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Uma das principais pragas que ocasionam grandes prejuízos na cultura da soja são os percevejos, os quais pertencem à ordem Hemiptera. Estes insetos apresentam aparelho bucal classificado como sugadores, alimentando-se da seiva das plantas, podendo atacar diretamente os grãos da soja. Afetando assim a qualidade e rendimento da cultura, pois as lesões oriunda da inserção do aparelho bucal causará deformações nos grãos e no momento do enchimento irá acarretar em perda de peso. Além da ocorrência da retenção foliar a qual dificultará a colheita.

Além de prejuízos à campo, estes podem acarretar em perdas durante a armazenagem. Com o rompimento do tegumento que protege o grão, permite que a troca de água com o meio seja mais intensa, aumentando a taxa de respiração e favorecendo a entrada de patógenos que poderá resultar na degradação, prejudicando a massa de grão armazenada.

Entre as espécies de percevejos-pragas da cultura da soja, merece destaque quatro: o verde (Nezara viridula), o marrom (Euschistus heros), barriga-verde (Dichelops furcatus) e o pequeno (Piezodorus guildinii).

O percevejo-marrom é a espécie que possui maior importância e incidência nas lavouras, especialmente em regiões mais quentes. A duração média de ovo até adulto é de aproximadamente 30 dias, enquanto o ínstar de adulto pode apresentar longevidade de 50 até 110 dias. Os danos aos grãos e vagens podem começar a ocorrer a partir do 3° ínstar. Este apresenta um comportamento biológico diferente dos demais pois durante o outono acumula lipídios e entra em oligopausa (tipo dormente), onde permanece sob folhas e palhada até o verão, onde irá completar seu ciclo reprodutivo, podendo completar até três gerações na cultura da soja. (Weber, 1999; Panizzi,S.D.).

A identificação dos percevejos é importante para definir nível de infestação e momento de controle. A definição pode ser feita através do auxílio do pano-de-batida, que consiste em retirar amostragens da área a fim de definir momento da intervenção humana, onde os custos resultantes dos danos causados pelos insetos são maiores do que os métodos de controle. Este se dá quando a população é maior ou igual a dois percevejos por pano de batida em lavouras para a produção de grãos. Recomendasse que o monitoramento tenha início na fase reprodutiva pois poderá ocorrer uma antecipação de aplicação caso a população esteja muito elevada (Detomasi, 2015). Saliento que durante a fase vegetativa os cuidados devem ser constantes a fim de evitar altas densidades populacionais na fase reprodutiva, o que venha a dificultar o controle. 

Diferentes métodos de controle estão disponíveis no mercado atualmente. Podemos citar no controle biológico o uso da vespinha Trissolcus basalis, que deposita seus ovos no interior os ovos dos percevejos causando a morte do embrião. O controle químico é o mais difundido atualmente, podemos encontrar diferentes produtos registrados para o controle de percevejo na soja, sendo estes pertencentes aos grupos químicos dos neonicotinóides, piretróides, carbamatos e organofosforados.

A sugestão é que o agrônomo responsável pela lavoura realize o monitoramento e a recomendação de intervenção quando necessário pois cada caso é um caso em específico e precisa ser tratado individualmente. Deve-se tomar cuidado com a rotação dos princípios ativos a fim de evitar resistência dos insetos perante aos produtos.

Medidas de prevenção e controle devem ser adotadas para garantir qualidade e rendimento da lavoura, evitando grãos chochos e danificados pelo inseto. Para a safra 2016/2017 está prevista a presença do evento climático La Niña, característico de tempo seco na América do Sul, o qual favorece o desenvolvimento dos percevejos. Portanto a atenção deve ser redobrada nesta época do ano e o monitoramento deverá ser constante.

 

Artigo publicado na edição de Dezembro/16

Viviann Y. Einsfeld

Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV

Bolsista PET-Produção Leiteira

einsfeld.viviann@gmail.com       


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