Jacto

Plantar, criar e conservar são atividades repletas de adversidades. O clima é sempre uma incógnita. A cada ano, mais imprevisível. O dia-dia de trabalho é cheio de surpresas. Um descuido pequeno pode até inviabilizar a atividade. Não bastasse isso, ser “Agro” no Brasil é muito difícil. Não são raras as decisões em esferas jurídicas que prejudicam o setor. Na legislação trabalhista, ambiental, e questão indígena têm-se exemplos corriqueiros disso.

O setor ainda sofre com as oscilações de preços. Custos e venda da produção têm valores incertos.  A princípio, nunca se sabe o quanto vai colher, nem a que preço vai vender.

Até agora, já foram elencados 4 grandes riscos: climático, de preços, operacional, jurídico.

O sucesso de um empreendimento no agronegócio depende de um gerenciamento correto desses riscos.

O risco climático é o maior determinante de todos. Sem boas condições climáticas não se tem boas safras. Quebras de safra bem como as supersafras ocasionam um impacto nos preços, e na capacidade de honrar contratos. Embora pouco utilizado, quando comparado aos demais países do mundo, o seguro agrícola é disponibilizado para agricultores. Diversas são as modalidades: as que garantem cobertura contra quebra de safra e prejuízos financeiros, ou mais simples, que garantem uma indenização contra um determinado período de veranico, ou excesso de chuva.

Para aumentar a adesão nos seguros agrícolas o governo federal disponibiliza subsídios e reembolsa parte do prêmio pago. O problema é a quantidade limitada pelo governo, Nem todos tem acesso. Quem se programa com antecedência tem mais chances.

O risco operacional é facilmente gerenciável com seguros de fácil adesão e custos baixos. O seguro empresarial protege toda a infra-estrutura, que por erros, acidentes ou clima, pode ficar comprometido. Incêndios, raios, curto circuito, acidentes contra imóveis... O seguro de auto protege todo o maquinário e implementos. É exatamente como um seguro de carro, com prêmios muito inferiores. As questões trabalhistas, ambientais e jurídicas são atendidas em seguros contra decisões judiciais. O seguro vida coletivo protege contra morte acidental e invalidez dos funcionários. Longos processos e indenizações podem ser evitadas com essa cobertura. Inclusive piloto de aviação agrícola e motorista são cobertos. Já o seguro saúde, além de dar todo o conforto a família dos sócios e funcionários, protege contra acidentes ocasionais, inclusive os causados no trabalho. Quanto maior o número de funcionários, de instalações e infra-estrutura, maior o risco operacional!       

Com relação às oscilações de preços, já é uma prática antiga, entre produtores rurais e na outra ponta, cerealistas, indústrias de ração, exportadores e afins, o uso dos contratos futuros com compromisso de entrega de mercadoria, os contratos futuros a termo. Ocorre que ambas partes, ao fazerem isso, se arriscam ao não cumprimento do contrato. Se der seca, por exemplo, o produtor pode não ter o grão para entregar, e o comprador ficará sem a mercadoria. Como é comum nesses contratos, o preço é determinado na confecção do contrato. Havendo mudanças de preços, uma das partes será prejudicada.

Para aqueles preferem os contratos a termo, o risco de não cumprimento do contrato pode ser feito por seguro de crédito e seguro garantia. Quem tem direitos a receber, em dinheiro ou mercadoria, contrata um seguro contra inadimplência. O seguro agrícola, também protege os envolvidos, se as indenizações forem alocadas nessa finalidade. O risco de crédito é portanto o quinto risco elencado. Ele também se aplica para o caso do comprador nos contratos a termo, não pagar o prometido. Se os preços caírem, que pagar caro vai fazer a contra gosto! Esse risco também é mitigado pelos seguros de crédito. São muito mais confiáveis do que as decisões judiciais sobre esses “contratos de gavetas”.

Por fim, os riscos de preço são gerenciados por mecanismos muito sofisticados e ágeis. A utilização da Bolsa de Valores é uma estratégia fundamental para mitigar, ao mesmo tempo os riscos de preços, risco de crédito, climático e operacional. Simplesmente porque, pela Bolsa, não se tem exigência de entrega física de mercadoria. Tudo o que comprometer a capacidade de produção do empresário, não afetará o resultado da proteção na Bolsa. Se garante a proteção dos preços, de venda da mercadoria, e dos custos de produção, ao mesmo tempo em que não se assume riscos de produção.

Que agropecuarista nunca sofreu perdas de receitas em função de quedas de preços de produtos agrícolas. Produtores de soja, milho, algodão, criadores de boi, e afins. Quem nunca teve seus produtos comercializados bem abaixo do esperado? Aqueles que são mais dolarizados, quem nunca sofreu um baque devido a variação do dólar? Os que se endividaram em dólar, simplesmente “quebraram”, em momentos de alta da cotação. E aqueles que tinham recebíveis em dólar (exportadores, por exemplo), tiveram quedas gigantescas de receita, em função das quedas da cotação.

Por isso, bem melhor do que os contratos a termo, são os travamento de preços de Bolsa de Valores. Existem duas modalidades, 1) os contratos futuros, e 2) as opções. Nos contratos futuros se “trava um preço” para um determinado vencimento. A partir daí ter-se-á, apenas ajustes diários, positivos, se a operação for a favor, ou negativos. Uma vantagem são os valores menores de investimentos, apenas uma fração do total a se proteger, uma “margem”, geralmente, 10% do montante do contrato. Os ajustes diários negativos, se houverem, como a operação é um hedge, uma proteção financeira para um ativo físico, a perda no mercado futuro apenas anula o ganho no físico, mantendo o financeiro estável.

Nas opções sobre futuros, na quais também não  tem compromisso de entrega de mercadoria, bem como não há ajustes diários.  Por eles, tem-se a chance ganhar na mercadoria física, ou assegurar uma receita mínima, caso os preços se fiquem desinteressantes. O ganho em um mercado não elimina o do outro. É, sem dúvida, a melhor opção para seguro de preços agropecuários, e a melhor opção como forma de garantia de receita (mínima). Para se ter essa proteção contra o risco de queda (ou risco de alta se for o caso), para-se um prêmio. Exatamente como um um seguro. Faz-se, na prática, um seguro de preços.

Um exemplo de utilização de opções é um produtor rural: no início do plantio, compra o seguro de preço da mercadoria. Em caso de queda do preço, o mesmo será indenizado pela Bolsa por esta queda, mantendo o preço desejado. No entanto, em caso de alta dos preços, o produtor perde o que pagou de prêmio de seguro dos preços, mas participa de toda a alta no mercado físico. Proteção financeira com possibilidades de lucro maior.

Sabendo de todos esses riscos, vale a pena assumi-los com a cara e a coragem? 

Artigo publicado na edição de Julho/17

Maurillo Marcondes Lários Naves, é engenheiro agrônomo. Especialista em finanças e commodities. Atua na Ouro Investimentos como assessor de investimentos e editor do Agroinvesting.


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