Jacto

No mês de agosto tive a oportunidade de visitar uma fazenda de grãos e sementes de soja localizada no estado de Dakota do Norte, no município de Pingree. A realidade vista no local é muito diferente de Iowa, o terreno é plano, os solos são salinos e mal drenados e as temperaturas são mais baixas. Organização é a palavra que me vem em mente quando ouço o nome da Mclloine Farm, todas as ferramentas em seu devido lugar, o maquinário agrícola todo limpo, engraxado e devidamente estacionados dentro dos barracões após o uso, todas as porcas e parafusos organizadas por tamanhos em caixas separadoras, as pedras em volta da fazenda todas rasteladas e sem falar da receptividade vinda por parte do dono. A fim de não cometer gafes ao relatar essa encantadora fazenda deixei essa matéria nas mãos do estagiário brasileiro, que trabalha no local, para que pudesse descrever um pouco mais sobre as atividades da Mcllonie Farm.

A fazenda está em sua sexta geração e é composta por Bob e Brett Mcllonie, pai e filho respectivamente, três funcionários americanos, um brasileiro que auxilia no período de plantio e colheita, e por mim, engenheiro agrônomo, Anderson Trentin, que estou em meu segundo ano de intercâmbio na Mcllonie Farm.

 Composta por uma área total de 12.600 acres ou 5.100 hectares (ha) a fazenda conta com 4.860ha de solos agricultáveis, onde 50% são áreas próprias e o restante arrendadas. Dependendo da rigorosidade do inverno e nevascas esses valores podem oscilar devido os solos possuírem baixo índice de drenagem, o que acaba retendo água oriunda do derretimento da neve, dificultando o manejo e plantio. Este ano houve uma taxa de apenas 5% que não foi possível ser semeada , porém já houveram anos em que esses valores atingiram margens superiores à 30%. A vantagem dos invernos rigorosos é que as temperaturas baixas, podendo chegar até -30°C, acabam realizando um controle natural sobre pragas e algumas doenças, o que torna desnecessária a aplicação de inseticidas bem como fungicidas.

Aos amantes da marca CASE, a fazenda vem renovando sua frota anualmente pois parte do lucro líquido obtido, caso não investido é taxado pelo governo e pode atingir o patamar de até 45%, o que acaba sendo um incentivo forçado para que o produtor de alguma forma utilize este dinheiro e faça a economia girar no país. A Mcllonie Farm é composta por cinco tratores Quadtrac entre 450 e 540 cv, duas semeadoras de 36 linhas espaçamento 55cm, três colhedoras com plataforma drapper de 45 pés para soja e plataforma de 18 linhas para milho, um pulverizador autopropelido com capacidade de 4500lts e 36m de barras, além de uma vasta gama de máquinas que auxiliam em todas as etapas de produção.

A produção de milho e soja é foco principal da fazenda, adotando o sistema de rotação de culturas a área total é distribuída em 50% para cada cultura, na área possuía milho no ano seguinte será semeado soja. Em parceria com a Monsanto, a Mcllonie Farm destina 750ha de sua área para a produção de sementes de soja, a principal vantagem é o desconto obtido no ato da compra dos insumos, bem como o acréscimo obtido no valor da saca comercializada, este pode variar entre US$ 3,60 - US$ 5,80 por saca dependendo do fator qualidade da semente produzida.

A adubação utilizada é toda de origem química e a aplicação é realizada em cobertura e incorporada em seguida devido a extensão da propriedade e uso do sistema convencional de preparo do solo. Esta é rateada em duas aplicações, onde metade da dose é aplicada logo após a colheita em 100% da área e o restante antes do plantio da próxima safra. A recomendação ocorre baseada em análises de solo e mapas de produtividade de colheita, podemos citar como exemplo uma quantia aplicada em pós-colheita de 170 kg/ha da formulação 08-27-19 + 3%S + 0.7%Zn e aplicação em pré-plantio de 300kg/ha de 41%N + 5%S, salientasse que a adubação pré-plantio ocorre somente para a cultura do milho. As semeadoras possuem um sistema de aplicação de fertilizante líquido no sulco de plantio, no qual aplica-se um volume de 50lts por ha de 10%N + 34%P, quando em estádio V-4 incorpora-se no milho uma dose de 140 lts/ha de 28%N.

Reconhecido mundialmente pelo uso do milho na produção de etanol, os Estados Unidos possuem várias plantas de processamento do mesmo, movimentando toda a cadeia agrícola pois acaba tornando-se mais uma opção para os produtores no momento da comercialização. Visando sempre as tendências de mercado a fazenda implantou este ano uma área teste de 130 ha de milho Enogen®, tecnologia inserida pela Syngenta no mercado. O milho Enogen® possui a enzima Alpha amylase que torna mais fácil o processo na producão de etanol reduzindo os custos para a planta processadora e agregando US$ 1,00 por saca para o produtor no momento da comercialização (Syngenta, 2017).

A capacidade de armazenamento é 300.000 sacas, a fazenda destina seus maiores silos ao milho, que é colhido e transportado até a sede, onde passa pelo processo de secagem utilizando como combustível o gás propano com custo de US$ 0,25–0,40 por saca. Necessitando apenas estar na sala de controle para acionar a chave geral do secador, o restante pode ser controlado pelo smartphone via aplicativo. Dos seis ventiladores presentes no secador, cinco injetam ar quente providos da queima do gás e o último utiliza ar ambiente com o intuito de diminuir a temperatura dos grãos que são enviados aos silos, dando sequência ao processo de resfriamento pelo uso de ar ambiente conseguindo diminuir até 2% da umidade final do produto apenas pela redução de temperatura. Silos menores são utilizados para armazenar soja semente que após aprovada pelos testes de qualidade é imediatamente transportada até as unidades de beneficiamento da Monsanto.

Contando com um corretor no auxílio da comercialização, praticamente toda produção é travada em contratos futuros com o objetivo de garantir o melhor preço em determinadas épocas do ano. Atualmente grande parte do milho produzido na fazenda vem sendo comercializado na planta de etanol uma vez que ela possui a capacidade de aplicar melhores preços pois é o destino final da commodity. Baseando-se no ano anterior, a produtividade alcançada para soja foi de 52 sc/ha e para o milho 212 sc/ha. Tratando-se do milho os custos médios totais, incluindo desde os insumos até custo de oportunidade da terra, foram de US$ 1.160,00 ha e lucro líquido de US$ 180,00ha. Já para a soja os custos totais foram de US$ 810,00 ha e lucro líquido de US$200,00ha. Salientasse que as condições climáticas do ano anterior foram favoráveis e assim obtivesse alta produtividade para soja e milho.

Os fazendeiros americanos estão em um patamar tecnológico superior que os nossos produtores brasileiros, pois todas as tecnologias agrícolas lançadas no mercado acabam sendo introduzidas inicialmente aqui. Além de contarem com uma malha ferroviária extensa fazendo com que se tornem altamente competitivos conseguindo reduzir os custos com transporte.

Desafios fazem parte do nosso amadurecimento e com certeza todo conhecimento adquirido durante esses 16 meses vividos aqui serão de grande importância para toda a vida, não sendo unicamente no âmbito profissional mas também pessoal. Mesmo sendo um campo de trabalho altamente competitivo com certeza o domínio de uma segunda língua acaba sendo um grande diferencial no momento de inserção ao mercado de trabalho.

 

Artigo publicado na edição de Outubro/17

Anderson Trentin/ Engenheiro Agrônomo, estagiário Mclloine Farm

Viviann Y. Einsfeld/ Estagiária Cinnamon Ridge Farms e Madden Ag Services (Pioneer)


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