Jacto

O Amaranthus palmeri é uma planta pertencente à família Amaranthaceae. Tem sua origem no centro sul dos Estados Unidos e Norte do México. Nos últimos anos se tornou a principal planta daninha das lavouras dos EUA e da Argentina devido a sua capacidade genotípica e sua plasticidade fenotípica, de sobreviver e adaptar-se a condições adversas do ambiente.     

Vindo provavelmente da Argentina por importação de máquinas agrícolas usadas em 2011, no Brasil sua primeira aparição foi em áreas de cultivo de algodão no Mato Grosso em 2015. No Paraná o risco da entrada desta planta daninha pode ocorrer tanto pelas fronteiras de países vizinhos, assim como pelos estados vizinhos.     

O A. palmeri chega a ser tão danoso a ponto de provocar perdas de 67% no cultivo do algodão, 69% de perdas na soja e 91% na cultura do milho. Ocasionando em aumento de custos de produção, pelo uso de herbicidas principalmente. De 2016 até hoje a situação está contida, mas é necessário que haja monitoramento até que planta seja totalmente erradicada.    

Pouco se sabe do comportamento desta planta daninhas no Brasil, porém tem-se observado que esta planta adaptou-se bem as condições de solo e clima brasileiro. Outros fatores que caracterizam-na como uma planta prejudicial é alta capacidade competitiva, alta produção de sementes (100 mil a 2 milhões de sementes) por planta e pela resistência a diferentes herbicidas (mecanismos de ação). Esta planta daninha apresenta crescimento rápido, podendo crescer 2-7 cm por dia. Um dos principais problemas é que a planta daninha pode vir a causar a cultura, é o sombreamento que prejudica o desenvolvimento das culturas e ainda compete por água e nutrientes.    

Entretanto devemos estar atentos, observando a possível presença da planta daninha em nossas lavouras. Para isso precisamos conhecer algumas características que ajudam na identificação. Primeiramente precisamos saber que existem plantas machos e plantas fêmeas. Na ausência de uma planta macho, as plantas fêmeas tem a capacidade de originar sementes viáveis sem haver fecundação, é uma característica única desse caruru. As inflorescências femininas apresentam brácteas espinhosas, que são facilmente perceptíveis quando tocadas, enquanto as inflorescências masculinas não têm essa característica.     

Já as folhas desta espécie, apresentam pecíolos maiores ou iguais ao comprimento do limbo folhar (figura 1 A e B). As folhas são distribuídas em torno do caule de forma adensada e com alta taxa fotossintética. Quando a planta é vista de cima podem ocorrer manchas esbranquiçadas nas folhas em formato de “V” (figura 1 A). Outra característica importante que pode ocorrer eventualmente, é a presença de espinho no fim da nervura central das folhas.   

O que não pode ocorrer é confusões entre A. palmeri com as espécies de ocorrência natural no Brasil, como é o caso do caruru de mancha e do caruru de espinho, conhecido pelos espinhos presentes no caule.    

No Brasil o caruru palmer apresenta resistência ao glifosato (inibidores da EPSPs) e inibidores da ALS. Além desses casos de resistência, nos Estados Unidos existem registros de resistência a outros mecanismos de ação, sendo eles: HPPD, inibidores da síntese de Tubulina, inibidores de Fotossintese II e inibidores de ALS.    

O controle se faz essencial por conta de ser uma planta extremamente ofensiva do ponto de vista econômico. Atualmente o controle eficaz é o preventivo, com o uso da queima de restos de plantas resistentes, limpeza do maquinário após trabalhar em áreas infestadas, capina manual onde for necessário, rotação de culturas no sistema e assim impedindo a disseminação para áreas livres da planta daninhas. Outro meio e através da rotação de diferentes mecanismos de ação de herbicidas para eliminar a espécie quando já instalada.  As sementes de Amaranthus palmeri por serem pequenas, podem ficar alojadas em meio a outros produtos, como no feno, palha e ração.    

Em caso de suspeita da presença de caruru gigante em áreas de cultivos, deve-se imediatamente entrar em contato com um profissional Engenheiro Agrônomo, cooperativas, universidades, ADAPAR, MAPA, EMPRAPA ou outras instituições capazes de identificar rapidamente o problema e evitar a sua disseminação.     

Até o presente momento não houve nenhum tipo de restrição comercial, mas ocorrendo a  dispersão da espécie no Brasil, poderá haver imposição de barreiras fitossanitárias pela União Europeia, pois esta espécie esta na lista de alerta da EPPO. Caso isso ocorra, poderá haver embargo na exportação de soja, milho e algodão por países livres da planta daninha. Prevenção é a palavra-chave no manejo do Amaranthus palmeri.

Artigo publicado na Edição de Junho/17

Autores: Gilvane Frizon*, Eduardo Lago*, Mateus Torino* (*Graduandos em Agronomia da UTFPR de Dois Vizinhos; Pedro Valério Dutra de Moraes** (**Professor de Plantas Daninhas do Curso de Agronomia da UTFPR de Dois Vizinhos).

foto: O pecíolo de Amaranthus palmeri pode ser igual ou maior que o limbo foliar (A); enquanto nas demais espécies, ele é menor (B). Fotos Dionisio Gazziero


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