Jacto

Atualmente é comum o produtor encontrar, via diversas fontes, informações sobre a altura de manejo ideal para sua pastagem, seja o pastejo realizado de maneira intermitente (piquetes) ou contínuo. Estas informações de manejo normalmente indicam a altura de entrada dos animais na pastagem (piquetes) e sua respectiva saída. Contudo, é interessante elucidarmos os fundamentos que embasam estas referências.

Primeiramente, é preciso entendermos dois conceitos “chave” ligados ao crescimento de plantas forrageiras. O primeiro é o Índice de Área Foliar (IAF), que é o resultado da divisão da área das folhas (cm2) pela área de solo (cm2) do qual estas folhas foram retiradas. Por exemplo, se coletarmos uma amostra de forragem em 1 m2 de solo e a soma da área de todas as folhas for de 3 m2 o Índice de Área Foliar será de 3. 

O segundo conceito é chamado de Interceptação Luminosa (IL) e significa o % da luz solar que é interceptado pelas plantas (folha, caule, inflorescência) “antes” desta luz chegar ao nível do solo (a unidade de medida desta luz, embora não seja o foco desta abordagem é µmol m2 s-1). Por exemplo, se “chegam” à área de pastagem 1000 unidades de medida desta luz, e no nível do solo está “chegando” 100 unidades de medida, significa que 900 unidades foram interceptadas pelas plantas, ou seja, 90% de interceptação luminosa.

Entendidos estes conceitos, imaginemos o crescimento de uma planta após o pastejo (ou corte mecânico), a planta tem pouca área foliar e à medida que cresce isso vai aumentando, até alcançar um IAF teto, que é o máximo de folhas que a planta consegue colocar neste determinado local, significa também o máximo sombreamento, o que causa invariavelmente a  senescência das folhas da parte inferior da planta (folhas de baixo). 

Contudo, antes de alcançar esse índice (IAF teto), existe o IAF crítico, que corresponde ao estágio de crescimento no qual ocorre a interceptação de 95% da radiação incidente sobre a pastagem. A partir deste momento, o aumento da IL causa uma competição crítica por luz, e a planta ao “entender” esta competição, cria uma estratégia para contornar o problema, o “elongamento de colmo”, popularmente chamado de “estiola”. Esse mecanismo torna as plantas mais altas, logo, precisa de caules mais grossos (fibrosos) para sustentar esta altura, ou seja, a planta “gasta” muito da sua energia para produzir um elemento estrutural com baixo valor nutricional. Este comportamento fisiológico justifica a recomendação de que o novo corte (ou pastejo) seja realizado no máximo quando as plantas atingem entre 90 e 95% de IL, pois a partir deste momento há elongamento de colmo, senescência de folhas e invariavelmente redução da qualidade nutricional da pastagem. 

Este índice de interceptação luminosa “ótimo” é alcançado em alturas diferentes para cada planta. Em geral, as plantas com crescimento ereto requerem maior IAF e maior altura, enquanto as prostradas alcançam o índice com alturas menores. Contudo, o grande benefício é que existe uma correlação muito forte entre a IL e a altura das plantas de determinada espécie. Em outras palavras, o produtor ou o técnico de campo não consegue estimar a IL das pastagens, isto requer equipamentos sofisticados e caros, no entanto, estas mensurações já foram (e seguem sendo) realizadas por grupos de pesquisas ligados a forragicultura, que determinaram  as alturas aproximadas de manejo que se correlacionam com a IL ótima.

São por estes motivos que manejar os animais de maneira correta a fim de otimizar o pastejo com a altura de entrada determinada pelas recomendações técnicas, significa “usar” a pastagem no seu melhor momento (produção e qualidade). Em relação á altura de saída, uma regra prática é de no máximo metade da altura de entrada. Por exemplo, a altura de entrada do milheto é de 60 cm, logo, a saída deve ocorrer antes dos animais rebaixarem o pasto até 30 cm. 

Mesmo que estes conceitos pareçam ser abstratos em um primeiro momento, sua reflexão nos permite compreender, mesmo que de forma sucinta, alguns mecanismos fisiológicos de crescimento das plantas forrageiras, os quais devem nortear o manejo.

 

Artigo publicado na edição de Julho de 2019 da Folha Agrícola

Daniel Augusto Barreta

Zootecnista, Me. em Zootecnia

daniel_barretta@hotmail.com


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