Jacto

Apesar de ser comum ouvirmos a afirmação de que capim mais alto é sinônimo de maior produção e qualidade, estudos indicam que quando a taxa de senescência se iguala à taxa de crescimento foliar, a produção líquida de forragem é igual a zero. A partir deste ponto, o qual chamamos de rendimento teto da pastagem, o acúmulo que teremos será de colmo e material morto. 

 

PASTEJO ROTATIVO: 

Consiste em respeitar os limites morfológicos e fisiológicos da planta forrageira, visando uma maior eficiência de colheita desse pasto pelos animais, mantendo condições para que ocorra uma boa rebrotação. Seguindo este raciocínio, um experimento com capim-Mombaça, demonstrou que o momento ideal de entrada dos animais no pasto é quando a forrageira atinge uma altura na qual intercepta 95% da luminosidade. 

Em outro experimento com capim Tanzânia, concluiuse que essa condição se dá quando o pasto atinge 70cm de altura; foram comparados três sistemas, com a colheita ocorrendo com 90, 95 e 100% de interceptação luminosa, em torno de 60, 70 e 80cm respectivamente,  até 25 ou 50cm de resíduo. Dessa forma, o número de ciclos de pastejo diferiu, sendo menor para o pasto manejado mais alto, com 100% de IL, função do maior tempo de descanso para o dossel atingir a altura meta.  A massa de forragem total (Kg MS/ha) foi maior para o tratamento de 100% de IL, porém no início do pastejo apresentou maior quantidade de colmo e material morto. Além disso, os ciclos de pastejo foram maiores, não ocasionando grandes produções. Em relação ao acúmulo total de forragem durante as épocas do ano, o maior foi registrado para o tratamento com 95% de IL e 25cm de resíduo, o qual também apresentou maior produção de folhas. O mesmo teve maior acúmulo de matéria seca e de folhas durante o período experimental. 

O tratamento 90/50, mostrou o menor acúmulo de MS total durante o período experimental, devido a menor quantidade de folhas para o aproveitamento da radiação incidente, indicando que também não é vantagem colhermos a forragem antes da hora, pois estamos perdendo produção. O estudo também mostrou que quando trabalhamos com maior intervalo de tempo entre os pastejos, diminuindo o número de ciclos e deixando que a forragem ultrapasse os 95% de IL, observamos maior acúmulo de colmo no tratamento que a altura de entrada era quando a forragem atingia praticamente 100% de IL. 

No mesmo sentido, outro pesquisador, ao manejar capim-Mombaça com alturas de pré-pastejo respeitando 95% de IL e 100% de IL, com resíduos de 30 e 50cm, encontrou maiores participações de haste e material morto nos pastos manejados mais altos, ultrapassando 95% de IL, mostrando a menor eficiência de produção quando não nos atentamos à altura de entrada. Adicionalmente, observando que pastos manejados com 95% de IL apresentaram taxas de expansão foliar constantes,  os tratamentos a 100% de IL tiveram queda na taxa de expansão e que a senescência aumenta consideravelmente após os 95% de IL, presume-se que passa a ser interessante a interrupção da rebrotação por meio do pastejo. 

Assim, podemos concluir que precisamos começar a tratar de nossos pastos como tratamos de qualquer outra cultura, nos atentando ao manejo correto e ao momento ideal de colheita, que se negligenciado pode impactar negativamente em nosso resultado. Além disso, sabendo que o momento ideal de entrada para pastejo é quando as plantas atingem 95% de IL e essa tem alta relação com altura de manejo, este pode ser um parâmetro para nos ajudar nas situações do dia a dia. Conforme as estações do ano, as taxas de crescimento das plantas vão acompanhando essas mudanças e é essencial entendermos que as alturas de manejo serão alcançadas em diferentes intervalos de tempo. Dessa forma, o manejo fixado em dias não é o mais apropriado. 

 

Lembrete:

É importante se atentar sempre à fertilidade do solo, porque quanto mais intensivo for o manejo dos pastos, maior é a extração e exportação de nutrientes, e dessa maneira temos que repor no solo, senão corremos risco de degradar os pastos, porque só explora o solo e não repõe nutriente.

 

Bruno Gottardi 

Especialista em Produção 

de Gado de Corte Rehagro




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