Jacto

Na cultura da soja, o grão é o objetivo único da cultura e todos os esforços e tecnologias são voltados à obtenção de grãos em qualidade e em quantidade por hectare produzida. Do plantio à colheita, todos os focos são no produto final. 

Assim como qualquer outra cultura, na produção de forragem também existe um objetivo final para colheita, as folhas. Parece obvio, porém em muitas propriedades ainda é escassa a atenção e foco a este ponto de manejo. A planta possui hábito de crescimento variável conforme sua fase de desenvolvimento, e sofre forte interferência de desempenho perante condições de chuvas e potencial de nutrientes do solo. A “mão do pecuarista” no manejo dos sistemas pastoris é outra variável de real impacto no desempenho da produção pecuária; proporcionar o acesso ao melhor de uma pastagem, folhas verdes em abundância. 

As folhas verdes carregam em sua composição o que há de melhor na planta. A riqueza de conteúdo celular e digestibilidade da fibra são fundamentais para a nobreza do “alimento base” para bovinos, afinal, fibra vegetal com alto valor nutricional é a principal demanda alimentar dos ruminantes. Para se ter uma noção básica, a “folha” pode ser observada formanda por duas estruturas; pela bainha da folha (base que a “conecta” ao restante da planta) e pela lâmina foliar (maior estrutura). Basicamente falando, a lâmina foliar é a estrutura foco da pastagem, visto que ela carrega maior concentração de nutrientes e sua digestibilidade pode ultrapassar 85%. Já a bainha da folha, por ter papel estrutural, já possui uma digestibilidade menor, cerca de 60% aproximadamente. As demais partes da planta possuem digestibilidade gradativamente menor, ou seja, quanto mais folhas produzidas e consumidas, maior será a ingestão de nutrientes pelo bovino. É nas folhas que se encontram a maior concentração proteica da planta. Em termos quantitativos, saliento que quanto maior a digestibilidade da forragem, maior será seu consumo pelos animais, este fator é diretamente proporcional e, lógico, quanto maior o consumo, maior a produtividade. 

O “manejador do sistema”, tem a tarefa de proporcionar ao seu rebanho, acesso às folhas, ajustando seu manejo a isto. Esta tarefa é simples, mas geralmente não é fácil devido a muitas variáveis, como algumas citadas anteriormente. A correta semeadura, clima, piqueteamento, lotação animal, controle de pontos ideais de entrada e saída são pontos básicos da atenção. Os principais ajustes visualizados a campo, são oportunidades simples de melhoria e de fácil aplicação, basta atenção. Em forragens perenes, como exemplo a tifton, uma simples roçada de correção de estrutura de dossel forrageiro no final do inverno, proporcionará posteriormente melhor acesso às folhas, visto que esta planta tem alto poder de acumular estolões e “material morto” em situação de pouco manejo, ou de baixa lotação. O mesmo serve para outras forrageiras que por ventura passem muito do ponto, e necessitem intervenção (quando a própria lotação não consegue ajustar perfil do pasto). 

Outros inimigos do manejo são o sobre-pastejo e o sub-pastejo. Sendo que no primeiro, o excesso de lotação ou de tempo de pastejo faz com que o rebanho rebaixe muito a pastagem, atingindo estruturas da planta indesejáveis no quesito nutricional e indispensáveis para reestruturação da planta após pastoreio (rebrote). Na região sul, as forrageiras de inverno (azevém e aveia) em integração lavoura pecuária ainda sofrem muito com este problema de excesso de pastoreio, tendo seu potencial de rebrote drasticamente atingido (número de cortes). No sub-pastejo, temos sobra de forragem, a ponto de termos perdas por falta de colheita, há desperdício de folhas, perda gradativa da digestibilidade da forragem a medida que a planta cresce. Muitas vezes isto não necessariamente significa que a propriedade tem abundância de pasto, e sim um simples erro de momento de entrada nos piquetes (primeiro pastejo tardio), a ponto de que após este atraso, a recuperação do ajuste de manejo se torna difícil. A ciência de proporcionar folhas ao rebanho, reforço, embora seja simples, muitas vezes não é fácil e o “mundo ideal” deste manejo é um desafio. Ter foco no objetivo final, e conhecer os pontos de monitoramento para este resultado, são fundamentais na busca do máximo desempenho e aproveitamento de pastagens. Quanto um bom técnico e um produtor receptivo à ajustes se encontram, o resultado sempre é potencializado.

 

Rodrigo Gòrgen Chaves - Médico  Veterinário

Gerente Comercial Indústria de Rações Cotripal 

Agropecuária Cooperativa

Instagran: @rodrigochavesnutri


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