Jacto

     O bem-estar em animais de produção se tornou uma grande preocupação científica e social devido sua importância e abrangência no mundo. A ciência do bem-estar foi criada desde a década de 1960, porém ainda não existe uma definição única científica sobre o que significa o bem-estar animal. O Farm Animal Welfare Council – FAWC (Conselho do Bem-estar dos animais de Fazenda) instituiu as cinco liberdades, as quais são aceitas até hoje como uma descrição geral de bem-estar animal. De acordo com as cinco liberdades os animais devem estar: 1) livres de fome, sede e desnutrição; 2)Livres de desconforto; 3) Livres de dor, ferimentos e doenças; 4) Livres para expressar seu comportamento; 5) Livres de medo e estresse (FAWC, 1979).

     Atualmente o bem-estar animal tem sido definido tendo-se como princípios sobre o que é mais desejável ou mais importante para a qualidade de vida dos animais. A definição mais aceita na atualidade é descrita em três conceitos: 1) Saúde e funcionamento animal; 2) Estado afetivo do animal e 3) Adaptações naturais dos animais. As cinco liberdades que fazem a descrição geral do bem-estar animal, incorporam os três conceitos, por exemplo: em termos de saúde básica incorporam as doenças, estresse físico e lesões; em termos de vida natural incorporam a liberdade para executar comportamento natural; e em termos de estados afetivos incorporam o desconforto, fome, sede, dor, angústia e medo. O bem-estar ideal é dado pela associação desses três conceitos (Figura 1, área A). Entretanto, em algumas situações eles podem ocorrer dissociados (FRASER, 2012).

     Poucos produtores hoje em dia discordariam que as doenças em geral afetam o desempenho do animal e a rentabilidade da fazenda. No entanto, somente o foco na saúde não é suficiente. Preocupações sobre bem-estar animal vão além da saúde, conforme Fraser (2012) as garantias para o bem-estar animal se alcança quando os três principais conceitos citados anteriormente são contemplados.

     Para identificar se o bem-estar está sendo garantido aos animais, existem indicadores comportamentais e fisiológicos que podem ser utilizados para a avaliação. Os indicadores mais utilizados no bem-estar de bovinos, por exemplo, são: comportamento anormal, comportamentos naturais, preferência, motivação, vocalização (indicadores comportamentais), saúde, doença e estresse (indicadores fisiológicos).

     Esses indicadores oferecem subsídios para desvendar os diferentes problemas que ocorrem dentro de uma fazenda, laboratório e instituições de pesquisas. Dessa forma, um trabalho em conjunto de técnicos e produtores com observações contínuas de instalações, equipamentos, manejo e principalmente dos animais, permitirá a garantia do bem-estar e consequentemente produzir com eficiência.
 

Artigo publicado na edição de Junho/16

Ediane Zanin Zootecnista,

Mestranda em Ciência Animal-UEL

Rolar a língua para fora ou para dentro (estereotipia) é um dos comportamentos anormais mais comum em vacas leiteiras.

Fonte: Google imagens

 


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