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       Nossos produtores de leite sabem o quanto uma vaca precisa comer diariamente? Será que as vacas estão tendo disponibilidade de alimento condizente com o volume de leite esperado? Caso o volume de produção estiver baixo, os limitantes deverão ser identificados! Não podemos apenas esperar a próxima estação do ano para que tudo melhore!

       Existem sim vacas leiteiras em subnutrição, em alguns casos por falta de quantidade de alimento na propriedade, e por horas pela falta de “visão do dono”, onde simples detalhes de manejo trariam melhoras significativas no desempenho animal.

       Características de raça, peso vivo e volume de produção (ou mantença) são alguns dos principais parâmetros observados para estimativas de exigência nutricional de uma vaca. Para fim de cálculos nutricionais, trabalha-se com valores de Matéria Seca (MS) dos alimentos; ou seja, tudo o que a vaca come, subtraindo-se o teor de umidade dos ingredientes da dieta.

       Uma vaca em lactação necessita aproximadamente 1Kg de MS para cada 1,5 litros de leite produzido. Após a determinação da quantidade em Kg de MS, parte-se para os demais ajustes de formulação, onde o balanço de proteínas, carboidratos, minerais (entre outros) é verificado. Quanto maior a produção, maior deverá ser o consumo! A composição da dieta determina a qualidade na fermentação ruminal, gerando precursores para garantir quantidade e qualidade no leite produzido.

       Quando não atendemos os valores mínimos de MS exigida, e ou há desequilíbrio nos demais níveis nutricionais, certamente teremos problemas, sendo que a baixa produção leiteira é o primeiro a aparecer. A subnutrição limita volume de leite, bem como a qualidade do mesmo, como nos casos de leite LINA (Leite Instável Não Ácido). Quando se trata de animais jovens como vacas em primeira lactação, os prejuízos poderão ser ainda maiores, visto que estes animais ainda estão em fase de crescimento e demandam muita energia para tal. A subnutrição também causa redução na atividade ovariana, resultando em baixa eficiência reprodutiva.

       Um bom planejamento forrageiro sempre deverá estar entre as prioridades do produtor, visto que a capacidade de produção de alimentos é um dos pontos determinantes para o sucesso na atividade. Quanto temos baixa disponibilidade de pasto independente da época do ano, a compensação deverá vir através da maior inclusão de volumosos conservados (silagens, pré-secados) e também pelo uso de um concentrado mais proteico, o qual geralmente é mais caro. Ter noção de quanto de cada alimento as vacas estão comendo é tarefa de extrema importância e exige tempo e dedicação. O importante é saber monitorar o manejo de alimentação, prevendo, identificando e tomando a atitude certa, no momento certo.

       Em momentos de alta nos preços de insumos para produção, também temos uma boa reação nos preços pagos pelo produto leite, o que traz alívio aos produtores eficientes, que conseguem manter um bom volume entregue. Para a grande parcela de produtores que possuem baixo volume de produção nesta época, fica a tarefa de identificar seus pontos fracos, projetar ações, e o mais importante coloca-las em prática. Para que se tenha sucesso, independente da atividade, precisamos de gestão e um bom apoio técnico para consultoria na atividade.
 

Artigo publicado na edição de Julho/16

Rodrigo Görgen Chaves
Médico Veterinário
Tecnólogo em Agroindústria
Mestrando em Desenvolvimento Rural
Produção Animal CRMV-12562


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