Jacto

Durante minha estadia nos Estados Unidos tive a oportunidade de visitar uma das maiores fazendas leiteiras americana. A fazenda Fair Oaks está situada no estado de Indiana, especificamente entre Newton e Jasper Counties e recebe cerca de 400.000 visitantes anualmente. Se destaca pelo seu tamanho, 30.000 acres ou 12.140 hectares, e pelo número de animais, 30.000 vacas em lactação, além da bovinocultura de leite e produção de grãos, apresenta como atividade a suinocultura.

A chegada da fazenda é realmente impressionante, um amplo espaço é composto por construções temáticas chamando a atenção do público, por exemplo a lanchonete chamasse “cowfé” uma mistura de vaca e café, já a produção de grãos é modelada por um grande silo.  Diferentes atividades recreativas ao ar livre são ofertadas para as crianças, estas podem passar o dia todo se divertindo e aprendendo como funcionam as atividades na fazenda.

O primeiro setor visitado foi a suinocultura, não foi exatamente uma visita tradicional em uma granja, o local era todo adaptado para visitantes. O chão era todo forrado com carpetes, diversos guias estavam espalhados pelas salas sanando dúvidas, imagens e vídeos foram apresentados durante o passeio. Durante a visita na granja as crianças puderam participar de algumas atividades recreativas como por exemplo realizar a ultrassonografia em uma porca de brinquedo.

O ambiente se divida em três grandes salas nomeadas como cria, recria e engorda, ou seja, era possível visualizar como era o funcionamento de todos os setores da granja sem ter contato direto com os animais. Os suínos estavam localizados no andar de baixo e era possível ver a movimentação destes através de grandes janelas de vidros. O mais legal é que pudemos visualizar a inseminação e parição de algumas porcas.

No setor da bovinocultura de leite fomos recepcionados em outro ambiente totalmente ilustrado, especificas brincadeiras sobre a atividade estavam disponíveis, como o desafio de sanitizar os tetos e colocar a ordenha nos animais de brinquedo em 30 segundos. O tour aconteceu em um ônibus malhado que representava a pelagem das vacas, enquanto visitávamos o galpão das vacas lactantes, maternidade, criação de bezerras e o sistema de ordenha informações iam sendo repassadas. A seguir irei descrever algumas apresentadas no dia e outras complementares retiradas do website da fazenda.

As vacas estão distribuídas em 10 locais diferentes e produzem aproximadamente um montante de 1 milhão e 60 mil litros de leite por dia, todos os animais são da raça holandesa e permanecem confinadas em sistema Free-Stall durante o ano todo. Durante o verão as cortinas dos barracões são abertas, os ventiladores e o sistema de aspersão  são utilizados para tentar manter a temperatura amena, enquanto no inverno as cortinas são fechadas protegendo os animais do vento e da chuva.

O tratamento dos dejetos é um dos pontos a ser levado em consideração, três vezes ao dia o esterco é recolhidos e direcionado para um processo de separação da areia do restante do material. A areia é lavada e secada para posteriormente ser reutilizada na cama das vacas no Free-Stall. A água resultante desse processo é enviada para um biodigestor onde é adicionado bactérias anaeróbicas que consomem o material orgânico resultando no gás metano. Parte do gás é enviado a um gerador que irá resultar em energia elétrica, esta é suficiente para tocar toda a fazenda, sendo que o excedente é vendida para a rede de distribuição. A outra parte do gás após passar pelo processo de limpeza é vendido como biocombustível ou utilizado pelos caminhões responsáveis pelo transporte do leite. Os subprodutos do biodigestor são utilizados como fertilizante na lavoura, a parte sólida é distribuída nas áreas de cultivo como fertilizante natural e a parte liquida é destinada a fertirrigação das plantações.

As vacas são ordenhadas três vezes ao dia no sistema de ordenha do tipo carrossel, o equipamento permite eficiência e rapidez de serviço com baixa mão-de-obra. A capacidade de trabalho é de 72 vacas por vez, a entrada e saída de animais é simultânea, enquanto uma vaca está entrando na ordenha a outra está saindo esgotada. Primeiramente os tetos são desinfetados e os três primeiros jatos de leite são avaliados a fim de identificar mastite clínica então é colocada a teteira, somente quando todo o leite for absorvido o equipamento é liberado automaticamente, caso isso não ocorra na primeira volta a vaca permanece girando no carrossel até que esteja totalmente esgotada, o tempo de uma volta completa é de aproximadamente oito minutos.  

Todos os animais produtivos possuem um colar, este auxilia na detecção de cio pois quando estão aceitando monta as vacas costumam ter um comportamento mais agitado assim aumenta a contagem de passos possibilitando o reconhecimento. Outra vantagem é que o colar realiza a leitura da produção de leite individualmente em cada ordenha, quando existe uma grande diferença na comparação de média das três últimas ordenhas pode ser um indicativo que o animal está doente, facilitando a identificação. 

A natalidade na fazenda é de 80-100 bezerros por dia, quando nascem bezerras são enviadas para outra fazenda onde recebem todos os cuidados necessários até atingirem a idade de ser inseminada. A utilização de sêmen sexado é uma prática comum dentro da propriedade assim a probabilidade de nascer fêmea é em torno de 80%. Quando as novilhas prenhas atingem os sete meses de gestação são transportadas novamente para a fazenda  de origem e ali permanecem no lote de vacas secas até chegar a data próxima ao parto, então são movidas para a maternidade onde concebem o bezerro e tem início a sua vida produtiva.  

Sem dúvidas o que mais chamou a atenção, além da dimensão, foi a estrutura de marketing montada, todos os ambientes são adaptados para os visitantes e a linguagem simples durante as explicações. Quem não possui contato com o meio rural pode desfrutar de um dia divertido, conhecendo o dia-a-dia de uma grande fazenda sem ter contato direto com os animais e assim não atrapalhando a rotina. Um fato que comprova isso foi um comentário proferido entre meus amigos durante o tour “primeira vez que vejo suínos e não saio cheirando”. Conhecer uma grande fazenda leiteira, com uma enorme estrutura foi uma das oportunidades que o intercâmbio pode oferecer, com certeza ficará para sempre marcado em minha memória.

 

Artigo publicado na Edição de Agosto/17

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

Estagiária Cinnamon Ridge Farms e Madden Ag Services (Pioneer)

einsfeld.viviann@gmail.com


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