Jacto

Vedação do silo e manutenção da qualidade da silagem de milho

A silagem de milho é o volumoso conservado mais comum nas propriedades leiteiras da região Sul do Brasil. O processo de ensilagem dura entre 1 e 3 dias na grande maioria das propriedades. Entretanto, o fornecimento da silagem nos sistemas confinados é contínuo, e mesmo nos sistemas à base de pastagem o volumoso é recorrentemente utilizado, especialmente em situações de entre safra de forragens.

No dia de confecção da silagem é importante que todos as operações funcionem harmonicamente, isto inclui a afiação das facas da ensiladeira (pelo menos 2x ao dia, caso a colheita não seja realizada por uma colheitadeira automotriz), transporte do material da lavoura até o silo, descarga e distribuição no silo e compactação. Estes processos possuem alguns pontos-chave como: Necessidade da quebra dos grãos de milho em frações menores para facilitar o acesso dos micro organismos ruminais; Distribuição do material colhido em camadas com espessura inferior a 30cm, pois camadas espessas dificultam a compactação; O peso do trator utilizado para compactação também é um item importante, de maneira geral recomenda-se que o peso deste seja de pelo menos 40% do peso do material descarregado no silo durante 60 minutos.

            Embora tais informações sejam muito importantes, não são novidades, e estão bastante disseminadas entre produtores e técnicos de campo. Nesse sentido, abordaremos aqui a importância da vedação correta da silagem, um procedimento que, às vezes, pode ser negligenciado nas propriedades. Em geral, a vedação do silo ocorre após o término de uma jornada muito trabalhosa para os produtores. No entanto, é preciso ter muita cautela nesta etapa, pois possíveis erros podem colocar em risco todo o empenho gasto em todas as etapas anteriores, desde a escolha do híbrido.

            A silagem, ou melhor, a conservação do material ensilado, é o resultado da fermentação anaeróbia dos carboidratos do milho que inicia logo após o “consumo” de todo o oxigênio remanescente no silo após o fechamento. A partir do momento em que o silo é aberto, ocorre novamente o contato da silagem com o oxigênio, dessa forma, microrganismos oportunistas podem se proliferar e iniciar a deterioração do material (silagem mofada, escura) que normalmente inicia após 1 ou 2 dias de contato do painel do silo com o ambiente externo. Deste modo, ao imaginarmos um silo aberto e considerando o oxigênio como um “vilão” para a conservação do material, a única barreira que separa o ambiente externo (com oxigênio) do interno (sem oxigênio) é a lona do silo. É a garantia de manutenção da qualidade da silagem!

Nesse sentido, há alguns pontos a serem (re)pensados, principalmente no que tange a qualidade do material a ser utilizado. Há muitas opções de lonas disponíveis no mercado, este é um segmento em ascensão, além disso, percebe-se a popularização de lonas chamadas de “barreira de oxigênio”, as quais que impedem (reduzem muito) o fluxo de ar através da lona (sim, as lonas em geral permitem o fluxo de oxigênio) e que até alguns anos atrás eram utilizadas apenas no exterior. Esta disparidade de produtos abre precedente para que sejam vendidos materiais com preços muito distintos. Neste sentido, o produtor deve estar totalmente esclarecido e ciente do material que está adquirindo ao efetuar a compra.

No caso de silos do tipo trincheira (de terra), o fluxo de oxigênio também ocorre pelas laterais, de modo que a colocação de uma lona secundaria, não necessariamente nova, ajuda a contornar este problema. Além disso, como esta é colocada durante a ensilagem, contribui para evitar a contaminação da silagem com terra ou outros materiais. Na figura 1 temos um esquema que ilustra o procedimento de vedação com o uso de uma lona lateral.

Quanto tempo a silagem ficará estocada? Em alguns casos o silo é aberto logo após a finalização do processo de conservação (cerca de 1 mês), mas há situações em que o silo permanece fechado por meses, talvez anos. Nos casos em que o silo permanecerá por um longo período fechado, a qualidade da lona é ainda mais relevante, pois uma grande parcela dos materiais disponíveis no mercado não tem tratamento anti raios UV, ou seja, a exposição direta da lona do silo ao sol causa a degradação gradual do material, mesmo que isso não seja observado visualmente, o que por sua vez permite um fluxo maior de oxigênio por meio da lona (fica mais permeável), logo, oxigênio = micro organismos, migro organismos = degradação do material ensilado (camada escura no topo do silo). Deste modo, “proteger” a lona com materiais como terra, telhas ou outra lona é uma alternativa para atenuar a situação caso a lona escolhida não possua tais atribuições.

Por fim, me permito realizar uma conta simplista (embora condizente com a realidade que vejo no campo) e no sentido inverso do normal. Imaginemos uma propriedade (pequena) com 30 vacas em lactação (550 kg) em sistema confinado cujo consumo diário dos animais seja de 2,5% do peso vivo e que a dieta é composta por 50% de silagem de milho (33% de MS). A necessidade diária de silagem da propriedade (apenas para as vacas em lactação) é de 625 kg de matéria natural. Em um ano, 228 ton., considerando uma produtividade do milho de 47 ton de matéria verde/ha (já descontada as perdas), serão necessários cerca 4,84 hectares (2 alqueires) para alcançar esta produção. Consideramos agora estes 4,84 hectares de lavoura de milho com uma produtividade média (baixa para os padrões atuais) de 155 sacos/ha de milho grão. Caso o produtor realizasse a venda do produto (750 sacos) em patamares de preço próximos aos de jan/fev de 2021 (R$ 70,00/sc), apenas o “valor” do milho grão depositado em um silo ultrapassaria os 50 mil reais. Estes 50 mil reais comprariam (atualmente) um carro popular, um carro novo está sob a lona de um silo, a garagem que cobre o carro é a lona que cobre a silagem, e sendo ela (a lona) a única barreira que separa a silagem do ambiente externo (vilão), me parece lógico que sua qualidade não pode ser negligenciada.

Obs.: As recomendações discutidas neste trabalho não eximem a adoção de outras práticas, apenas sugerem procedimentos pontuais para melhorar a qualidade da vedação do silo.

 

Daniel Augusto Barreta, Me.

Núcleo de Pesquisa em Pastagens-UDESC


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