Jacto

 

O período seco das vacas leiteiras compreende de 45 a 60 dias antes da data prevista do parto e é caracterizado pela interrupção da ordenha. A secagem permite que a glândula mamária passe por um período de involução normal; assegura um número máximo de células secretoras na fase inicial da lactação; estimula o sistema imune; restabelece a condição corporal dos animais e é um momento de grande oportunidade para tratar mastites contraídas durante a lactação.

A terapia de vaca seca é uma das mais conhecidas medidas de controle de mastite. Baseia-se na aplicação de uma bisnaga de vaca seca a base de antibiótico específico para vacas secas nos quartos mamários no momento da secagem, sendo altamente recomendada em todos os rebanhos leiteiros. A secagem da vaca com bisnaga de antibiótico atua em dois princípios fundamentais de controle de mastite:

1) cura das infecções pré existentes no momento da secagem

2) prevenção de novas infecções que possam vir a ser contraídas no período seco.

Todavia, em rebanhos com baixa CCS do tanque, o uso de antibióticos de vaca seca de forma preventiva tem sido cada vez mais posto em questionamento, principalmente pelo desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos, o que pode ameaçar a saúde pública.

Mas qual seria a alternativa para reduzir o volume de uso de antibióticos para secagem das vacas?   Diante desse tipo de questionamento, algumas alternativas a tempos vêm sendo estudadas, dentre elas a terapia seletiva de vaca seca. A terapia seletiva baseia-se em avaliar necessidade de tratamento em cada vaca em especifico, afim de não fazer uso de antimicrobianos nas vacas que não possuam mastite.

Dessa forma, os quartos mamários com mastite são tratados com antibiótico de vaca seca, já os quartos mamários sadios recebem apenas selante.

O uso somente do selante interno nos quartos mamários saudáveis, mimetiza o mecanismo fisiológico de fechamento do canal do teto, diferentemente da terapia de vaca seca tradicional, a qual utiliza o selante em conjunto com um antimicrobiano. Essa terapia pode reduzir em média 50-60% o uso de antibióticos na secagem, e, consequentemente, gera um grande impacto econômico positivo para a fazenda.

Para que a terapia seletiva de secagem seja um sucesso e tenha um impacto econômico positivo na fazenda é muito importante que os critérios abaixo sejam seguidos. Caso contrário isso poderá ter consequências catastróficas para a fazenda.

1 É indispensável um manejo ambiental e sanitário básico ao rebanho.

2 A fazenda já precisa fazer uso como rotina a cultura microbiológica. Isso é necessário porque é preciso conhecer os agentes que estão causando mastite nos animais para determinar se a terapia seletiva pode ser implementada.

3 Conhecer os agentes causadores de mastite da fazenda através da cultura microbiológica.

4 Avaliação da CCS do rebanho: taxas altas de CCS do tanque tem o uso da terapia seletiva contraindicada.

5 Avaliação da CCS individual: caso a CCS do tanque esteja em um valor aceitável, deve-se avaliar também a CSS de cada animal

6 Recomenda-se que animais selecionados para uso da terapia seletiva não tenham sido diagnosticados com casos de mastite clínica na lactação anterior.

7 Possuir hábito ou mecanismos de avaliação para os processos implantados na fazenda, pois do contrário o monitoramento do sucesso ou fracasso da técnica fica desconhecido.

8  Possuir o habito do uso de bons produtos tanto para o tratamento das infecções intramamarias que forem diagnosticadas  na cultura quanto para a selagem dos quartos mamários que não receberem antibiótico intramamário.

 

Entretanto, mesmo parecendo uma ferramenta muito atrativa para as fazendas, a dúvida de efetividade da técnica sempre foi alvo de questionamento por técnicos e pesquisadores. Um recente estudo realizou, dois dias antes da data prevista de secagem, cultura microbiológica e terapia seletiva em um grupo de animais e terapia de vaca seca tradicional (antibiótico + selante) em outro grupo de animais as vacas foram distribuídas aleatoriamente em três tratamentos (Terapia de vaca seca tradicional, Terapia seletiva e Algoritmo -Terapia seletiva de vaca seca). No dia da secagem, todas as vacas do grupo Terapia de vaca seca tradicional receberam bisnaga para vaca seca, enquanto nas vacas do grupo da terapia seletiva somente foram tratados os quartos com crescimento de microrganismos na cultura microbiológica, já nas vacas do grupo Algoritmo Terapia seletiva de vaca seca foram tratados todos os quartos quando houve mais que 2 casos de mastite clínica na lactação ou CCS >200.000 cels/mL. O selante interno de tetos foi aplicado em todos os quartos mamários das vacas dos três tratamentos.

A redução do uso de antibiótico no grupo de vacas da terapia seletiva foi de 54, 2%, e no grupo algoritmo terapia seletiva de vaca seca foi de 55,2%. Sendo assim, o uso da terapia seletiva foi reduziu o uso de antimicrobianos em nível de quarto mamário mais de 50%.  Como conclusão deste estudo os pesquisadores relatam que os quartos mamários submetidos à secagem seletiva apresentaram as mesmas chances de cura no período seco e risco de novas infecções pós-parto do que aqueles submetidos à terapia de vaca seca tradicional. Deste modo, é importante ressaltar, que desde que observados os critérios para o uso da técnica na fazenda a terapia seletiva tem indicado ser uma opção viável para reduzir o uso preventivo de antibióticos na secagem de vacas leiteiras.

O uso criterioso de antibióticos  cada vezes mais será uma demanda do mercado consumidor. Se existem alternativas ao uso preventivo de antibióticos e se a fazenda atende aos requisitos para implanta-lo, porque não evoluir? Pessoas saudáveis não usam antibióticos de modo preventivo, porque animais o devem usar?

Dr. MV Marcos André Arcari 
Médico Veterinário - Universidade de Passo Fundo - RS Mestrado e Doutorado Universidade de São Paulo Departamento de Nutrição e Produção Animal.
marcos.labmast@hotmail.com


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