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A utilização de dieta específica no período pré-parto em vacas leiteiras já não é novidade. Desde as décadas 60 e 70 já se adotavam dietas com baixa inclusão de cálcio com intuito de prevenir a febre vitular (febre do leite) no pós-parto. Com o desenvolvimento das pesquisas em nutrição animal, hoje já se pode regular a quantidade de cátions e ânions oferecidos na dieta, para efeito de otimizar algumas funções metabólicas, por exemplo a regulação do sistema ácido base.    

Sabe-se que a demanda de cálcio pela vaca no pós-parto é muito alta. Para suprir a necessidade, a concentração sanguínea de cálcio deve ser de 8,5 a 10 mg/dl. Geralmente esses valores não ultrapassam 8 mg/dl, ocasionando diversos problemas entre eles: febre do leite, retenção de placenta, edema de úbere e outros. Quando em hipocalcemia, um metabolismo de mobilização de cálcio dos ossos é acionado, mas o processo é lento e não supre a necessidade de Ca no pós-parto. A estratégia de utilizar cálcio baixo, nas dietas de pré-parto é muito efetiva. O que seria ilógico funciona da seguinte forma: com o cálcio dietético baixo, um estado de hipocalcemia é induzido. O organismo aciona a mobilização de cálcio ósseo com antecedência no pré-parto garantindo a necessidade do pós-parto.     

Entretanto, o que realmente causa hipocalcemia no pós-parto é a alcalose metabólica, uma maior concentração de cátions (Na e K) sobre os ânions (Cl e S), principalmente o potássio, que reduzem a capacidade dos tecidos (rins e ossos) responderem a hormônios que sintetizam cálcio.    

A formulação da dieta aniônica é uma forma de induzir a vaca a uma acidose metabólica. A dieta deve ser um balanço de cargas negativas. Um meio de avaliar a inclusão dos macrominerais é o pela Diferença Cátion-aniônica da Dieta (DCAD), essa é medida em miliequivalentes (meq). Existem diversas equações para calcular o DCAD, porém a mais utilizada por pesquisadores e nutricionistas é [ (Na+K) - (Cl+S) ]. O resultado da equação mostra, se a dieta fornece mais cátions (positiva em meq/kg de matéria seca) ou ânions (negativa em meq/kg de matéria seca).    

Mas qual o motivo de se utilizar uma dieta aniônica no período pré-parto? O organismo do animal tem a capacidade de manter eletro neutralidade fazendo troca de H+ por HCO3- , a saída desse bicarbonato vai acidificar o sangue.    

Quando o pH sanguíneo está baixo, várias funções fisiológicas ficam mais ativas, todas levando a um aumento das concentrações de cálcio no sangue. Destacando algumas: 
    -A excreção de HCO3- da circulação, vai drenar bicarbonato para o intestino, junto com ele o cálcio tornando mais disponível para a glândula mamária e o resto do corpo.
    -Aumento da atividade de Vitamina D e PTH vão mobilizar cálcio para a circulação, já que a atividade enzimática é facilmente alterada ao pH, possivelmente um excesso de ânions favoreça um pH intracelular favorável a síntese de enzimas.  

Dietas aniônicas devem ser fornecidas nas últimas três semanas de gestação, e pode ser regulada a partir de mensuração de pH da urina. A meta é o pH estar entre 6,2 e 6,8 em vacas Holandesas para o controle de hipocalcemia subclínica. A inclusão de ânions deve ser em pequenas parcelas de aproximadamente -50 meq/kg de matéria seca, até que o pH seja alcançado.     

Além da prevenção de hipocalcemia subclínica, alguns pesquisadores notaram que dietas com a prevalência de ânions sobre cátions, afetam algumas variáveis produtivas no período pós-parto. As vacas obtiveram uma maior ingestão de matéria seca, assim reduzindo os efeitos do balanço energético negativo, e ficaram menos dias em aberto, além de alterar a taxa de concepção das vacas que ingeriram dietas aniônicas no pré-parto.    

Porém a escolha dos sais aniônicos devemos respeitar alguns conceitos. A dieta já deve estar formulada para todos os outros nutrientes, por exemplo: proteína, energia, FDN e etc. Atentar para a escolha do sal, pois a palatabilidade é muito afetada, preconizar o uso de cloretos e sulfatos de amônio.    

Portanto a utilização de sais aniônicos pode ser a solução para problemas relacionado a síntese de cálcio.

Artigo publicado na edição de junho/16

Arthur Fernandes Isaac e Silva
 Universidade Federal de Lavras-3rLab

 




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