brasileiros em relação aos produtos de origem animal e concluiu que as tentativas de conscientização sobre as propriedades e os mitos em
torno das proteínas de origem animal vêm surtindo efeito no Brasil (ABPA, 2016).    

Segundo a pesquisa, apenas 31% dos entrevistados ainda acredita que carne de frango é produzida a base de hormônios. Diferentemente da pesquisa encomendada a quatro anos, onde 72% dos entrevistados tinham esta opinião (ABPA,
2016).    

A polêmica do suposto uso de hormônios na produção de frangos de corte, tornou-se menos frequente a partir da presença da mensagem: “sem uso de hormônios, conforme determina a legislação brasileira” nas embalagens. Apesar disto, ainda é preciso conscientizar o restante da população que os 9 milhões de toneladas de carne de frango ofertados ao consumidor brasileiro todos os anos cumprem normas nacionais e internacionais de saúde, inclusive as que proíbem o uso
de hormônios (TURRA, 2016).     

Desde 1976, é proibido no Brasil o uso de hormônios na alimentação de animais destinados ao abate. O rápido crescimento do frango é resultado de pesquisas genéticas aliadas a nutrição e ambiente favorável (MENDES, 2012).    

A ciência pode desvendar os mitos, pois segundo Talamini e Pinheiro (2016), entre 1982 e 2010 a pesquisa científica foi responsável por 20,8% do progresso técnico do setor. Basta observar a relação entre consumo de ração, tempo da ave dentro do aviário e o peso na hora do abate. Nos anos 70, um frango consumia 2,2 kg de ração durante 54 dias para atingir 1,8 kg no abate. Em 2013, de acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em média, cada frango abatido no Brasil consumiu 1,8 kg de ração durante 43 dias para atingir 2,5 kg.    

O fato do Brasil ser o maior exportador mundial de carne de frango, já impediria o uso dos hormônios devido a comercialização com países altamente exigentes que realizam inúmeras análises dos produtos importados (AVICULTURA INDUSTIRAL, 2015).    

Eventualmente o que confunde as pessoas é a utilização dos aditivos, que são produtos permitidos na alimentação animal, adicionados intencionalmente para melhorar o desempenho dos animais sadios, atendendo às necessidades nutricionais ou para efeito anticoccidiano (SAMARÃO, s/d).    

Neste contexto, qualquer pronunciamento sobre o uso de hormônios na produção de frangos de corte deve ser considerado equívoco, pois estes mitos têm grande impacto e podem atrapalhar a Avicultura Brasileira, a qual proporciona emprego para milhares de pessoas direta e indiretamente e é um dos pilares do PIB - Produto Interno Bruto do país e de importância sócio-econômica imprescindível (ANGELO, 2015).

Artigo publicado na edição de Abril/16

Evelyn Tazima Stivaletti 
Zootecnista e Mestre em Ciência
Animal (Produção Animal)


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