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A intensificação na utilização das pastagens torna-se vantajosa, quando falamos em diluição dos custos fixos, devido a redução da idade de abate e aumento na taxa de lotação. Sabe-se que a estacionalidade das plantas forrageiras é um dos principais fatores limitantes para altas produções. Desta maneira o semi-confinamento surge como uma estratégia para manutenção do equilíbrio de alimentos no sistema de produção, visando incrementar os níveis de produção animal (desempenho e ganho por área).

A utilização de suplementos concentrados permite corrigir deficiências específicas de nutrientes na forragem para maximizar a atividade de digestão da fração fibrosa e, consequentemente, utilizar mais eficientemente os carboidratos estruturais, além de complementar a dieta em situações de escassez de forragem. Nas situações onde o consumo é limitado pela baixa oferta de forragem, um suplemento pode substituir a forragem proveniente do pasto, constituindo às vezes o único alimento disponível. Os níveis de concentrado e as estratégias a serem usadas são dependentes da categoria animal e das metas de ganho de peso (Reis et al., 2009).

Diante disso, o semi-confinamento consiste em fornecer ração concentrada aos animais de 1 a 2% do peso corporal (PC), sendo caracterizadas pela grande produção de ácidos graxos de cadeia curta no rúmen, provocando quedas de pH, sendo necessários períodos de adaptação e possível uso de aditivos.

Os ganhos de peso, irão variar de acordo com a oferta de forragem, potencial genéticos dos animais, níveis de concentrado na dieta e alguns outros fatores. A suplementação com altas quantidades de concentrado, permitem maiores ganhos de peso, melhor rendimento de carcaça e acabamento, melhorando a eficiência do sistema de produção.

Em uma época de insumos caros como, por exemplo, o milho e a soja, encontrar alternativas, as quais nos dão flexibilidade para trabalhar, e possibilidade de ter o nosso custo de arroba produzida reduzido, é necessário.

Diante dos altos desembolsos apresentados pelo sistema de confinamento, em infraestrutura e máquinas, a suplementação de alto consumo a pasto vem se tornando uma ferramenta cada vez mais atrativa, por apresentar menor imobilização de capital e índices econômicos também satisfatórios.

Além disso, é importante destacar que durante a fase de terminação, a eficiência de conversão (kg MS/kg PC), é reduzida quando comparada na recria. Isso se deve, pelo fato da diminuição do acúmulo de músculo e aumento do crescimento do tecido adiposo, o qual necessita de mais energia para sua deposição. Sendo necessária a adequação correta da suplementação nessa fase.

Normalmente, o período de terminação dos animais se dá em um momento em que as pastagens apresentam baixa qualidade e baixa taxa de crescimento, limitando o consumo pelos mesmos. Desta forma, torna-se desafiador, produzir em uma situação extremamente desvantajosa.

Então, para terminar os animais a pasto, em uma época com baixa oferta de forragem e baixo valor nutritivo, deve-se explorar o efeito substitutivo, deixando de ingerir forrageira para ingestão de concentrado, permitindo maior fornecimento de energia. Neste cenário, a forragem deixa de ser o componente principal da dieta, sendo importante apenas para a manutenção do ambiente ruminal um mínimo saudável.

Ao comparar o sistema de confinamento convencional, com o semi-confinamento, ou confinamento a pasto, recebendo altas quantidades de concentrado, a Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (APTA), concluiu que a taxa de ganho de peso vivo é diferente entre os dois sistemas, sendo vantajoso para o confinamento convencional, porém, quando observaram o ganho em carcaça, a diferença foi de apenas 0,043 kg de carcaça por dia, ganhando 1 kg de peso vivo (figura 01), chamando atenção para a forma de análise ao comparar as duas estratégias.

Figura 1. Ganho em carcaça, rendimento de carcaça e rendimento do ganho em função do sistema de terminação (convencional vs pasto).

Neste caso, como as dietas eram isoenergéticas, o rendimento do ganho (peso de carcaça final – peso de carcaça inicial/ peso vivo final - peso vivo inicial), foi afetado principalmente pelas mudanças no conteúdo do trato gastrointestinal e tamanho dos órgãos digestivos. Quando os animais são suplementados, com grandes quantidades de concentrado, o consumo de fibra na dieta se torna muito pequeno.

Com isso, tem-se o aumento da taxa de passagem, em função da maior digestibilidade da dieta, resultando em diminuição do conteúdo do trato digestivo. Assim, o rúmen não precisa armazenar tanto o alimento, e acaba reduzindo o tamanho (Figura 02).

Figura 2. Nas fotos A e B, a esquerda, rúmen e conteúdo ruminal dos animais terminados no confinamento convencional e, a direita, dos animais terminados no confinamento a pasto. Fotos: Gustavo Siqueira e Flávio Rezende - APTA

Portanto, o confinamento a pasto pode tornar-se uma ferramenta extremamente interessante e estratégica. Para os profissionais que forem utilizar essa ferramenta, é importante darem atenção para o ganho em carcaça e não apenas em peso vivo, uma vez que na terminação a pasto pode ser subestimada, quando não consideradas essas diferenças.

 

 

Artigo publicado na edução de Dezembro/16

 Eng. Agrônomo Bruno Gottardi, e Veterinário Vitoriano Dornas - Equipe Rehagro


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