Jacto

O uso de forma racional, que significa a aplicação quando necessário da quantidade exatamente prescrita, não causa dano nem ao meio ambiente nem a saúde humana

Foi a partir da produção em escala no século XX que o alimento se tornou mais acessível à população de baixa renda que também passou a ter acesso a uma variedade maior de produtos. Vários fatores contribuíram para isso, entre eles uso da tecnologia, avanço da genética e capacitação.

Vamos nos ater à questão da tecnologia, especificamente ao uso de agroquímicos. Para se entender isso é necessário, primeiro, levar em consideração que o Brasil é um país tropical, o que exige um manejo diferente dos utilizados em países como os Estados Unidos e o Canadá onde o próprio clima congelante do inverno se encarrega de eliminar as pragas. Por isso usamos agroquímicos que não são tão necessários em países frios.

A aplicação de agroquímicos exige o uso correto, com a recomendação técnica de um engenheiro agrônomo. Esse profissional que fará o receituário para o caso específico de cada praga, doença ou planta daninha. A compra do produto ocorre mediante essa receita. Aliás, produtos que impactam no custo de produção, portanto, são utilizados pelo produtor somente quando necessário, porque o uso excessivo aumenta os custos.

O uso de forma racional, que significa a aplicação quando necessário da quantidade exatamente prescrita, não causa dano nem ao meio ambiente nem a saúde humana, tendo como base a assistência técnica e respeitando os períodos de carência.

A agricultura hoje investe cada vez mais em boas práticas agrícolas, necessárias para quem produz de olho na saúde de sua família e trabalhadores. A agropecuária precisa de solo fértil para ser produtiva e tem se valido de sistemas como Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Outro ponto que precisa ser considerado é que um produto novo, para ser colocada no mercado, tem alto custo porque leva tempo para ser desenvolvida e exige muitos estudos. Antes de ser colocado no mercado, ele precisa de autorização do Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A educação, com orientações corretas, é importante para acabar com as notícias falsas, os boatos que causam pânico e confusão à população. Muitas vezes as desinformações surgem travestidas de campanhas educativas, mas nada mais são do que ações difamatórias e alarmistas que prejudicam quem produz e garante a mesa cheia de alimentos.

O SENAR-PR, por exemplo, atende um milhão de alunos por ano, de escolas públicas e particulares, de 1º. a 9º. ano levando conhecimento sobre diversos temas, entre eles os relacionados ao meio ambiente, por meio do Programa Agrinho.

Desde seu nascimento, o SENAR-PR teve como motivação a conscientização sobre o uso correto de agroquímicos, reflexo da constante preocupação com o bem-estar e segurança do trabalhador rural.

Até hoje, as capacitações nos cursos na área de aplicação de agrotóxicos continuam entre os mais procurados por trabalhadores e produtores rurais. Desde que começou suas atividades em 1993, o SENAR-PR já capacitou 165.291 pessoas na aplicação de agroquímicos em quase 14 mil cursos. Isto sim é uma ação transformadora e de resultado efetivo.

Outro ponto relevante para desmistificar essa questão é o cálculo do uso de agroquímicos, que deve ser realizado por área de produção e não por número de habitantes. O produto é utilizado para manejo e controle de pragas nas culturas e não para consumo humano, portanto é incorreto o cálculo de consumo por habitante como tem sido divulgado.

São dados que estão disponíveis para serem comprovados por quem está disposto ao esclarecimento. Há pesquisadores e estudiosos sérios e isentos que podem desmistificar tudo isso. O conhecimento é aberto a todos, basta querer.

 

Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR




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