Jacto

Passados sete meses de intercâmbio uma das etapas chegou ao final, no mês de setembro concluí minhas atividades na Madden Ag Service. Então decidi relatar um pouco da minha experiência durante esse período. A empresa foi fundada em 2011 e é representante comercial da marca de sementes Pioneer, está localizada no pequeno município de Long Grove, condado de Scott no estado de Iowa e conta com três engenheiros agrônomos, os quais me orientaram durante esse tempo. Além da venda de sementes a empresa oferece assistência técnica paga aos seus clientes conforme o serviço contratado.

Minhas atividades tiveram início no mês de abril, marcado pelas baixas temperaturas, os trabalhos se deram somente no interno da empresa, período o qual foi tratada sementes de soja e feita a entrega aos produtores. O tratamento realizado era o industrial para a semente de soja e o produtor rural poderia optar pelos produtos utilizados, enquanto que as sementes de milho já vinham tratadas da Pioneer. Os produtos ofertados eram: fungicidas, inseticidas, nematoidicidas e inoculantes.

A semeadura do milho teve início na segunda quinzena de abril e a soja início de maio. Durante esse período os mapas de plantio estavam sendo lançados nos GPS dos tratores, a taxa de semeadura era variável conforme a produtividade da área na safra anterior, e a classificação e fertilidade do solo. A taxa de semeadura para milho variava entre 71.000-86.000 sementes por hectare e a soja entre 247.000-370.000 sementes por hectare, o espaçamento entre linhas para o primeiro era na maioria dos casos de 0,70cm enquanto que para o segundo estava entorno de 0,35cm, dependendo do equipamento do produtor. Quanto melhores fossem os fatores citados anteriormente maior era o adensamento populacional para a cultura do milho e menor para a soja. Devido a característica de plasticidade encontrada nas plantas de soja, que em condições excelentes apresenta maior vigorosidade compensando em maior número de vagens por planta, tal característica não encontramos na cultura do milho portanto se aumenta a população da área.

Entre os estágios V1 e V3 de ambas das culturas realizou-se o levantamento populacional nas lavouras, ou seja, foram contados em diversos pontos na lavoura quantas plantas emergiram em uma área conhecida e extrapolado para hectares para saber se precisava realizar a ressemeadura das culturas. Na mesma visita na lavoura era examinada e identificada a presença de ervas daninhas para tomada de decisão de aplicação. A maioria dos produtores americanos aplica herbicida na pós-semeadura em pré-emergência, em alguns casos ocorreu a necessidade de reaplicar devido à alta infestação. As daninhas mais comuns encontradas foram Conyza canadenses e Amaranthus spp.

Quando a cultura da soja estava entrando em estádio reprodutivo iniciou-se o monitoramento de doenças e pragas. Devido ao inverno rigoroso é baixa a incidência destas moléstias, algumas manchas de Septoria glycines podiam ser identificadas nas folhas do baixeiro mas nada que fosse necessária a intervenção com fungicida. Enquanto que a praga mais encontrada foi o Popillia japonica, percevejo com aparelho bucal mastigador que ataca as folhas da oleaginosa, algumas áreas foi notável altas populações e necessária a aplicação de inseticida. Também em algumas áreas realizou-se a coleta de solo para análise laboratorial a fim de identificar possíveis nematoides e medidas de controle na próxima safra.

Na cultura do milho alguns produtores realizaram o tratamento preventivo contra doenças mas apenas no estádio de maturação fisiológica foi possível verificar a presença de Puccinia polysora. O manejo da adubação nitrogenada varia conforme o sistema de produção, podendo variar de uma até três aplicações. A grande diferença quando comparado ao sistema brasileiro que grande parte dos produtores americanos utiliza o nitrogênio na forma liquida aplicado diretamente nas raízes após o pendoamento, quando em dose única. Nos autopropelidos são acoplados mangueiras nos lugares dos bicos e essas possuem a função de aplicar o fertilizante próximo ao solo. Quando o milho entrou no estádio de maturação fisiológica foi realizado a estimativa de produtividade, apresentando valores acima de 200 sacas por hectare.

Nesse intervalo de tempo outras atividades estavam sendo realizadas simultaneamente como o monitoramento da Diabrotica spp., através do uso de armadilhas, e o acompanhamento dos campos experimentais de soja e milho.  Uma importante ferramenta de trabalho utilizada foi o software Encirca, o programa é de domínio da Pioneer e oferece inúmeros recursos aos técnicos e produtores. Toda vez que se visitava a lavoura era criada uma nota no aplicativo através do smartphone com as observações e a mesma era compartilhada/enviada ao produtor rural, o qual podia monitorar suas lavouras através da tela do celular.

 Outras importantes ferramentas podem ser encontradas no sistema como por exemplo o manejo da adubação nitrogenada conforme a expectativa de produtividade e aplicação em taxa variada. Os dados armazenados auxiliam no final da safra na confecção do relatório anual, todos os produtores recebem como foi o desenvolvimento das suas culturas, individualmente por lavoura, levando em consideração condições climáticas, tipologia e fertilidade do solo e produtividade.   

As aplicações químicas para a maioria dos produtores era terceirizada, o agrônomo lançava, em outro aplicativo, os produtos com as respectivas doses e a revenda de produtos cadastrada repassava para os operadores/proprietários dos autopropelidos ou aeronaves, que também eram vinculados, para realizar as operações. Em outras palavras, produtor, assistência técnica, operadores e revendas trabalhavam em conjunto de forma digital. 

Acompanhar todo o ciclo de desenvolvimento da cultura do milho e da soja, conhecer diferentes tratos culturais e manejo de fertilidade, ver como a tecnologia se faz presente e facilita o dia-a-dia de técnicos e produtores, dirigir sozinha por diferentes regiões e visualizar diferentes relevos foi sem dúvida uma experiência única e incrível.

Agradeço imensamente aos profissionais que me cederam essa oportunidade e tiveram muita paciência ao saciar minhas dúvidas ou então ao explanar situação, pois se termos técnicos já são complicados em seu idioma de origem imaginem em uma segunda língua e as vezes até com diferenças de opiniões. O sentimento é de gratidão, orgulho e felicidade no final dessa etapa, pois fiz o que realmente gosto da melhor maneira possível e posso dizer que enfrentei e superei todas dificuldades que apareceram no caminho.


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