Jacto

A qualidade da produção de leite é intimamente relacionada a um bom processo de fermentação ruminal, afinal, primeiramente alimentamos microrganismos ruminais para depois alimentar o ruminante propriamente dito. Alterações no pH ruminal são bastante comuns, conforme tipo de alimento ingerido diariamente, podendo influenciar na quantidade e na qualidade da produção animal.
Em situações em que o pH do rúmen fica abaixo de 6,2 os microrganismos que degradam a celulose (parede celular de forragens) ficam em condições desfavoráveis e possuem seu desenvolvimento prejudicado. Quanto mais ácido estiver o ambiente ruminal, menor será seu desenvolvimento de microrganismos. Precisamos maximizar consumo e fermentação sendo esta, o mais saudável possível para o rúmen atendendo seus parâmetros ideais de “funcionamento”. As quedas de pH estão diretamente relacionadas aos teores de ingestão de fibra efetiva na dieta; quando temos pouca fibra e uma alta taxa de fermentação de carboidratos, o ambiente ruminal se torna mais ácido, sendo que isso ocorre geralmente quando as dietas possuem menos de 40% de participação de volumosos, em relação à alimentos concentrados.
Ruminantes possuem característica de “auto-tamponamento” através de suas secreções salivares, ricas em bicarbonatos e fosfatos, sendo que estas são maximizadas através do consumo de fibra fisicamente efetiva. Durante a adaptação a dietas com alta densidade de concentrados, o aumento da acidez no ambiente ruminal exerce pressão seletiva sobre microrganismos sensíveis a pH baixo, onde bactérias amilolíticas aumentam sua população, enquanto a população de microrganismos celulolíticos diminui. Quanto mais ácido for o ambiente ruminal, menores serão os teores de gordura e proteína do leite, visto que somente com uma boa fermentação e proporção de microrganismos teremos um produto final de qualidade.
Não podemos esquecer que bovinos naturalmente possuem sua base alimentar composta pelo consumo de folhas, e que ao decorrer dos anos, aos poucos foram sendo adicionadas fontes de concentrados às dietas (grãos), e em alguns casos, o alimento volumoso passou a ser totalmente composto por silagem de milho por exemplo, manejo este na maioria das vezes seguro tecnicamente, mas com muitos detalhes a serem observados como por exemplo tamanho de picado da forragem e processamento dos grãos do milho. Atenção especial deve ser dado em momentos de pouca disponibilidade forrageira (clima ou falta de planejamento), onde volumosos conservados e maiores volumes de concentrado acabam sendo necessários na tentativa de manter volume de produção.
Erros graves para com a fisiologia ruminal são bastante comuns em fazendas de produção leiteira, reduzindo produção, saúde animal e qualidade de leite. A identificação dos sinais de acidose ruminal são subjetivas pela avaliação de escore de fezes e conferência de dieta aplicada ao rebanho; normalmente quando se observam depressões bruscas na gordura do leite já há um quadro de acidose ruminal há um bom período de tempo causando prejuízos ao rebanho. Quando se trabalha com assistência técnica capacitada, com manejo nutricional acompanhado, as situações de erro são minimizadas, e as chances de sucesso na produção serão sempre maiores.

 

Artigo publicado na ediçao de Janeiro de 2017

Rodrigo G. Chaves

Méd. Veterinário, Tecnólogo em Agroindústria

Coasul Cooperativa Agroindustrial


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