Jacto

Um grande desafio vivenciado pelas fazendas leiteiras é o de manter o maior número de vacas em lactação em relação às vacas da propriedade nas situações onde o rebanho apresenta baixa persistência de lactação. Em rebanhos de alta produção, onde as vacas apresentam maior persistência de lactação, é interessante ter o maior número possível de vacas em fases iniciais de lactação, onde produzem mais leite e com melhor conversão alimentar, reduzindo, consequentemente, o custo alimentar. Otimizar a eficiência reprodutiva é fundamental para se alcançar esses objetivos na propriedade e gerar maior lucratividade para os sistemas de produção de leite.

Um dos indicadores para se monitorar a eficiência reprodutiva em rebanhos leiteiros é a taxa de serviço ou taxa de inseminação. Esta mede a porcentagem de vacas que são inseminadas em relação ao número de vacas aptas a cada período de 21 dias. Para que uma vaca se torne gestante ela deve ser inseminada ou coberta. A taxa de serviço mede para o produtor se as vacas estão sendo inseminadas ou não no momento correto da lactação.

Caso as vacas não sejam inseminadas no momento correto, em rebanhos com baixa persistência de lactação, haverá um percentual elevado de vacas secas em relação às vacas do rebanho. Já em rebanhos compostos por vacas de raças taurinas, com elevada persistência de lactação ou com elevado grau de sangue europeu, a média de dias em lactação (DEL) do rebanho será elevada. Em ambas as situações haverá aumento do intervalo entre partos das vacas e menor produção de leite, devido ao baixo número de vacas em lactação ou por terem mais vacas em estágio mais avançado da lactação, no qual a produção das vacas é menor.

Meta para taxa de serviço:

Qualquer propriedade leiteira, independente do sistema de produção, deveria buscar taxas de serviço superiores a 60%. Ou seja, o produtor deve ter como objetivo inseminar pelo menos 60% das vacas elegíveis a serem inseminadas do rebanho, a cada intervalo de 21 dias.  Esta é uma meta bastante desafiadora, porém atingível. Quanto maior for o valor desse indicador, melhores serão os resultados reprodutivos da propriedade e consequentemente, mais leite será produzido.

Fatores que podem influenciar na taxa de serviço:

Algumas vacas do rebanho podem ter ausência de manifestação periódica do cio. Essa condição é conhecida como anestro e pode interferir na taxa de serviço.  Alguns dos principais fatores que podem afetar a incidência de anestro são: incidência de doenças após o parto, perda excessiva de condição corporal e o teor de amido na dieta.

Outro fator que pode influenciar a taxa de serviço é a ocorrência de falhas no manejo de observação de cio, ou seja, a vaca manifesta cio, mas este não é identificado na propriedade. Abaixo alguns exemplos de falhas nas rotinas que irão afetar a taxa de serviço:

Observação de cio em momentos inadequados;

Frequência de observação de cio durante o dia;

Pouco tempo dispendido para observação de cio;

Muitas vacas com problema de casco na propriedade ou outros problemas que influenciam na aceitação de monta.

Não utilização de recursos auxiliares para identificação do estro, como o bastão marcador e a “raspadinha”.

O principal sinal de cio em vacas é a aceitação de monta. No entanto, existe uma série de sinais secundários que também podem ser observados como, por exemplo, presença de muco na vagina; o animal fica com a garupa suja, com baba de outros animais e com queda de pêlo nesta região; inquietação; mugido mais frequente; entre outros. 

A dependência da visualização da aceitação de monta nas fazendas implica em tempo e dedicação dos funcionários para identificar os sinais apresentados pelos animais que estão em estro. Por isso, muitas vezes podem ser utilizadas ferramentas para facilitar a visualização do cio, como o bastão marcador e a “raspadinha”.

A manutenção de um bom programa reprodutivo é fundamental para o sucesso da propriedade leiteira e o primeiro pré-requisito para que a vaca se torne gestante é a inseminação ou cobertura deste animal. Ao gerenciar a eficiência reprodutiva dos rebanhos através da taxa de serviço, haverá condições de identificar rapidamente falhas no processo, atuando de maneira precisa e eficiente na correção, aumentando assim a produção de leite e a rentabilidade do sistema.

 

Artigo publicado na edição de Outubro/17

Guilherme Pontes Corrêa

Médico Veterinário, Equipe Rehagro


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