Jacto

Um dos grandes problemas enfrentados pelos produtores de leite no sistema de confinamento é o gerenciamento dos resíduos produzidos pelos animais. O aproveitamento de todos os recursos disponíveis dentro da propriedade aumenta a estabilidade dos sistemas de produção, maximiza a eficiência, reduz custos e melhora a produtividade (Embrapa, s.d). 

Na fazenda Cinnamon Ridge todo os dejetos gerado pelos animais são destinados para fertilização na lavoura. O barracão das novilhas e vacas secas é composto por pequenos reservatórios localizadas na extremidade dos corredores, os quais necessitam ser esgotados semanalmente, como o esterco está em sua forma sólida o método adotado para tal finalidade é o mesmo utilizado no Brasil, aplicação em cobertura com o auxílio do Lancer. Enquanto que os dejetos gerados nos barracões das vacas em lactação são direcionados para uma grande esterqueira com capacidade de sete milhões de litros,  essa é esgotada totalmente na entrada do inverno aumentando sua capacidade de armazenamento e na primavera é evacuada parcialmente (Figura 1). O método adotado para tal finalidade é chamado de “Umbilical Manure System” ou “Sistema de Esterco Umbilical”.  

Esse sistema consiste em bombear o dejeto líquido da unidade armazenadora utilizando uma motobomba de alta pressão, através de uma tubulação até uma unidade de aplicação acoplada ao trator, este será responsável pela incorporação do dejeto líquido na lavoura (Figura 2 e 3). O sistema no implemento é similar ao de uma semeadora, sendo composto por dois discos de cortes frontais responsáveis pela abertura no solo, uma pequena mangueira entre os discos responsável deposição do produto e o último disco que desempenha a função de cobertura (Figura 4).

Existem nos Estados Unidos companhias especializadas em desenvolver esse tipo de atividade. Especificamente o implemento que desempenhou a tarefa na fazenda possuía 13,7m de barra onde estavam distribuídas 17 linhas espaçadas com 0,8m entre si, enquanto a distância que poderia ser aplicado era correspondente à 8.000m de raio da esterqueira. A vazão do equipamento era de 7.570 litros por minutos e na oportunidade foram aplicados 2 milhões de litros em 12 hectares, sendo equivalente à 16L por metro quadrado ou 160.000L por hectare. O custo de aplicação foi de $6,25 a cada 1.000L injetados, isso totalizou um montante de $1.040,00 por hectare. 

Como principais vantagens desse sistema podemos citar a drástica diminuição das horas de serviço, potencial de escoamento superficial reduzido e principalmente a menor compactação do solo, porém se torna necessário o cuidado com a quantidade aplicada e momento da aplicação pois quando o solo apresentar baixo teor de umidade a absorção será maior evitando escoamento e consequentemente a poluição do meio-ambiente (SlurryKat, s.d.). John relata que a definição da quantidade a ser aplicada e o intervalo de tempo é variável conforme o resultado da análise do solo e dejeto e também a produtividade esperada da cultura. Salientasse que nos Estados Unidos a decomposição do material orgânico é mais lenta devido as baixas temperaturas.  

Inúmeras são as vantagens da utilização da adubação orgânica podendo citar: melhoria da estrutura, aeração e drenagem do solo, elevação da CTC e matéria orgânica, aumento dos microrganismos úteis e benefícios em longo prazo pois o fornecimento de nutrientes para as plantas ocorrerá lentamente prolongando os efeitos da adubação. O problema com o subproduto gerado no confinamento está sendo resolvido quando esse material vira fornecedor de nutrientes para a produção de alimentos e melhorador de condição física, química e biológica do solo porém quando utilizado de forma errônea acaba sendo agressivo e contaminante ao meio-ambiente e assim poderá gerar outro problema ainda maior.  

No quesito correção, fertilidade e adubação dos solos os americanos estão avançados quando comparado aos brasileiros mas nós possuímos potencial para fazer igual ou então melhor. Enquanto nós estamos preocupados em suprir as necessidades das plantas com adubação química, eles estão solucionando os problemas com a adubação orgânica, um detalhe que comprova isso é a produção de suínos da fazenda, as instalações são nas áreas distantes da sede, a criação dos animais é terceirizada e o único objetivo do John com o a suinocultura é a utilização dos dejetos na lavoura.

Gostaria em especial nessa matéria de fazer um chamado aos produtores e profissionais da área, vamos começar a pensar no solo como um organismo vivo que precisa ser cuidado e não somente explorado. Vamos investir em correção, depois vamos trabalhar com a fertilidade, essa de origem orgânica que pode ser suplementada com a química, e por fim pensar em estruturação, tenho absoluta certeza que o investimento no solo terá retorno. Não é um trabalho que será realizado do dia para noite, requer anos para a reconstrução, sei que na teoria é fácil e na prática a realidade é outra mas se ninguém se propor a arriscar vamos ficar sempre estagnados na mesma situação. 

 

Artigo publicado na edição de julho/17

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

Estagiária Cinnamon Ridge Farms e Madden Ag Services (Pioneer)

einsfeld.viviann@gmail.com

Figura 1: Esterqueira das vacas lactantes (Google Earth)  - Figura 2: Motobomba de alta pressão 
Figura 3: Incorporação do dejeto líquido na lavoura  -  Figura 4: Implemento responsável pela incorporação 


Este conteúdo é de uso exclusivo, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem a prévia autorização do mesmo.




Deixe seu comentário

Matsuda
Safeeds

Facebook

Biotrigo
Bonetti Agronutri
Oro Agri
Cresol
Dispec
Vencofarma
Rehagro
Agral