Jacto

Por Ricardo Zanata*

Os termos áreas classificadas e atmosferas explosivas estão cada vez mais presentes quando falamos em unidades agrícolas que movimentam e processam granéis sólidos de forma geral. Estes termos estão bem definidos em indústrias dos segmentos de óleo e gás, como refinarias, plataformas e indústrias químicas, que atuam com produtos derivados do petróleo ainda em estado líquido ou gasoso, devido ao risco potencial de explosão.

Na agroindústria, contudo, ainda há dúvidas sobre este assunto. Se tratando de um tema amplo e que requer um detalhamento das várias etapas para um entendimento, abordamos neste artigo onde estão presentes e como são classificadas as áreas de uma planta segundo o risco potencial de gerar uma explosão na agroindústria.

Na agroindústria, temos substâncias inflamáveis nas condições de poeiras combustíveis, como poeira de soja, milho, açúcar, cevada, malte entre outras. Estas estão mais presentes em regiões portuárias, indústrias de armazenagem e no processamento de graneis sólidos.

Segundo a “ABNT NBR/IEC 60079-10-2:2016 – Atmosferas explosivas de poeiras”, norma utilizada para realizar o estudo de classificação de áreas, uma atmosfera explosiva seria quando há a mistura com o ar, sob condições atmosféricas, de substâncias combustíveis, na forma de poeira, as quais, após a ignição, permitem uma propagação autossustentada. As poeiras e os combustíveis são classificados em: fibras, poeiras não condutivas de eletricidade e poeiras condutivas de eletricidade.

Já quando abordamos substâncias inflamáveis nas condições de gases e vapores devemos utilizar a norma “ABNT NBR/IEC 60079-10-1:2018 – Atmosferas explosivas de gás”, na qual uma atmosfera explosiva é definida pela mistura com o ar, sob condições atmosféricas, de substâncias inflamáveis, na forma de gás ou vapor, que, após a ignição, permite a autossustentação de propagação de chama.

Vale lembrar que estas substâncias têm propriedades físico-químicas relacionadas com a inflamabilidade, tais como densidade específica, temperatura de autoignição, ponto de fulgor, limite inferior de explosividade (LIE) e limites superior de explosividade (LSE), e devem ser avaliadas durante a realização dos estudos de classificação das áreas com potencial riscos de explosão.

Tendo como base estas definições, é possível classificar e identificar os locais com riscos potencias de explosões, também conhecido como estudo de classificação de área – conjunto de documentos que irá definir quais são e onde estão presentes estas substâncias inflamáveis, indicando em um desenho de planta e corte os locais com potencial risco de explosões seguindo os requisitos das normas.

De posse deste estudo é possível especificar equipamentos elétricos que têm proteções elétricas especiais, devidamente certificados, conhecidos como produtos com proteção Ex, que seguem os critérios estabelecidos na norma ABNT NBR/IEC 60079-14.

A apresentação da classificação de área é composta basicamente por três itens:

Definição das Zonas:

Zonas 0, 1 e 2 para área classificada com presença de gases e vapores inflamáveis;
Zonas 20, 21 e 22 para áreas classificadas com presença de poeiras combustíveis.

Definição dos Grupos:

I – Minas de Carvão;
II – Gases inflamáveis, separados em 3 grupos sendo: IIA, IIB e IIC;
III – Poeiras combustíveis, separadas em 3 grupos sendo: IIIA, IIIB, IIIC.

Classe de Temperatura:

Para gases e vapores inflamáveis classificadas em:

T1, T2, T3, T4, T5 e T6.

Para poeiras combustíveis:

Com valores expressos diretamente em ºC.

Abaixo são apresentadas as definições das zonas.

Classificação de áreas com base na frequência da ocorrência e duração de uma atmosfera explosiva de gás (ABNT NBR/IEC 60079-10-1)

Zona 0: área em que uma atmosfera explosiva de gás está presente continuamente ou por longos períodos ou frequentemente.

Zona 1: área em que é provável que uma atmosfera explosiva de gás ocorra periodicamente ou eventualmente em condições normais de operação.

Zona 2: área em que não é provável que uma atmosfera explosiva de gás ocorra em condições normais de operação de operação, mas, se ocorrer, irá existir somente por um curto período.

Classificação de áreas com base na frequência da ocorrência e duração de uma atmosfera explosiva de poeira (ABNT NBR/IEC 60079-10-2)

Zona 20: local no qual uma atmosfera explosiva de poeira, na forma de nuvem de poeira no ar, está presente continuamente, por longos períodos ou frequentemente.

Zona 21: local no qual uma atmosfera explosiva de poeira, na forma de nuvem de poeira no ar, é provável de ocorrer ocasionalmente em condições normais de operação.

Zona 22: local no qual uma atmosfera explosiva de poeira, na forma de nuvem de poeira no ar, não é provável de ocorrer sob condições normais de operação, mas, se ocorrer, irá persistir por um curto período.

Referências técnicas:

ABNT NBR/IEC 60079-10-1:2018

Atmosferas de poeiras explosivas de Gás

Parte 10-1: Classificação de áreas

ABNT NBR/IEC 60079-10-2:2016

Atmosferas de poeiras explosivas

Parte 10-2: Classificação de áreas de poeira 

ABNT NBR/IEC 60079-14:2016

Atmosferas de poeiras explosivas

Parte 14: Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas.

 

*Ricardo Zanata é engenheiro e promotor especialista de produtos Ex da Schmersal


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