Jacto

Com a chegada da primavera nos Estados Unidos tem início os preparativos para a semeadura da próxima safra. Devido ao tamanho do país há grande diferença de clima entre o norte e o sul, sua localização é no hemisfério norte portanto as estações do ano são contrárias as brasileiras.  Os dados citados a seguir foram retirados do relatório anual da fazenda Cinnamon Ridge Farms referente ao ano de 2016.  Agora estamos na primavera, o verão terá início dia 1° de junho e a temperatura média do ano que se passou foi de 21°C com precipitação de 550mm, enquanto o inverno terá início dia 1° de dezembro, marcado pelas baixas temperaturas, presença constante de neve e consequentemente baixas precipitações.       

Devido à baixa temperatura do solo no momento da semeadura o preparo convencional do solo é uma prática comum, pois com o revolvimento as camadas da subsuperfície serão expostas ao sol aumentando sua temperatura rapidamente e após o plantio com condições ideais de gás oxigênio, água e temperatura o embrião da semente irá reiniciar suas atividades metabólicas desencadeando o processo germinativo, resultado em uma lavoura com emergência uniforme.     

Outros benefícios podem ser citados com essa prática agrícola como: interromper o ciclo de vida de pragas, descompactação nas camadas superficiais, matar ervas daninhas presentes e diminuir o banco de sementes, gerir resíduos de colheita que ainda podem ser encontrados na lavoura, melhorar a drenagem do solo e a incorporação do material orgânico aplicado em superfície. Salientasse que não ocorre a adubação química através de fertilizantes no momento da semeadura, inclusive as semeadoras apresentam apenas caixa de sementes, todos os nutrientes que as plântulas irão utilizar durante seu desenvolvimento inicial é oriunda da adubação realizada anteriormente na lavoura, esta pode ter origem orgânica ou não.    

Existe no mercado americano diferentes implementos que podem ser utilizados no revolvimento, inclusive os produtores podem montar seu próprio equipamento conforme seu objetivo e necessidade. Por exemplo alguns subsoladores são adaptados com discos de corte e hastes, para revolvimento do solo em camadas mais profundas, enquanto outros podem possuir adaptados injetores de gases, assim enquanto realiza a subsolagem o controle de ervas daninhas está sendo feito através da utilização de gases químicos.     

O escarificador utilizado na fazenda contém somente às hastes, no estilo do famoso “pé de pato” brasileiro, este pode ser visualizado na imagem. O objetivo é realizar o sistema de revolvimento mínimo, assim somente a camada superficial do solo é revolvida, aproximadamente sete centímetros de profundidade. Assim como John, a grande maioria dos produtores vizinhos adotam o sistema de revolvimento mínimo pois conhecem os pontos negativos dessa prática agrícola. Em áreas declivosas que aumentam as chances da ocorrência de processos erosivos não é realizado o revolvimento. A profundidade da subsolagem é outro fator importante que deve ser levado em consideração, quanto menor a profundidade menor será os danos causados pela desestruturação física do solo.       

John também comenta sobre a adoção desse sistema somente em áreas onde será semeado o milho a justificativa é que através dos anos pode perceber que o revolvimento aumenta a produtividade do milho, o que não ocorre com a soja. Pesquisas trazem que o ganho na média de produtividade entre áreas de plantio direto e áreas de plantio convencional são pequenas, por exemplo um trabalho desenvolvido pela Universidade de Nebraska resultou no aumento em 12% a produtividade do milho e 5% da soja sem que ocorresse a prática do revolvimento, porém em um situação de solos mal drenados houve perca de produtividade de 5,5% para o milho e 4% para soja. Os Estados Unidos é o maior produtor de milho do mundo, possuindo condições climáticas excelentes para a cultura, noites com temperaturas amenas e dias quentes, portanto os investimentos por parte dos produtores no cereal são maiores quando comparados a cultura da soja.     

Porém existem consequências da exposição do solo as intempéries climáticas podendo ocorrer alta perca de umidade principalmente em solos com características arenosas, os custos com combustível e mão-de-obra serão elevados, compactação em subsuperfície devido ao peso dos equipamentos, desestruturação física do solo e o grande destaque é o risco de processos erosivos. Apesar do entorno da região ser de relevo plano com poucas ondulações, os processos erosivos podem ser facilmente identificados devido à grande exposição do solo às chuvas e ventos. Como estes não possuem nenhum tipo de cobertura o impacto das gotas da chuva será maior, ocorrendo a desestruturação física e desencadeando o processo erosivo, lixiviando nutrientes e ocorrendo a deposição de solo fértil em rios e lagos.    

Da mesma maneira que os americanos tem o cuidado todo especial com a cultura do milho, nós brasileiros temos com a cultura da soja, possuindo excelentes condições de clima para a oleaginosas, dias e noites quentes. Acredito que precisamos explorar melhor nossos recursos disponíveis, arriscaria em dizer que deveríamos olhar para nosso solo de maneira especial, usufruir deste racionalmente e investir em correção e fertilidade, principalmente em adubação orgânica, pois estamos em desvantagem quando comparado aos americanos. Felizmente saímos em vantagem quando o assunto é preparo convencional do solo, não somos seguidores dessa prática agrícola pois possuímos condições climáticas favoráveis para a emergência uniforme de plântulas.

Artigo publicado na edição de Junho/17

Viviann Y. Einsfeld
Acadêmica de Agronomia – UTFPR-DV
Estagiária Cinnamon Ridge Farms e Madden Ag Services (Pioneer)
einsfeld.viviann@gmail.com




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