Versão Online

O Brasil tem o 5º maior território e a 5ª maior população do planeta. Ainda assim, o país precisou se afundar na mais grave crise econômica e moral de sua história para descobrir o óbvio: somos uma potência do agronegócio internacional. Há décadas, recordes constantes em produção, produtividade e exportações agropecuárias fazem parte da nossa rotina de produtores rurais. Levantamentos desvendam a cada dia a nossa grandeza, que até pouco tempo era desconhecida para boa parte da população.

 

Hoje, a imprensa e os brasileiros passaram a se interessar pelo setor, que se manteve sólido mesmo nos momentos mais críticos. Graças a essa força, fazemos hoje parte de um marco histórico. Todos os dias surgem novos veículos de imprensa especializados e analistas setoriais que nos dão visibilidade. Acompanhamos matérias sobre tecnologia, geração de empregos, pesquisa, exportação e assuntos que até então, aos olhos de muitos, pareciam nada ter a ver com o homem do campo.

 

Está clara a noção de que para que se tenha comida a um preço acessível, temos uma série de engrenagens que precisam funcionar em harmonia. Também é evidente que o setor dependerá cada vez mais do uso de tecnologia e de liderança, tanto na iniciativa privada quanto por parte do poder público. Sim, nós dependemos diretamente de decisões políticas para seguirmos viáveis e competitivos.

 

Alguns exemplos estão em instrumentos jurídicos recentes, como: Lei da Integração, Lei da Terceirização, Reforma da Legislação Trabalhista e Ações Diretas de Inconstitucionalidade, ajuizadas no Supremo Tribunal Federal (STF), que questionam dispositivos do novo Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/12). Todas são normas que afetam diretamente o cotidiano do produtor rural, que sozinho não tem a força política para questionar, debater ou argumentar.

 

Essas mudanças constantes, aliadas à nossa maior visibilidade, exigem respostas rápidas e contundentes. E isso se consegue com entidades com força para defender os interesses de quem produz. A atividade é complexa e nem sempre quem está de fora tem o conhecimento necessário para decidir. Cabe a nós subsidiar políticos, juízes, promotores, e quem mais tenha o poder de decisão, com informações para avaliações justas. O que nos leva a um ponto importante.

 

É verdade que a contribuição sindical não é mais obrigatória, mas isso não significa que ela seja desnecessária. No caso da Lei da Integração, fomos nós que demonstramos como é imprescindível trazer um ponto de equilíbrio nas negociações entre integrados e integradores. Na reforma trabalhista, deixamos claro que a realidade do campo é diferente da cidade. E no Código Florestal trabalhamos para chegar ao melhor consenso que se conseguiu entre produção e preservação, apenas para citar alguns exemplos.

 

Lá fora, na maioria dos países com vocação agrícola, a contribuição não é obrigatória. Ainda assim, os sindicatos são muito mais clamorosos do que aqui. É claro: temos que separar o joio do trigo e deixar claro que estamos falando das entidades sérias e idôneas.

O agronegócio não vive solitário numa ilha de prosperidade, é evidente que somos afetados pelos problemas que ocorrem não somente no Brasil como no mundo. Mas estamos em um momento único da nossa história.

Mostramos a todos nossa existência e nosso papel crucial de alimentar o mundo e gerar riquezas mesmo em momentos de crise. Agora, precisamos usar isso a nosso favor.

 

Temos que ser estratégicos, o que vai acontecer com uma organização ainda mais efetiva. Só assim vamos nos fortalecer ainda mais e perpetuar essa visão de que somos grandes e temos grandes responsabilidades.

 

Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR


Este conteúdo é de uso exclusivo, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem a prévia autorização do mesmo.




Deixe seu comentário

Facebook

Oro Agri