Jacto

Produzir leite com qualidade não é simples, sendo  uma tarefa que requer uma série de cuidados e procedimentos, entretanto apesar de não ser algo simples, é plenamente possível.

Por ser uma atividade onde muitos fatores interferem em sua sustentabilidade, é extremamente importante que os produtores tenham ferramentas que gerem indicadores numéricos que possam auxiliar no planejamento, monitoramento de resultados, tornando-se base para tomada de decisão dos novos rumos da propriedade. O agricultor está se transformando em empresário rural, um administrador profissional que além de se preocupar com a produtividade e sobrevivência, também terá de buscar  a lucratividade na propriedade. Seu objetivo é produzir mais com menos recursos possíveis, sendo que para isso é necessário informações para avaliar, controlar e decidir. A profissionalização do produtor rural faz-se com a incorporação tecnologias através de consultores, equipamentos e maquinários, novas práticas e a utilização de animais geneticamente melhorados. No entanto em muitos casos propriedades que possuem todos os recursos  para obterem uma produção de leite de alta qualidade, as mesmas não conseguem obtê-la, nem mesmo sob rotineira orientação e treinamento. Mas então o que acontece com essas propriedades que não conseguem alcançar a produção de leite com alta qualidade mesmo sendo treinadas e orientadas?

A multifatoriedade da produção leiteira, muitas vezes, provoca que um único fator conduzido de maneira inadequada pode por todo o processo por “agua a baixo”

No Brasil, em muitos casos, o leite é obtido sob más condições de gestão, tanto técnica quanto administrativa. Não é incomum encontrarmos propriedades leiteiras onde o proprietário exerce o papel de administrador e também técnico. 

Embora seja de extrema importância que o proprietário da empresa produtora de leite conheça todo o processo, faz-se cada vez mais importante que as empresas denominadas “fazendas leiteiras” sejam assessoradas por técnicos específicos em seus diferentes setores. 

Dentro do cenário da pecuária moderna esta cada vez mais presente o papel do consultor em qualidade do leite.  O papel deste tipo de consultor é estabelecer um conjunto de técnicas capazes de reduzir a contagem bacteriana, contagem de células somática e casos de mastite, melhorando a qualidade do leite para a indústria a a produtividade ao produtor. Embora o conjunto de técnicas para se obter a produção de leite de qualidade seja possível de ser aplicado e gerar bons resultados a todas as fazendas, resultados muito diferentes são obtidos quando as mesmas orientações são transmitidas a diferentes propriedades.

“Funcionou no fulano e não funcionou no beltrano”

 

Mas porque isso acontece?

Dentro da rotina de consultoria em qualidade do leite é frequente o aparecimento de um fator que impede o sucesso sobre a obtenção da qualidade do leite, o dono da fazenda. Muitas e muitas vezes diante do eminente prejuízo a produção causado pela má qualidade do leite  ou pela penalização sobre o preço do leite, as fazendas procuram ajuda especializada para tentar controlar a situação. Entretanto quando deparam-se em meio a um programa para obtenção da qualidade do leite acabam boicotando a sua própria empresa, sendo muito comum as seguintes e auto predatórias frases serem pronunciadas pelo donos de fazendas:

- Será feito como eu quero, pois aqui quem manda sou eu

-Sempre fiz assim, porque mudar agora?

- Se não sei eu que tiro leite a 30 anos

- Isso só funciona na teoria

-Isso vai ficar muito caro

- Não Não Não,Vai dar muito serviço

- La no fulano fez e não funcionou

- Não funciona

-Vai demorar muito

- Porque melhorar isso? O laticínio vai arrumar outro jeito de descontar no preço

A pequena coleção de frases, longe de ser hilária, soa trágica em seu impacto real dentro das fazendas, muitas vezes impedindo que um programa tenha sucesso em obter resultado pela aplicação de técnicas reconhecidamente eficientes em melhorar a qualidade do leite. Para que se obtenha sucesso dentro de um programa de qualidade do leite, assim como nos programas de outros setores da propriedade (nutrição, reprodução...) deverão ser seguidas as orientações técnicas em sua integrlidade, do contrario, porque gastar tempo e dinheiro contratando um consultor? Um proprietário com esse tipo de atitude pode muito bem falir sozinho, não há necessidade de falir acessoradamente.

Enfrentar um programa de qualidade do leite exige que o proprietário assuma o papel de gestor da propriedade e não de técnico. O dono da vaca devera incumbir-se de avaliar e cobrar resultados de acordo com o que cada situação poderá oferecer, com o mínimo de interferência técnica, uma vez que se  assumir o papel do técnico, porque contratar um?

Não é incomum produtores participarem de projetos para profissionalizarem a produção leiteira, deixando de realizar as orientações técnicas imediatamente após a saída do técnico da propriedade. Esse tipo de atitude acaba por ser um divisor de aguas entre os produtores de sucesso e os que fracassam na atividade leiteira.

Portanto: Se contratou um consultor: ouça-o!

Se solicitou a resolução de um problema: faça sua parte no plano de solução. Quando você deixa de cumprir algo pedido pelo consultor, você esta enganado e causando prejuízo a você mesmo.

Aprenda a ouvir o que esta por traz do problema, o tempo e as ações necessárias para soluciona-lo! Faça a sua parte! Após isso cobre resultados.

Lembre-se, assim como o lucro, o prejuízo também será inteiramente seu. Você decide o qual deseja ter.

 

Dr. MV Marcos André Arcari

Médico Veterinário - Universidade de Passo Fundo - RS

Mestrado e Doutorado

Universidade de São Paulo

Departamento de Nutrição e Produção Animal 

marcos.labmast@hotmail.com


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