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Um dos grandes desafios do produtor de silagem é a busca de produtividade, aliada à qualidade do material colhido. Ambas dependem de uma série de fatores. Dentre eles, pode ser citada a adequada correção do solo e o manejo da adubação, a escolha do híbrido, a qualidade da implantação e o manejo da cultura (ervas, pragas e doenças). Além disso, de nada adianta atender a esses fatores se a ensilagem não for realizada na época correta e se não houver uma a boa qualidade de compactação e tamanho das partículas, entre outros aspectos.

De todos os fatores mencionados, os quesitos correção do solo e adubação talvez sejam os maiores responsáveis por ganhos de produtividade quando um bom manejo da cultura é realizado. Porém, se tratam do maior percentual do custo do produto colhido quando se fala em milho destinado à silagem. Nos últimos anos, o custo relacionado a esses itens ficava por volta de 35 a 45% do total do material ensilado. Com a grande arrancada dos preços dos fertilizantes ocorrida em 2008, a participação desses itens superou mais de 50% em muitos casos, o que aumentou muito o desafio do produtor.

Diante dessa situação, muitos produtores do país reduziram o nível de tecnologia, aplicando menos fertilizantes. Outros reduziram a área plantada e alguns deixaram de plantar. Por outro lado, um pequeno grupo conseguiu reduzir os níveis de fertilizantes, principalmente cloreto de potássio, e de corretivos (calcário e gesso). Isso, sem reduzir o nível tecnológico, utilizando uma grande ferramenta: A agricultura de precisão. Essa ferramenta pode reduzir os custos com insumos e aumentar produtividade.

O que é a agricultura de precisão?

De forma muito simplificada, a agricultura de precisão é uma ferramenta que se baseia na avaliação da variabilidade espacial, ou seja, das diferenças existentes nas glebas quanto à fertilidade do solo, produtividade, etc.

Depois de detectadas as diferenças dentro das glebas, as mesmas serão corrigidas de forma pontual. Assim, as amostragens de terra são realizadas de forma georeferenciada. Posteriormente, são elaborados os mapas de fertilidade do solo para cada nutriente. As correções somente serão realizadas onde for necessário, trabalhando com doses variadas de nutrientes dentro da mesma gleba e corrigindo somente onde for necessário.

Com isso, há uma redução de custos, pois os corretivos, geralmente, não são aplicados em toda a gleba e as doses são definidas para cada local particular. A operação tem o nome de aplicação a taxas variáveis. Essa operação deixa a gleba mais uniforme, com a possibilidade de reduzir os locais em que a cultura não produz bem devido aos problemas de fertilidade do solo.

Passos para se fazer a amostragem de terra

O primeiro passo é a contratação de um profissional habilitado a fazer trabalho descrito a seguir.

Este profissional fará o Georefenciamento da área, que é realizado com um quadriciclo equipado com GPS, computador de bordo e programa específico, que percorre o perímetro da gleba, obtendo então sua área georefenciada.

O grid de amostragem, ou tamanho da malha de amostragem, é determinado em função dos históricos de produtividade e fertilidade, do relevo e características próprias do terreno a ser amostrado. Geralmente, se trabalha com grids de 1 a 5 hectares. Na prática, se o produtor possui uma área de 30 hectares e for trabalhar com um grid de 2 hectares, ele fará com que essa área seja “transformada em 15 subáreas de 2 hectares cada”. Dentro de cada grid, geralmente, são retiradas 10 amostras simples, para compor a amostra a ser analisada no laboratório.

Com um grid amostral menor se obtém melhor detalhamento da fertilidade do solo, dando mais segurança aos responsáveis nas tomadas de decisões. No entanto, quanto menor o grid, maior será o custo. O custo da amostragem é variável por região e por tamanho do grid amostral. Na última safra, variou na Região Sul/Sudeste do Brasil entre R$30,00 a R$60,00 por hectare, incluindo as análises de laboratório.

Figura 2.Exemplo de uma área georeferenciada com os pontos representados no mapa. Cada ponto representará a média de 10 amostras simples. Fonte: RC – Serviços e consultoria agronômica em agricultura de precisão.

Após as amostragens de terra e suas respectivas análises, são elaborados os mapas de fertilidade a partir da combinação das coordenadas geográficas, obtidas com o quadriciclo e os resultados das análises de solo. Posteriormente, são elaborados os mapas de aplicações, visando às correções de solo onde for necessário. Assim, em uma mesma gleba são encontradas várias doses de um mesmo fertilizante.

Veja a seguir exemplos de campo de áreas amostradas com o uso de agricultura de precisão. O primeiro mapa (Figura 3) é do teor de potássio de uma gleba da Fazenda Santo Antônio, localizada em Matosinhos, que é considerada uma das regiões de terras mais férteis de Minas Gerais. Mesmo nessa condição, foi possível observar variações nos teores do nutriente no solo. Como muitas glebas do produtor são destinadas à produção de silagem, com alta retirada de potássio do solo, essa informação foi extremamente importante para que o produtor pudesse reduzir as doses do nutriente a serem aplicadas, com maior homogeneização em toda a gleba, sem riscos de baixar produtividade.

No mapa seguinte (Figura 4), é apresentada a variação da saturação por bases (V%) de um solo da Fazenda Massambará, localizada em Pains, MG. Da mesma forma, também se trata de uma região de solos muito férteis e, mesmo assim, é possível encontrar grandes variações no solo, que não seriam detectadas com a amostragem convencional.

Como base na V% é que são definidas as dosagens de calcário. Assim, se fosse realizada a amostragem convencional haveria o risco de ainda se recomendar calcário na área. Conforme pode ser visto no mapa, existem pontos em que a V% já se encontra muito elevada (acima de 70%). Dessa forma, se o produtor aplicasse o calcário, estaria perdendo dinheiro e poderia comprometer a gleba pelo aumento exagerado da V% em alguns locais com desbalanços, principalmente de micronutrientes.

Figura 3.

Mapas dos teores de potássio do solo de uma gleba de 42 ha da Fazenda Santo Antônio, Matosinhos, MG (grid de 2 ha). Fonte: RC – Serviços e consultoria agronômica em agricultura de precisão.

Após a elaboração dos mapas de aplicação, as distribuições são feitas no campo a taxas variáveis. Os mapas são inseridos no computador de bordo do trator aplicador, onde é feita a leitura da quantidade e localização exata do ponto em que os corretivos e/ou fertilizantes serão aplicados em cada gleba identificada pelo sistema, de acordo com a sua real necessidade.

Além da vantagem da aplicação a taxas variáveis, não há sobreposições indesejáveis de produtos ou faixas sem aplicações, pois o trator é dotado de GPS. Essas aplicações, geralmente, são realizadas por terceiros. Na região central de Minas Gerais, cada nutriente aplicado (calcário, gesso, fósforo ou potássio), custou por volta de R$30,00 /hectare na safra que se inicia (2008-2009).

Dessa forma, o uso da agricultura de precisão é mais uma ferramenta que o produtor de silagem tem em mãos para minimizar os custos com as correções e adubações do solo e ao mesmo tempo manter o equilíbrio nutricional de suas áreas produtoras para as próximas safras.

Artigo publicado na edição de Março/17

Escrito por equipe Rehagro

Figura 1.Quadriciclo, equipado com GPS, computador de bordo e dotado com amostrador próprio. Fonte: RC – Serviços e consultoria agronômica em agricultura de precisão.


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