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O produtor de leite ao escolher as instalações que irão ser desenvolvi­das para o alojamento de vacas leiteiras, deverá considerar alguns fatores, entre estes podemos destacar: nível de inten­sificação do sistema, potencial genético do rebanho, disponibilidade de capital para investimento e preço da terra.

Uma instalação adequada per­mite que pequenas propriedades pos­sam alojar maior número de animais, intensificando o manejo e utilizando a maior área de terra para a realização de plantio. Isto implicará em quantidade maior de produção de leite por área tra­balhada.

No brasil existem diferentes sistemas de produção de leite, desde os sistemas baseados exclusivamente no uso de pastagem extensivas e intensi­vas, até os sistemas de confinamento, entre estes podemos destacar Compost Barn. Segundo Black et al. (2013) entre as razões para a implantação de um sis­tema de Compost Barn estão: conforto animal, reflexo na produção de leite, facilidade de manejo, longevidade das vacas, custo de implantação, controle de dejetos no ambiente e uso da cama como fertilizante.

O Compost Barn, também de­nominado como estábulo com material em compostagem, foi desenvolvido nos Estados Unidos na década de 80 e apre­senta crescente número nas proprie­dades leiteiras do Brasil. Este sistema trata-se de um galpão com presença de ventiladores e uma área de descanso com cama aberta comum para todas as vacas do mesmo lote, sendo esta área separada do corredor de alimentação ou cocho por um beiral de concreto.

O sistema apresenta como ob­jetivo principal melhorar o conforto e bem-estar dos animais, melhorando consequentemente os índices sani­tários e produtivos das vacas. Isso nor­malmente é importante em fazendas que passam por duas circunstâncias diferentes no mesmo ano, onde no in­verno tudo ocorre da melhor forma e o produtor apresenta excelentes números produtivos e econômicos, e por outro lado no verão onde na maioria das vez­es aumentam-se as incidências de prob­lemas de mastite clínica, patologias po­dais e retenção de placenta. Com isso, muitos produtores acabam buscando pelo confinamento em sistema Com­post Barn.

Sistema de Compostagem

O diferencial do sistema Com­post Barn é a compostagem que ocorre ao longo do tempo com o material da cama e a matéria orgânica dos dejetos dos animais. Com o processo de com­postagem ocorrerá produção de dióx­ido de carbono (CO2), água e calor a partir da degradação dos componentes orgânicos da cama. As fezes e urina das vacas fornecem os componentes orgânicos (carbono, nitrogênio, água e microrganismos) que serão primordiais para o processo de compostagem.

O oxigênio usado no processo de compostagem é resultante do re­volvimento e aeração diária que deve ser realizada na cama. Para o sucesso no processo de compostagem são necessários a manutenção de níveis adequados de oxigênio, água, tempera­tura, quantidade de matéria orgânica e atividade dos microrganismos, que produzem calor suficiente para secar o material e reduzir a população de mi­crorganismos causadores de doenças, como exemplo, podemos citar a mastite clínica e as patologias podais. Para que a umidade seja controlada, a tempera­tura da cama deve variar de 54 a 65˚C a 30 cm da superfície da cama, ou seja, o controle da temperatura da cama é uma forma de avaliação da qualidade da compostagem.

Na prática, os dejetos produzi­dos pelas vacas irão ser misturados a cama, e passar por um processo natu­ral de compostagem. A utilização do resíduo das camas, após a retirada das instalações, torna-o mais interessante e sustentável, pois o produto pode ser distribuído na área de lavoura ou ven­dido para produtores.

 

Instalações do Compost Barn

Assim como no sistema Free-stall, o Compost Barn também possui pista e corredor de alimentação com bebedouros. A diferença principal entre os dois sistemas é a área de descanso, sendo o sistema free-stall com camas individuais e no caso do Compost barn as camas são coletivas.

Para que ocorra melhor dis­tribuição e conforto das vacas, a área de cama deve apresentar entre 15 a 20 m²/vaca, para que todas tenham a pos­sibilidade de se deitar ao mesmo tempo e ainda conseguir levantar e movimen­tar-se em direção aos cochos e áreas de bebedouros. Apesar da área de 15 a 20 m²/vaca ser considerada o ideal, não é difícil encontrar sistemas em fazendas brasileiras onde as vacas apresentam área inferior a 10 m²/vaca. Desta forma é primordial que o projeto seja plane­jado com base na projeção de cresci­mento do rebanho e produção de leite. Sendo que a lotação animal quando su­perior ao preconizado poderá dificultar o controle de umidade da cama (Fávero & Pantoja, 2014).

Ainda deve haver duas saídas para a pista de alimentação de aproxi­madamente 4,0 m de comprimento, e divisória de 1,2 m de altura entre a cama e a área do cocho. Bebedouros devem ficar contra a parede de concreto que separa a área do corredor de composta­gem do corredor de alimentação, e ser­em acessadas pelo corredor de alimen­tação (JANNI et al., 2006). Sendo que os bebedouros nunca deverão ser insta­lados virados para a cama, evitando as­sim a possibilidade de molhar a cama. Ainda em relação aos bebedouros, os mesmos deverão ser facilmente limpos e rapidamente realizada a reposição do volume de água.

O telhado deve ser de material que não retenha muito calor. Sua incli­nação não deve possuir menos do que 30%, para não dificultar a circulação de ar dentro do galpão e ajudar na dis­sipação do calor gerado pelas vacas e pela cama no processo de composta­gem, e ainda deve conter lanternim coberto para que não chova dentro da instalação molhando a cama.

Segundo Shane et al. (2010) o sistema de ventilação deve ser insta­lado sobre a cama para mantê-la seca e evitando que o material possa aderir aos tetos e pernas das vacas. Além de melhorar a circulação de gases da com­postagem, controlando a temperatura do galpão e proporcionando conforto térmico às vacas. Além disso, há mel­horias na saúde geral das vacas, pois elimina poeira e pequenas partículas, que podem ocasionar futuros proble­mas respiratórios. A ventilação deve ser homogênea para evitar aglomeração de animais em algumas localidades do galpão, implicando em excesso de fez­es e urina em locais específicos. Asper­sores na pista de alimentação auxiliam e melhoram o conforto térmico das va­cas, aumentando o consumo de matéria seca.

 

Artigo publicado na Folha Agrícola na edição de Janeiro de 2017

Juliano Bergamo Ronda Mestre, Méd­ico Veterinário, Consultor em Nutrição de Ruminantes e Professor




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