Jacto

Nos dias atuais muito se comenta sobre a importância da gestão e do planejamento das atividades agropecuárias e surge a dúvida, por que são poucos produtores que adotam na prática?

            A gestão nada mais é do que administrar a propriedade rural a fim de alcançar os objetivos pré-estabelecidos. Inicialmente é necessário conhecer a atual situação da empresa agrícola, sendo feito através do diagnóstico e da análise dos resultados produtivos, econômicos e patrimoniais (MARTINES FILHO et al. 2007). Sendo possível a visualização dos problemas, pontos fracos e fortes, buscando os melhores caminhos para solucionar os problemas e prosseguir em busca dos objetivos estabelecidos.

            Após a definição dos objetivos e possuindo em mãos o diagnóstico produtivo, econômico e patrimonial é necessário realizar o PLANEJAMENTO e então executar o plano para alcançar os objetivos traçados. Salientando que dependendo das metas podem ser dividas em curto, médio e longo prazo. Por isso a gestão é considerada um processo circular e dinâmico, pois é constante o processo de avaliação e análise observando se os passos para se chegar aos objetivos estão sendo seguidos corretamente ou se é necessário a mudança de estratégia. Na agropecuária é comum este tipo de situação já que estamos expostos a diversos riscos sendo eles: climáticos, financeiros, econômicos ou de mercado. 


          Após a explanação sobre gestão e planejamento agropecuário, voltamos a pergunta inicial. Por que são poucos os produtores que adotam a gestão em suas propriedades? Muitos alegam que sabem quanto gastam para produzir e qual a rentabilidade gerada, mas quando perguntados qual é o retorno econômico gerado respondem que gastaram “x” na produção e receberam “y” na venda, gerando um lucro “z”, porém não levam em consideração os custos fixos da produção, os quais incluem impostos, depreciação de máquinas e imóveis, parcelas fixas de financiamentos, ou seja, os custos que independente se houve ou não produção precisam ser pagos. Sendo assim a maioria dos produtores levam em consideração somente os custos variáveis da produção agropecuária que são os insumos, mão-de-obra temporária, hora máquina, etc, os quais só vão existir quando houver produção.

            O diferencial dos produtores que sabem qual o real custo da produção e a renda líquida, conseguem identificar quando está ocorrendo alguma alteração em seu sistema produtivo pois se o custo de produção está muito alto se torna mais fácil localizar onde está o possível problema e qual a melhor solução para resolve-lo, ganhando tempo e dinheiro. Quando falamos de grandes culturas não possuímos controle sobre o preço de venda e preço de compra de insumos mas possuímos domínio na redução custos a fim de aumentar o lucro e é essa a ideia que devemos manter em mente: REDUÇÃO DE CUSTOS!

Figura 1. Processo de Gestão (MARTINES FILHO et al. 2007)

            A falta de planejamento também é algo notório no campo, como por exemplo, quando perguntado qual será a cultura escolhida para próxima safra muitos não tem nada planejado ainda, ou seja, estão com culturas de inverno à campo com previsão de colheita estabelecida mas ainda não pararam para pensar qual a próxima cultura a ser implantada e muito menos se vão optar pela safrinha ou aguardar a safra de inverno. O planejamento é a chave do sucesso, é necessário ter esse cronograma em mente e no papel, pois irá favorecer negociações, escolha de cultivares adaptadas as devidas datas de plantio, planejamento do sistema de rotação de culturas, optando por culturas que possuem boas perspectivas de mercado através de estudos da cadeia produtiva e processos comerciais, trazendo benefícios aos produtores rurais.

            Outra justificativa é o aspecto cultural, na maioria dos casos vieram de famílias que não possuíam hábitos de anotações, programação e nem planejamento, estão acostumados neste sistema de produção agropecuária, muitas vezes com receio de mudar ou talvez de saber a verdade. Se faz necessário começar a enxergar a propriedade como um empreendimento rural, que é deste meio que saí o sustento da família e a geração de renda, desta maneira é possível extrair o máximo das propriedades, de forma sustentável e trabalhando com eficácia a fim de alcançar os objetivos traçados.

            Com a mudança atual no cenário econômico para se tornar competitivo no mercado é necessário essa mudança de visão, saindo de uma propriedade familiar que buscava o auto sustento para um empreendimento agropecuário que visa a geração de renda para a família. Buscar sempre melhorar o sistema produtivo se faz necessário para isso os profissionais estão disponíveis para auxiliarem os produtores na administração e planejamento do empreendimento agropecuários. O importante é começar e não desistir, aos poucos os resultados vão sendo construídos e o incentivo a prosseguir vai aumentando.

Artigo publicado na edição de Março/18

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

einsfeld.viviann@gmail.com

Imagem: Google


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