Jacto

As estações de primavera e verão se apresentam trazendo muito calor e com isto desconforto térmico às vacas leiteiras, penalizando a produção, a eficiência alimentar, a reprodução e a imunidade dos rebanhos. Com o estresse calórico, as quedas em consumo de matéria seca ficam evidentes, e mais pronunciadas conforme o sistema de produção e o desafio do ambiente na fazenda. Vacas que comem menos, consequentemente produzem menos, e também terão menores taxas de concepção e uma menor capacidade de resposta a antígenos do meio.

Tomando medidas que visam o resfriamento de vacas conseguiremos minimizar estes efeitos do desconforto térmico e as consequentes perdas econômicas. Administrar o estresse térmico é uma tarefa difícil, e que desafia todas as fazendas, em grande parte do ano, nas regiões de clima tropical. O estresse térmico é o conjunto de fatores que atuam sobre a vaca refletindo em aumento de temperatura corporal acima dos limites fisiológicos dos ruminantes, neste caso, temperaturas retais acima de 39 graus célsius. Quando a troca de calor para o ambiente não acontece proporcionalmente ao aumento de temperatura, o consumo de matéria seca é reduzido, sendo uma das primeiras reações do ruminante frente ao excesso de temperatura corporal (o consumo de alimentos gera mais fermentação ruminal, e consequentemente mais produção de calor). A troca de calor por condução, é uma das mais conhecidas e utilizadas pelas fazendas que adotam algum tipo de estratégia de resfriamento, neste caso, o ato me molhar de forma vigorosa, encharcando o dorso das vacas, seguido de ventilação intensa no objetivo de secá-las é uma das formas eficientes de subtrair o calor dos animais.

Este tipo de resfriamento é potencializado com os animais contidos em sistema de canzil, maximizando o uso da água e da energia de ventilação. Cada ciclo de resfriamento é composto normalmente por cerca de até um minuto de água em aspersão, e após isto ventilação por cerca de 5 minutos. Durante a adição de água, é importante que os ventiladores estejam desligados, evitando a formação de névoa. Quando ligados, os ventiladores devem estar bem dimensionados, conferindo uma velocidade de pelo menos 3 metros por segundo no lombo dos animais. O objetivo é molhar os animais e posteriormente retirar esta água com a ventilação, realizando a troca de calor entre vaca e meio ambiente pela água. Este ciclo de resfriamento pode ser repetido várias vezes ao dia, conforme as condições de temperatura e umidade relativa do ar.

No sul, a grande maioria das propriedades médias e pequenas, não possui nenhum sistema de resfriamento dos animais, e muitas das propriedades que o possuem não usam na periodicidade correta ou possuem equipamentos mal dimensionados que não conferem resultado técnico.

Vacas sofrem principalmente com estresse calórico produzido por climas quentes e úmidos, logo, é preferencial que a ventilação seja eficiente, e que a água da aspersão não seja pulverizada (gotículas muito finas), sendo que este pode ser um agravante ao desconforto térmico. Na sala de espera de ordenha, também podem ser adotadas medidas de resfriamento dos animais.

Partindo do princípio de que vacas são animais com faixa de temperatura ideal de aproximadamente 5 a 15 graus, precisamos monitorar diariamente estas oscilações climáticas, investindo aos poucos em técnicas de resfriamento, minimizando perdas de desempenho zootécnico e garantindo saúde e conforto às vacas. 

Artigo publicado na edição de Dezembro/18


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