Jacto

O desempenho econômico de uma fazenda leiteira está diretamente ligado ao desempenho técnico da mesma, onde caso não tenhamos um bom volume de produção teremos uma baixa renda por vaca ao dia. Independente do sistema de produção adotado, precisamos ajustar os níveis nutricionais da dieta diária do rebanho e principalmente garantir que haja excelente consumo de MS (matéria seca) possibilitando altos volumes de produção. 
 Alguns termos técnicos relacionados ao setor econômico da propriedade podem ser observados no quadro em anexo (disponível apenas na versão online ou digital da FA). Para melhor entendimento, os números em questão são referentes ao segundo lote de uma propriedade em sistema de confinamento, onde a média deste lote é de 32 litros; por coincidência representando também a média geral da propriedade. Vejamos que a eficiência leiteira se refere aos Kg de leite produzidos por Kg de MS consumida e neste caso, este lote de animais está produzindo 1,43 Kg de leite para cada Kg de MS ingerida; caso tivermos uma dieta desbalanceada, com limitações de energia ou proteína por exemplo, essa relação poderia prejudicar a eficiência leiteira. A renda do leite (R$/vaca/dia) neste caso é de R$41,60 resultado este obtido pela multiplicação do preço do leite pelo volume produzido no dia; caso tenhamos um ótimo preço pago pelo leite e não tivermos volume de produção, não conseguiremos chegar a um bom valor de renda. 

A RMCA (receita menos custo alimentar) é um dos mais importantes índices econômicos da atividade, valor este obtido da renda subtraindo-se o custo de alimentação diário por vaca, ou seja, no exemplo em questão temos uma renda leite de R$ 41,60 menos um custo alimentar/vaca/dia de R$ 15,22. Neste caso, o valor de RMCA é de R$ 26,38 e para termos o valor final de renda líquida na atividade precisamos descontar ainda custos fixos, custos variáveis e depreciações. Os valores de RMCA podem servir para comparativo de desemprenho entre propriedades de mesmo sistema de produção localizadas em regiões com certa semelhança de custo alimentar e preço de leite. Muitas supostas economias em alimentação que reduzem o custo alimentar diário acabam refletindo em redução de volume produzido, despencando os valores de RMCA, os quais devemos trabalhar para que na medida do possível aumentem. O desafio da atividade é investir em pontos que gerem leite, mantendo uma estrutura enxuta e com investimentos baseados em números reais de produção pois também de nada adianta ter um bom número de RMCA, e penar com altos custos variáveis e depreciações de estruturas ou maquinários que não trazem volume de leite. 
Com boa média de produção diluímos o custo alimentar por litro produzido, neste exemplo, o lote de vacas gasta com alimentação R$ 0,48 por litro de leite, o que representa que 36,60% da renda produzida é gasta em alimentação do lote. O preço pago pelo leite é um fator de extrema importância, todavia, não é o único determinante para o sucesso ou falência na atividade; produzir com custo equilibrado para o sistema adotado e manejar maximizando consumo e produção traduzem alguns dos pontos fundamentais para o equilíbrio das contas. E pensem, precisamos trabalhar na busca pelo lucro máximo ou pelo custo mínimo? Devemos ter cuidado com investimentos mal planejados em momentos de bons preços pagos pelo leite, trabalhando com os pés no chão e eficiência nos momentos de baixos preços do mercado. Buscar assistência técnica com conhecimento e confiança é o caminho certo para o sucesso da propriedade. 

Artigo publicado na edição de Outubro/17

Rodrigo Görgen Chaves 
Médico Veterinário 
Tecnólogo em Agroindústria

 


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