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O objetivo do melhoramento genético é o de avaliar características de interesse econômico em um animal para obter a predição dos valores genéticos. Ou seja, visa obter procedimento estatístico adequado para separar os efeitos genéticos aditivos dos demais. A importância desse método é o de ordenar os animais para fins de seleção, visando atingir o melhor valor econômico final.

Programa de melhoramento genético

Para planejar um programa de melhoramento deve-se ter em mente os objetivos de seleção e os critérios a serem utilizados. Após definidos estes requisitos é feita a observação fenotípica, do ambiente no qual o fenotípico foi coletado – quanto mais informações do ambiente, melhor – e obtêm-se também o Pedrigree (genealogia/ antecedentes do animal observado).

Atualmente, com o desenvolvimento da avaliação genômica, existe um auxílio na identificação de características que não têm análise fenotípica. Hoje, as características de precocidade sexual estão em foco, pois têm correlação positiva com o aumento da lucratividade nos sistemas de pecuária de corte.

Etapas do programa de melhoramento:

 

   Coleta de dados

   Avaliação Genética

   Rankeamento

   Seleção Animal

   Acasalamento ou Inseminação artificial

   Identificação dos animais superiores de acordo com as características selecionadas e objetivos almejados.

Para indicar um bom programa de melhoramento deve-se observar o ganho genético do rebanho para os objetivos escolhidos e manter padrões de descarte de animais inferiores de forma concreta. Entre os fatores que afetam o progresso genético do rebanho, estão: herdabilidade, intensidade de seleção, variação fenotípica e intervalo de geração. Quando for medir os resultados do programa de melhoramento, colete os dados fenotípicos e armazene em softwares estatísticos, que realizam a análise de desempenho das características de ganho de peso, fertilidade, acabamento de carcaça, precocidade sexual, habilidade materna, peso da cria ao nascer etc.

Como aumentar o potencial reprodutivo do macho?

Basicamente deve-se selecionar os machos com a melhor DEP (Capacidade prevista de transmissão) e melhor acurácia para esse objetivo, levando em consideração as correlações de características e o fator ambiente, que pode afetar no produto final. Como o Brasil é um país com vasto território, acaba sendo afetado por diversos fatores ambientais e, por isso, é necessário conhecer a genética que estamos selecionando, pois touros com melhores DEP’s  e acurácia nem sempre vão nos apresentar o melhor valor fenotípico.

Também podemos considerar que há touros com boas DEP’s e baixos valores de acurácia. Isso nem sempre será a real situação, pois touros mais jovens normalmente vão apresentar menor acurácia que touros mais velhos, devido ao número de progênie. Hoje, para maximizar esses dados no melhoramento genético, já podemos contar com a genômica que reduz o intervalo de gerações. Identificar animais precocemente na desmama ou com 12 meses direciona maior pressão na seleção para características de precocidade.

Quais são os desafios e oportunidades do melhoramento genético?

Atualmente, no Brasil, a pecuária de corte enfrenta problemas relacionados à produtividade, devido a competição por área do sistema com a agricultura, principalmente em São Paulo; o cadastro ambiental rural, que também reduz a área produzida; a produção de metano, que faz o animal ser visto como vilão e a interação genótipo/ambiente – animais que são bons para o sistema a pasto nem sempre têm o mesmo resultado em confinamento e assim ocorre com os mais diversificados fatores ambientais presentes no Brasil.  

Esse desafio pode ser solucionado com um programa de melhoramento relacionado a eficiência dos animais e também podemos considerar a falha na demanda de touros jovens como reprodutores. Essa falha no programa de melhoramento deve-se ao fato das centrais de inseminação não terem interesse em “desvalorizar os seus touros famosos” com mais análises e melhores programas de melhoramento genético envolvidos na interação genética/ambiente e programas como genômica para obter resultados com menores gerações.

Danilo Oliveira – Médico Veterinário / Equipe Corte Rehagro

Artigo publicado na edição de Outubro/17


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