Jacto

Com a proibição do plantio de soja safrinha no estado do Paraná a partir da safra 2016/2017 a cultura do milho tem ganhado espaço e está sendo a principal opção de semeadura entre os produtores na safrinha. Porém alguns cuidados devem ser redobrados no plantio sequencial de soja e milho. A mudança nas práticas culturais pode propiciar que insetos antes considerados como pragas secundárias adquiram importância significativa e entrem na categoria de pragas primárias, como é o caso do percevejo barriga-verde (Dichelops sp.), percevejo verde (Nezara viridula) e também o percevejo marrom (Euschistus heros) na cultura do milho cultivado na segunda-safra (Gomez e Ávila, 2001). 

Na soja os percevejos costumam atacar as vagens e grãos durante os estádios finais e podem migrar para a cultura sucessora. Em sistema de plantio direto a praga utiliza a palhada como local de abrigo, sobrevivência e multiplicação, os grãos caídos ao solo associado com a presença de ervas daninhas servem como alimento na entressafra, em períodos de alta incidência aliados com estiagem os danos podem ser ainda maiores (Bianco, s.d).

Com o plantio do milho os insetos encontram uma nova fonte de alimentação.  Estes são classificados como sugadores, isto é, alimentam-se introduzindo o aparelho bucal (estiletes) na fonte nutricional onde irão liberar saliva que se solidificará formando a bainha alimentar após injetam outra saliva aquosa, contendo enzimas digestivas, que pré-digerem o alimento e então ocorrerá a ingestão (Revista A Granja, 2000). Estas secreções salivares podem ser tóxicas as plantas de milho pois irão causar deformidades semelhantes às causadas por hormônios de crescimento em excesso (Rodrigues, 2011).  Nos estádios iniciais de crescimento, duas semanas após emergência, será mais sensível ao ataque pois é quando a planta define seu potencial de produção (Rodrigues,2011).

Os ataques ocorrem na base das plântulas, onde introduzem o estilete e causam lesões que serão visíveis com a abertura das folhas, apresentando furos de distribuição simétrica no limbo foliar com halos amarelados, podendo ocorrer dobramento e quebra das folhas nesta região (Embrapa, 2010). Com os danos o milho ficará com o desenvolvimento comprometido, apresentando um aspecto chamado de “encharutamento” e folhas amareladas. Em ataques severos podem ocorrer retardamento do crescimento da planta, além do perfilhamento e morte de plântulas, assim o potencial de produção e estande de plantas pode ficar comprometido.  Devido ao comportamento da praga o manejo de controle deve ter início na cultura da soja visando reduzir a população na área, outra estratégia é reduzir as perdas na colheita assim a fonte de alimentação do inseto na entressafra será menor. 

Produtores tem adotado aplicações de inseticidas junto aos herbicidas durante a dessecação em áreas com histórico de percevejos, porém nem sempre o efeito é garantido pois o produto encontra palhada como barreira dificultando o contato com o inseto.  Outra alternativa que vem se mostrando eficiente é o tratamento de sementes, os produtos que apresentaram maior eficácia são os pertencentes ao grupo dos neonicotinóides, enquanto os pertencentes aos carbamatos não tem proporcionado bons resultados (Bianco, s.d). Entretanto a boa eficiência dos produtos está relacionado com utilização da dosagem correta durante o tratamento e também mesmo se a dose esteja conforme o recomendado, no campo o produto pode ser mal aproveitado devido a deficiência hídrica ou pelo excesso de chuva. O primeiro dificultará a penetração do inseticida na semente após embebição e o segundo poderá lavar a semente.   

Quando o controle for realizado via pulverização o momento correto de aplicação é de suma importância, em pulverizações atrasadas, 10-15 dias pós-emergência o controle pode ser ineficaz pois mesmo controlando o nível populacional dos insetos o dano já foi acometido e somente será visível mais tarde (Bianco, s.d). O monitoramento e tomada de decisão será quando for encontrado 1 percevejo vivo/10 plantas amostradas na linha e em sequência (Pelissari et al. 2015). 

Neste caso os produtos pode estar associados à ação de choque e sistêmica, a fim de garantir maior período de proteção.  Assim os cuidados com percevejos devem ser redobrados quando for realizado plantio de milho em área antecessora com a cultura da soja. Estes insetos atacam as plantas no período em que está ocorrendo a definição do potencial de produção afetando diretamente a produtividade final da área, portanto esteja sempre atento a sua lavoura. Foto: Pioneer, 2015
       

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

Bolsista PET Produção Leiteira     

einsfeld.viviann@gmail.com

Artigo publicado na edição de  Abril/17


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