Jacto

O Brasil é o maior exportador de carne de frangos de corte do mundo, ocupando o 3° lugar como maior produtor na produção de carne (CONAB 2015). A elevação do custo dos fertilizantes químicos, o aumento da poluição ambiental tornou o uso de resíduos orgânicos na agricultura uma opção atrativa, do ponto de vista econômico, em razão da ciclagem de nutrientes (SANTOS et al., 2011). 

Os resíduos provenientes da criação intensiva de frangos de corte, denominados de cama de frango, são ricos em nutrientes e por estarem disponíveis nas propriedades a um baixo custo, podem ser viabilizados pelos produtores na adubação das culturas comerciais (COSTA et al., 2009).  

O uso agrícola da cama de aviário, principalmente na cultura do milho é uma prática relativamente antiga no Brasil, especialmente nos estados do Sul do Brasil, onde a avicultura ocupa lugar de destaque na economia dessas regiões. O interesse no uso da cama se deve não apenas à matéria orgânica que ela adiciona ao solo, mas também ao conjunto de nutrientes essenciais às plantas que estão contidos na mesma, o que melhora aspectos qualitativos do solo, com destaque às funções ligadas aos macro e microrganismos (BALLEM 2011). 

A cama de aviário frango de corte é designada como sendo todo o material que é disponibilizado sobre o piso dos galpões servindo como leito as aves criadas durante um período de tempo, esta possui em sua concentração uma mistura entre as excretas das aves, penas, ração e o material que inicialmente é utilizado sobre o piso. Dentre os materiais utilizados como cama pode ser citada a maravalha, casca de amendoim, casca de arroz, casca de café, capim seco, sabugo de milho picado, entre outros (FUKAYAMA 2009). 

De acordo com Blum et al. (2003) a cama de frango de corte torna-se uma boa fonte de nutrientes ao solo quando manejada adequadamente, podendo suprir parcialmente ou totalmente o adubo químico na cultura. A adição de fertilizante orgânico obtido a partir de cama de frango pode contribuir para a melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo (VALADÃO et al., 2011).   

A utilização da matéria orgânica como parâmetro único para recomendar a adubação nitrogenada é insuficiente, pois, apesar de ser importante fonte de N para as plantas, é necessário que este nutriente seja liberado nas formas minerais para absorção pelas plantas (ANGHINONI, 1986 apud ARGENTA et al., 2002).  A matéria orgânica representa a principal reserva de nitrogênio do solo, caracteriza pelo suprimento do nutriente para as culturas. 

Para Lourenço et al. (2013) o valor agronômico da cama de aves está diretamente associado à quantidade de nutrientes presentes, principalmente N, P e K, e à taxa de liberação deles para as plantas. De acordo com Leytem et al. (2007) aproximadamente 55% do N, 70% do P e 80% do K são excretados através das fezes das aves, está elevada concentração de nutrientes deve-se a alimentação das aves na qual contém elevados teores de nutrientes. 

A composição mineral da cama de aves apresenta frações com solubilidades distintas, algumas prontamente disponíveis às plantas e outras na forma orgânica, que dependem da atividade biológica do solo para serem mineralizadas. A disponibilidade de N, P e K para a primeira cultura é de 50, 80 e 100%, respectivamente, após aplicação da cama de aviário, ocorrendo a mineralização de forma gradativa para as culturas sucessoras (CQFS 2004). 

Apesar dos efeitos positivos da cama de aviário sobre a produtividade das culturas, o seu uso agrícola também pode resultar no aumento dos níveis da poluição ambiental, especialmente atmosférica, através da emissão de óxido nitroso (N2O) via desnitrificação, provocando alterações dos mananciais águas superficiais e subterrâneas, através da lixiviação de nitratos (BALLEM 2011). 

Em 240 amostras avaliadas de cama de frango de corte Zhang et al. (2002) obteve os teores médios de 2,8% de N, 2,7% de P e 2,3% de K, com teores de umidade de 23% e pH de 7,1%. 

Oliveira (2001) observou que normalmente a cama de frango de corte apresenta elevados teores de nutrientes como: N (33,6 g kg-1), P (13,3 g kg-1), K (19,2 g kg-1) e Ca (25,5 g kg-1) quando comparada a outras fontes de adubação orgânica. 

De acordo com Adami (2012) a quantidade a ser aplicada de cama de frango de corte varia em função da sua concentração nutricional e da exigência da cultura a ser cultivada, além da sua velocidade de decomposição e liberação de nutrientes. 

Os resíduos oriundos da criação de frangos de corte podem ser caracterizados como poluentes ao meio ambiente, no entanto o manejo adequado destes resíduos com altos conteúdos de nutrientes possibilita um impacto ambiental mínimo. Estes resíduos níveis excessivos de nitratos apresentam têm o potencial de poluir as águas superficiais e o lençol freático (OVIEDO-RONDÓN et al., 2008) 

 Artigo publicado na dição de Julho/17

Idianara Fernanda Pizzatto  

Doutoranda em Agronomia

UTFPR/ Câmpus Pato Branco


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