Jacto

O Sistema Plantio Direto (SPD) é uma técnica de manejo e conservação do solo introduzida no Brasil no início da década de 70 para o auxílio no controle das perdas de solo e água por erosão que, ocorriam, frequentemente nas lavouras em períodos chuvosos, resultante da intensificação da utilização de maquinários agrícolas e excessivo revolvimento do solo. O SPD evoluiu por meio das pesquisas que agregaram ao sistema um grande avanço tecnológico, que incluem adaptações nos maquinários agrícolas para o aumento da eficiência no plantio, diminuindo problemas como o chamado “embuchamento” das semeadoras, episódio este que era tido como empecilho neste sistema. 

Atualmente, o SPD é conhecido como um dos mais modernos e importantes sistemas para produção agrícola sustentável e, segundo dados da Itaipu Binacional (2015) ocupa 80% das áreas de produção agrícolas brasileiras e de países vizinho da América do Sul; utilizando práticas de manejo que acabam melhorar os atributos físicos, químicos e biológicos do solo, levando ao aumento da produção agrícola. 

Os princípios do sistema incluem a ausência de revolvimento do solo, manutenção da cobertura do solo e utilização da rotação de culturas. O SPD permite o mínimo revolvimento do solo através da mobilização do mesmo apenas na linha e/ou cova de semeadura/plantio e, desta forma, qualquer outro tipo de revolvimento que não se encaixe nesta prática de manejo está descaracterizando o SPD.

Práticas de intenso revolvimento do solo causam vários problemas para o mesmo, como a quebra dos agregados e a exposição da matéria orgânica do solo (folhas, galhos, raízes, cascas etc.), acelerando o seu processo de decomposição. Em contrapartida, no SPD a manutenção da cobertura do solo ajuda em diversos fatores como na diminuição da erosão, aumento da percolação da água da chuva no solo e diminuição da incidência de plantas daninhas na lavoura devido, entre outras coisas, ao efeito alelopático sobre as plantas invasoras, impedindo seu desenvolvimento.

O SPD quando manejado corretamente, proporcionando uma quantidade mínima de aproximadamente seis toneladas de matéria seca por hectare, beneficiará os microrganismos do solo que se alimentam deste material. Quando falamos de microrganismos devemos pensar que em um punhado de terra existem bilhões destes, que na maioria das vezes não são vistos a olho nu pelos produtores, mas realizam um trabalho silencioso dentro do solo para promoção de sua melhoria com reflexos na produtividade das culturas. 

Os microrganismos auxiliam na transformação e decomposição da matéria orgânica presente no solo, sendo os responsáveis diretos pela ciclagem de nutrientes. Habitam o solo preferencialmente nas camadas superficiais e, abundantemente, próximo ao sistema radicular das plantas e são formados por bactérias, leveduras, fungos, algas, actinomicetos e protozoários, considerados indicadores do status da qualidade ou nível de degradação de um solo, sendo sensíveis a qualquer mudança provocada pelo sistema de manejo.  

A maneira rápida em que os microrganismos respondem as modificações realizadas por práticas de manejo conservacionista, como o plantio direto, permite “diagnosticar” a saúde do solo antes mesmo que os “dados clínicos” (análise de solo) possam detectar alterações nos teores de nutrientes, como por exemplo, no conteúdo de matéria orgânica.

Quando da decomposição dos resíduos orgânicos pelos microrganismos do solo, parte do conteúdo de carbono presente no mesmo é perdido na atmosfera na forma de CO2. Uma fração deste carbono (C) fica armazenada na biomassa destes microrganismos e juntamente com outros nutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S e micronutrientes) representa um reservatório prontamente disponível de nutrientes que poderá ser utilizado pelas plantas. Desta maneira, existe uma relação direta e quanto maior o conteúdo de matéria orgânica do solo mais microrganismos vão existir, além de que a quantidade destes organismos varia conforme a qualidade da matéria orgânica.

Assim, além dos inúmeros estudos realizados no Brasil pela Embrapa e diversas outras instituições de pesquisa e ensino que comprovam que o SPD aumenta a produtividade das lavouras, estudos também associam este manejo as melhorias na diversidade de microrganismos presentes no solo e sua importância para os serviços ecossistêmicos (Figura1) que, consequentemente, refletem na sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

Sistema Plantio Direto (SPD) e benefícios para os chamados serviços ecossistêmicos do solo realizados pelos microrganismos. Fonte: Adaptado de Cardoso & Andreotti (2016), Pimentel et al. (1997). Imagens de SPD: Kraft (2019).

Artigo publicado na edição de Julho de 2019 da Folha Agrícola

Edpool Rocha Silva1, Igor Chiocheta2,Dilmar Baretta3, 

Carolina Riviera Duarte 

Maluche Baretta4 - 1Mestrando em 

Zootecnia – UDESC Oeste

2Acadêmico do Curso 

de Agronomia - UNOCHAPECÓ.

3Professor do Departamento 

de Zootecnia – UDESC Oeste

3Professora do Curso de Agronomia e Programa de Ciências

 Ambientais - UNOCHAPECÓ. 

Contato: carolmaluche@unochapeco.edu.br


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