Jacto

O preço pago pelo leite nos últimos meses vem retraindo, deixando muita preocupação aos produtores. Dentre as variáveis que implicam em custos e ou lucros, o preço do leite tem certamente importância fundamental, mas “não” é o determinante para o sucesso na atividade. Existem uma gama de fatores dos quais o produtor não terá controle, eles sempre estarão localizados da “porteira para fora”, e apenas seu monitoramento é possível e cada vez mais fácil (mercado de lácteos, insumos, grãos, combustíveis).

Com o aumento dos desafios para produção e a incansável busca por volume de leite em pequenas áreas disponíveis, precisamos focar em eficiência, alicerçada em pontos básicos de extrema importância, mas negligenciados por muitos. Os cuidados com o solo estão entre os itens principais, onde buscam-se aumentos nos teores de matéria orgânica, algo que nem sempre é conseguido. Somente com solos ricos conseguimos alta produção forrageira, seja de milho para silagens ou demais culturas para pastoreio. As vezes somente ajustando-se a lotação quando necessário, em determinadas épocas conseguimos produzir superior volume de leite, sem prejudicar a forrageira com sobre-pastejo e excessos de compactação, mantendo resíduos de sobra na pastagem pensando em cobertura de solo. O sistema de pastejo deve achar o ponto de equilíbrio entre planta e animal, coordenado pelo homem tomador de decisões e encarregado do sucesso ou do fracasso. 

Da mesma forma para animais confinados, os ajustes em manejo e nutrição devem ser finamente pensados e o que puder ser feito deve ser realizado o mais breve possível. Cansamos de ver propriedades que possuem mudanças urgentes a fazer, mas que por pequenos motivos tardam suas melhorias somente por acomodação ou falta de informação. A busca pela capacitação básica é fundamental, e o meio técnico comercial por meio de Cooperativas e empresas particulares tem levado muita informação consistente às propriedades.

 

Dentre os pontos que norteiam a eficiência leiteira, temos o manejo de período de transição das vacas, onde a categoria de vacas em pré-parto se destaca com importância crucial. Não podemos esperar muito de uma vaca que não recebeu atenção especial quanto ao cuidado alimentar neste período de preparação para nova lactação. Se uma vaca parir mal, ela estará condenada a não demonstrar seu total potencial leiteiro durante esta lactação.

Após os detalhes básicos na busca por mais eficiência técnica, existe o foco em administração da empresa rural, onde o produtor precisa gerenciar os bons momentos de remuneração leiteria, juntando reservas para momentos de crise, afinal, os altos e baixos de preço são relativamente previsíveis e administráveis. Em resumo, produtores que da “Porteira para dentro” focarem em eficiência técnica com volumes de produção próximos ou acima de 30 litros em média geral por vaca dia (independente do sistema adotado), seguidos de uma boa administração de recursos sem investimentos exacerbados e com poucas dívidas se darão cada vez melhor. Os cuidados com solo, produção de volumoso e com o adequado período de transição das vacas se resumem em sucesso e geração de renda.   

                       

Rodrigo Görgen Chaves 

Med.Vet. Me. /Tecg. Agroind.

Publicado na edição de Setembro/2017


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