Jacto

O foco em produção de silagem de alta qualidade está cada vez mais presente no campo, com uma visão mais tecnificada por boa parte dos produtores de leite e carne. A preocupação com o plantio de híbridos comprovados em produção de amido e fibra de qualidade está sendo foco de trabalho de muitos, nunca esquecendo de que não basta termos um milho com excelente produção de grãos, mas que por falta de conhecimento ou comprometimento acabou sendo mal processado pela máquina ensiladeira, que acabou deixando o material demasiadamente picado, ou com alta proporção de grãos inteiros, ou com palhas de espiga mal processadas, ou simplesmente com erro no ponto de corte deste volumoso que tem vocação de fornecer energia, via grãos. Além de bem processados, podemos escolher milhos com endosperma mais farináceo, visando aumentos em digestibilidade pelos ruminantes. O endosperma do grão é formado principalmente por amido (88%) que se organiza em forma de grânulos, sendo estes “cobertos” por uma matriz proteica (8%) chamada de Prolamina. Os híbridos nacionais carregam um maior teor de proteínas ao redor dos seus grânulos de amido, os quais dificultam a ação de enzimas e bactérias ao buscarem adesão para digestão do amido. A dureza do endosperma é determinada pela composição proteica do grão utilizado.

Conforme as características de formação do endosperma do grão do milho e a organização dos grânulos de amido tem-se duas principais definições entre os grãos conforme a textura que apresentam, sendo classificados de forma prática em grão duro ou dentado. Grãos com característica de dureza são predominantes no Brasil, e possuem uma organização mais rígida e vítrea resultando em grãos arredondados e lisos com pouca concentração de endosperma farináceo. Já em híbridos com característica de grão dentado, observa-se uma maior concentração de endosperma farináceo na estrutura geral do grão, sendo que seu amido possui baixa densidade de estruturação de Prolaminas, sendo menos organizado e mais “poroso”, conferindo maior velocidade de degradabildade e maior digestibilidade.

Do ponto de vista da nutrição animal, trabalhos apontam que quanto maior a vitreosidade (dureza) do grão, menor é a digestibilidade do amido presente no seu endosperma, visto que os grânulos de amido do endosperma vítreo são protegidos por uma matriz protéica (Prolaminas) contínua e organizada que limita a acessibilidade dos microrganismos ruminais ao amido do grão. A seleção de cultivares é uma das formas de direcionar maior potencial de digestibilidade do amido das silagens de milho, buscando quando possível alta produção de grãos, e também de fundamental importância alta digestibilidade de fibra. A estruturação e composição do amido no grão de milho e suas interações com as proteínas presentes no grão desempenham um papel importante no valor nutritivo para ruminantes; sendo que a estrutura das proteínas que interligam os grânulos de amido são responsáveis pelo tipo de textura do endosperma.

Silagens de milho com tempo de armazenamento em silo acima de 6 meses possuem melhorias na digestibilidade do amido, visto que a matriz proteica de Prolamina acaba se desorganizando devido a presença de ácidos produzidos na fementação anaeróbica. Não basta apenas escolhermos híbridos pela sua qualidade de grão (duro ou dentado) e sim precisamos aprimorar os métodos de picagem de silagem, visando o máximo de processamentos dos grãos expondo ao máximo o amido do milho, e preparando um silo com compactação e vedação exemplares, tendo uma margem de tempo para fermentação total e maturação da silagem no silo, visando tempo de armazenagem em busca de melhorias em teor de digestibilidade. Depois destes cuidados com a silagem, precisamos ajustar ao máximo os teores proteicos da dieta total, visto que sem a presença de teores adequados de proteína degradável no rúmen, não conseguimos boa fermentação ruminal com produção de ácidos graxos que confiram produção adequada. Para tais ajustes, profissionais do ramo de nutrição animal devem ser consultados, na busca por ajustar todos os potenciais de melhoria no sistema de alimentação da propriedade.

 

 

Artigo publicado na edição de julho/17                   

Rodrigo Görgen Chaves 

Med.Vet.. /Tecg. Agroind.

 


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