Jacto

O solo é responsável por fornecer sustentação e substrato para o desenvolvimento de vidas nos diferentes ecossistemas. Quando falamos em produção agrícola é de suma importância que este esteja em equilíbrio nutricional, ou seja, os nutrientes que darão aporte a cultura estejam em níveis adequados conforme sua exigência. Se o nutriente estiver em menor concentração resultará em um efeito limitante no crescimento e produção da planta, chamado de “Lei do Mínimo”, caso esteja em excesso a produtividade crescerá até se tornar nula pois já expressou o máximo potencial genético da cultivar quando as demais condições são favoráveis, podendo se tornar prejudicial, chamada “Lei do Máximo”.      

Mas partimos do pressuposto que para alcançarmos o equilíbrio nutricional do solo é necessário que o pH esteja adequado com a exigência da cultura. O potencial  hidrogeniônico (pH) do solo vai de uma escala entre 0-14, sendo 7 considerado neutro, acima de 7 alcalino e abaixo de 7 ácido, a maioria das culturas exigem  pH entre 5,5-6,5, como é o caso da soja, milho e trigo (Nutrição de Safras, s.d). A disponibilidade de nutrientes no solo está estreitamente relacionada com os valores de pH, sendo a faixa ideal e de facilitada absorção pelas plantas está entre 6,0-7,0.     

O solo se torna ácido quando há excesso de alumínio (Al+3) e hidrogênio (H+) ou ocorre deficiência de cálcio (Ca) e magnésio (Mg), o motivo para estas ocorrências é relacionado com diversos fatores: material de origem ser pobre em bases, de forma natural através da dissociação do gás carbônico e o uso indiscriminado de fertilizantes químicos (sobretudo os amoniacais e a úreia) que liberam H+ durante sua transformação no solo (Souza, s.d; Lopes, et al, 1991).  O aumento da concentração de Al+3 pode causar toxidez as plantas, retardando o crescimento radicular, engrossando as raízes e estas não se ramificam normalmente.    

Monitorar a química do solo é imprescindível, por tanto, a análise de solo deve ser feita a cada dois anos pois através dela será possível recomendar doses adequadas de calcário e fertilizante. Antes de iniciar a coleta é importante definir e identificar as glebas para a amostragem, visto que estas serão definitivas e assim permitirá a comparação no decorrer dos anos. Estas devem ser compostas no máximo por 20 ha cada.     

A coleta de solo deve ser realizada a cada 2-3 anos e preferencialmente após a colheita das culturas  pois assim o fertilizante utilizado durante a safra não irá interferir nos valores da análise, geralmente esta ocorre nos primeiros 20 cm de solo, onde ocorre a maior presença do sistema radicular e disponibilidade de nutrientes. A recomendação é que seja coletado 20 subamostras em cada gleba, as quais serão homogeneizadas e retirada uma amostra de aproximadamente 300 g que será enviada ao laboratório devidamente identificada (Souza, s.d).      

A interpretação da análise e determinação da quantidade de calcário pode ser feita por diferentes métodos, sendo estes aplicados em estados distintos. A neutralização do alumínio é muito aplicada em regiões de Cerrado, solução tampão SMP é adotada nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e a saturação por bases é utilizada pelos estados do Paraná e São Paulo (Lopes, et al, 1991). A recomendação é que a interpretação da análise de solo seja realizada por um profissional qualificado.     

Os corretivos de acidez de solo utilizados no Brasil são oriundos da moagem de rochas calcáricas chamado de calcário, este é composto por carbonato de cálcio (CaCO3) e/ou de magnésio (MgCO3). Sendo que os mais comuns utilizados na agricultura são denominados calcíticos, dolomíticos e magnesianos, o que muda entre estes é a concentração do magnésio. Quando apresenta menos que 10% de MgCO3 é classificado como calcítico, de 10-25% de MgCO3 é classificado como magnesiano e acima de 25% MgCO3 é tido como dolomítico (Alcarde, 2005). Dependendo da relação Ca:Mg indicada na análise será a recomendação por um ou outro tipo de calcário.     

O Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT) depende do poder de neutralização (PN) e da reatividade (RE), sendo que quanto maior o PRNT mais rápido e efetivo o corretivo será. A equação resultante quando aplicado o calcário no solo é a seguinte: CaCO3 + 2H2O = Ca (OH)2 + H2CO3, explicando resumidamente, quando o carbonato de cálcio entra em contato com a água irá liberar hidróxido de cálcio, onde o cálcio irá substituir o H+ absorvido nos colóides do solo neutralizando a acidez, enquanto o ácido carbônico formado irá liberar H+, porém há mais cálcio do que H+ e assim será rapidamente neutralizado (Nutrição de Safras, s.d). Com a elevação do pH do solo o Al+3 irá diminuir sua toxidade.     

O corretivo deve ser distribuído na área três meses antes do plantio para que consiga ter reação no solo até a entrada da cultura. Quantidade acima de 5 t/ha de calcário é recomendado dividir em duas doses, uma em cada ano, e não aplicar de uma só vez. A incorporação pode ser feita através da utilização de grade e/ou arado, salientasse que em áreas de plantio direto não se incorpora e a aplicação deve ser de no máximo 2 t/ha por vez até completar a dose recomendada em intervalos de um cultivo para o outro (Lopes, et al, 2002).     

O cuidado com o solo é de suma importância para o desenvolvimento da cultura. A calagem quando realizada corretamente eleva o pH do solo, fornece Ca e Mg como fonte de nutrientes, diminui da toxidade do Al+3, aumenta a disponibilidade dos nutrientes e assim a eficiência dos fertilizantes, melhora a microbiota do solo e o resultado será a elevação na produtividade (Lopes, et al, 2002). Dessa maneira é possível observar os inúmeros benefícios que a calagem possui, porém destaca-se que esta é um corretivo de acidez do solo e não de fertilidade. 

Artigo publicado na edição de Março/17


Viviann Y. Einsfeld
Engenheira Agrônoma
einsfeld.viviann@gmail.com

Foto: Barbosa, 2014


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