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Com demanda global aquecida, analistas acreditam que o País pode embarcar mais de 1 milhão de cabeças nos próximos anos e assumir liderança desse mercado

Após sofrer uma baixa histórica em 2015, as exportações de gado vivo registraram em 2017 o seu segundo ano consecutivo de crescimento. Depois de ver seu até então principal cliente, Venezuela, ser assolada por uma crise econômica que perdura até os dias de hoje, o Brasil saiu à procura de novos importadores e encontrou na Turquia o parceiro ideal.

Desde 2016 os turcos são clientes frequentes do Brasil e no ano passado foram responsáveis por 55,2% da exportações brasileiras de gado em pé. “A Turquia era conhecida por ser um comprador esporádico, mas há alguns anos viu no Brasil a disponibilidade da matéria prima que precisava”, destacou a analista da Scot Consultoria, Isabella Camargo.

Atualmente, o Brasil é o quinto maior exportador de gado vivo do mundo. No ano passado o País exportou 400.664 cabeças, alta de 41,9% em relação à quantidade de animais embarcados em 2016.

O líder do segmento é o México, que em 2017 exportou 1.200.000 animais. Toda a exportação mexicana foi absorvida pelos EUA. A União Europeia ficou em segundo lugar neste mercado, tendo comercializado 1.000.000 animais no ano passado. O terceiro lugar é ocupado pela Austrália, que embarcou 800.000 animais em 2017, e em quarto lugar ficou o Canadá, com 665.000 cabeças embarcadas. 

De acordo com o analista Rodrigo Albuquerque, da NF2R, a demanda aquecida pela compra de gado vivo em todo o mundo é crescente e o Brasil pode ampliar a sua participação nesse mercado, tornando-se o maior exportador mundial em um curto espaço de tempo. “Temos totais condições de exportar mais de 1 milhão de cabeças por ano e assumir o topo do ranking desse mercado”, destacou.

Como prova do crescimento desse tipo de comercialização, Albuquerque destaca a distribuição dos embarques no Brasil. “Antes éramos restritos ao Pará. Agora temos uma grande quantidade de animais saindo via RS e SP”, disse.

Desafios - Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, também vê potencial para que o Brasil se torne o maior exportador desse mercado. No entanto, ele ressalta que a localização geográfica pode ser um grande entrave. “Os principais importadores desse mercado estão na Ásia e o Oriente Médio, o que faz com que a Austrália se beneficie diretamente dessa demanda”.

Para manter o ritmo atual de crescimento, Isabella Camargo vê como essencial a abertura de novos mercados para que o país tenha um leque maior de compradores e consiga reduzir a dependência da Turquia. “Nunca é bom estar vinculado a um só cliente, pois caso ele passe por problemas econômicos as exportações serão comprometidas”, concluiu a analista.

Outro desafio a ser superado pelo setor é a questão jurídica, evidenciada no Porto de Santos, SP, no fim de janeiro. Na ocasião, um navio com 27.000 bois foi impedido de deixar o porto após uma ação judicial de maus tratos promovida pelo Fórum Nacional de Proteção e Bem Estar Animal. O imbróglio levantou uma série de discussões relacionadas a bem-estar animal.

“O Brasil precisa otimizar e reformular os procedimentos internos e regulamentá-los o quanto antes junto a organizações internacionais. Só assim seremos capazes de solucionar essa insegurança jurídica e seremos capazes de nos tornar os maiores exportadores de gado vivo do mundo”, opinou Rodrigo Albuquerque

Em meio a esse cenário, as exportações de gado vivo iniciaram 2018 a todo vapor e a expectativa é que a atividade cresça consideravelmente no acumulado do ano. De acordo com informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, entre janeiro e fevereiro deste ano o Brasil embarcou 97.173 animais. No mesmo período no ano anterior, o País havia exportado apenas 3.000 cabeças.

 

Alisson Freitas

Foto:Ian Bastos/SUPRG




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