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A antracnose, é causada pelo fungo  Colletotrichum demantium var. truncatum, podendo acarretar danos na cultura da soja durante todos os seus estádios fenológicos, ou seja, deste plântula até a formação do grão. Porém durante o fim de ciclo da cultura que seu ataque torna-se mais severo e danoso.

            Para que venha ocorrer qualquer doença em qualquer área é necessário que três fatores estejam simultaneamente combinados: Patógeno, hospedeiro e o ambiente. Se o patógeno está presente na área de cultivo, bem como o hospedeiro e com condições climáticas adequadas o resultado será o aparecimento da doença (Grigolli, 2015).

            A presença da antracnose é comum nas regiões de Cerrados mas nada impede que esta seja notada em regiões de clima Subtropical em safras de clima característicos. Suas condições ideais de desenvolvimento são as altas densidades populacionais, associadas ao molhamento foliar por orvalho prolongado, precipitações frequentes ou alta umidade relativa (mínimo de 12 horas) e temperaturas entre 18 ºC e 25 °C (Saran, P,E. S.D).

            Sendo que o principal meio de disseminação da doença é através das sementes infectadas porém a ação do vento e da chuva, e a presença em restos culturais podem contribuir para o aparecimento do patógeno. O fungo apresenta reprodução assexuada, ou seja, através da divisão celular dos esporos, que quando maduros são liberados para o meio através do rompimento dos acérvulos (Goulart, 2005). Quando os esporos atingem a superfície vegetal com as condições climáticas adequadas irá ocorrer a germinação do tubo germinativo que penetrará na célula vegetal, sendo que o apressório será responsável pela fixação do hospedeiro e absorção de nutrientes se dará pelo haustório (Michereff, S.D). Assim os primeiros danos na cultura estão sendo acometidos.

            Os sintomas em pós-emergência das plântulas são necroses nos cotilédones que podem se estender para o hipocótilo e causar tombamento. Nas folhas, hastes e vagens é possível notar a presença de manchas castanho escuras que com o avanço da doença causa apodrecimento e queda de vagens, abertura das vagens imaturas e germinação dos grãos em formação, aliados com alta umidade. Nas vagens, as lesões iniciais são estrias ou manchas claras de formato arredondado, que evoluem para manchas negras e podem causar os mesmos sintomas nos grãos ou sementes (Saran, S.D; Grigolli, 2015). Os danos estão relacionados com a redução do número de vagens e consequentemente de grãos, a indução da planta a retenção foliar e haste verde.

            No mercado existe diversos produtos químicos recomendados para o controle da doença, porém as premissas básicas para evitar o inóculo na lavoura não podem ser deixados de lado. Podemos citar:  rotação de cultura, populações de plantas conforme recomendação da cultivar a fim de evitar microclimas, controle de plantas daninhas/hospedeiras, adubação potássica em níveis adequados para dar resistência a parede celular das células e dificultar a penetração do fungo, o uso de sementes sadias e de qualidade além do tratamento de sementes que auxilia na redução da incidência da doenças mas não na erradicação.

            Durante a safra 2014/2015 a Fundação MS divulgou os resultados que fungicidas com princípios ativo de piraclostrobina, fluxapiroxade, trifloxistrobina e protioconazol pertencentes ao grupo das Estrubirulina, Carbaxamida e Triazol apresentaram os melhores resultados para o controle do Colletotrichum. Enquanto os produtos à base de carbendazim apresentaram baixa eficiência de controle podendo este estar perdendo sua eficiência no controle da antracnose devido ao seu uso excessivo (Grigolli, 2015). Salientasse a importância da rotação de princípios ativos para que novos casos de resistências sejam evitados.

            Sem dúvida o melhor método de controle é evitar a presença da doença. Por isso é tão importante o manejo adequado da lavoura, assim é possível reduzir custos com aplicações, garantir altas produtividades e consequentemente maior lucratividade ao produtor rural.

 

Artigo publicado na Folha Agrícola na edição de Janeiro de 2017

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

Bolsista PET-Produção Leiteira

einsfeld.viviann@gmail.com


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