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Meteorologista da Somar fala sobre impactos que o fenômeno pode trazer para o Brasil, e em que momento deve provocar reflexos no regime de chuvas

Marina Salles

 

Como todos os modelos climáticos que trazem perspectivas de um futuro distante, os mapas usados para analisar a ocorrência de El Niño no segundo semestre de 2017 ainda não são conclusivos. Ainda assim, Graziella Gonçalves, meteorologista da Somar, afirma que a ocorrência do fenômeno é mais provável do que sua ausência. “Na rodada anterior a esta que acaba de ser divulgada, o modelo europeu dava como superior a 60% a possibilidade de haver um El Niño. Agora, em abril, isso caiu, mas entre o sim e o não, o sim continua prevalecendo”, diz. 

De qualquer forma, o El Niño, se acontecer em 2017, não será como aquele registrado em 2015-2016 -- que causou grandes prejuízos às lavouras e foi considerado forte. “Estamos falando de um evento climático com suas particularidades, que não deve aquecer o Pacífico de maneira uniforme”, afirma Graziella. Conhecido como El Niño Modoki, o fenômeno deste ano, que pode ter início entre julho e agosto, se caracteriza por um aquecimento maior da porção central do Oceano Pacífico, que deixará a costa da América do Sul “mais fria” em relação a essa região.

Diferente de um El Niño clássico, conforme explica Graziella, o El Niño Modoki não tende a restringir as chuvas no país à região Sul. “Esse ano, se o El Niño acontecer, estamos observando que pode haver chuvas mais volumosas perto do Uruguai a partir de outubro, sem que isso corte a chegada da umidade a outras partes do Brasil”, diz.

Ainda que surja em julho-agosto, o fenômeno leva um tempo até ser assimilado. “Com a temperatura mudando em algumas semanas logo no começo do segundo semestre, a água e a atmosfera precisarão de mais alguns meses para reagir, devendo tardar até outubro um reflexo do El Niño nas chuvas”.

Previsão para o Brasil - Se confirmado, a previsão é de chuvas menos volumosas e constantes -- do que a média em um El Niño clássico -- no Sul, podendo haver tempo seco em algumas áreas. Diferente do La Niña, o El Niño diminui a chance de ocorrerem geadas no Sul do país.

No Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas ficam mais irregulares, com chance também de estiagens regionalizadas. “Isso quer que pode chover em uma fazenda de Mato Grosso, mas não nela toda”, diz Graziella.

Já no Nordeste, um El Niño Modoki não traria uma secura tão grande como aquela de 2015, 2016, podendo chover na região mesmo que não de forma duradoura e generalizada. “A boa notícia é que não haverá uma condição de seca total”, completa a climatologista. “Considerando o contexto de secas sucessivas que a região enfrenta”, o cenário é menos otimista, ela pontua. 

Portal DBO




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