Versão Online

Os solos se formam a partir da intemperização da rocha mãe, ou seja, através do efeito das águas da chuva, ventos, seres vivos e condições climáticas especificas. As rochas se decompõe em diversos sedimentos, onde posteriormente os aglomerados formam a fração que chamamos de solo. 

Cada tipo solo possui características distintas devido as diferentes rochas que o originaram e o relevo em que se encontram. Como por exemplo a região Sudoeste está localizada no Terceiro Planalto Paraense, onde o solo foi originado a partir da decomposição do basalto. Dentre as classes de solos presentes na região destaca-se o Latossolo e Nitossolo, sendo estes classificados como profundos, argilosos e recomendados para as práticas agrícolas. 

Um dos temas muito discutidos na atualidade é sobre manejo e conservação dos solos. É perceptível que as práticas conservacionistas foram sendo deixadas para trás e as consequências desse abandono se tornam cada vez mais notórias, hoje é comum encontrar solos com processos de erosivos acentuados. 

Os processos erosivos podem ser de ordem natural ou acelerada, ou seja, quando ocorre adoção de práticas agrícolas inadequadas pode resultar na aceleração do processo de erosão, causando desprendimento e transporte de frações de solo de partes altas e a deposição em partes baixas, podendo ser até mesmo em rios e lagos. As consequências desse transporte é a perca de água, de solo, de nutrientes e de colóides orgânicos. 

É necessário a adoção de práticas conservacionistas para evitar os processos erosivos. Primeiramente precisamos ter consciência sobre a declividade do terreno, e se este está apto para adoção de práticas agrícolas, principalmente se mecanizadas. A adoção de terraços permite o melhor aproveitamento de terrenos declivosos. Estes são barreiras físicas que auxiliam na redução da velocidade de escoamento e direcionamento da água.  

Os terraços de base média (3-6m) permite ser adotado em terrenos com declividade de 8-13%, onde não é permitido o cultivo em sua extensão, geralmente são lavouras consideradas pequenas e médias. Enquanto os de base larga (6-12m) para declividade de até 8% permite o cultivo em sua extensão e as lavouras são de grandes extensões (SILVA,2016).  O recomendado é que se procure um profissional habilitado para auxiliar na definição do projeto do terraçamento. 

Outo ponto a ser abordado para evitar a erosão é sobre a cobertura do solo. A terra quando desnuda, com o impacto da gota da chuva acaba formando os salpicos e destruição dos agregados, acarretando no deslocamento e transporte de partículas, obstruindo os poros e causando a compactação e selamento superficial. Por exemplo, uma chuva em solo desnudo com duração de 30 minutos e precipitação de 60 mm por hora pode acarretar percas de 6 toneladas de solo por hectare (CONCEIÇÃO, 2014).  

Com a obstrução dos poros, acaba dificultando a passagem de oxigênio e água no interior do solo, sendo estes elementos básicos para os processos vitais das plantas. Esse fenômeno tende a ser mais acentuado em solos argilosos, característicos da região Sudoeste do Paraná, devido as partículas serem menores e possuírem facilidade de agrupamento. 

Por isso a cobertura e a rotação de culturas exercem funções muito importantes. As duas estão aliadas, a primeira evita deixar o solo exposto as intempéries climáticas evitando o processo citado anteriormente, além de contribuir com a diminuição de plantas daninhas, melhorando a estrutura do solo e mantendo a umidade em períodos de entressafra. E a segunda entre outros fatores, permite a ciclagem de nutrientes no terreno, acarretando na melhoria da fertilidade e matéria orgânica do solo. 

Outras práticas simples podem contribuir para evitar os processos erosivos. O plantio em nível faz com que a água perca velocidade. Já o plantio direto visa o não revolvimento do solo, evitando a desestruturação do solo e obstrução dos poros, ficando o mesmo protegido do impacto direto das gotas da chuva e assim evitando o escoamento superficial e melhorando a infiltração da água no solo. 

O órgão competente no estado do Paraná pela fiscalização do cumprimento da legislação da preservação do solo agrícola pelo seu uso é da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), através da portaria n° 272 de 23 de dezembro de 2014. Ou seja, em caso de denúncias por má uso e conservação dos solos, os produtores poderão receber a fiscalização em suas propriedades e serem multados conforme a gravidade dos processos erosivos. Junto da multa irão receber a orientação para a correção do problema com prazo estipulado.   

O melhor método contra a erosão é se evitando através das práticas conservacionistas mencionadas acima. Devemos manter em mente que o solo é a base de todo sistema produtivo por isso merece cuidados especiais. E lembre-se que os valores médios de formação de solo é de 0,1 a 1,0 mm de espessura por ano, sendo a mesma quantia facilmente perdida em somente uma chuva (CORTEZ; ABREU, 2008).

Artigo publicado na edição de novembro/16
.
Viviann Y. Einsfeld
Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV
Bolsista PET Produção Leiteira
einsfeld.viviann@gmail.com


Este conteúdo é de uso exclusivo, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem a prévia autorização do mesmo.




Deixe seu comentário

Facebook

Oro Agri