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A nutrição durante a fase de recria é fundamental para o desenvolvimento do animal para que ele possa expressar o máximo do seu potencial genético. Animais nesta fase de desenvolvimento possuem maior potencial de crescimento, e a nutrição é o principal influenciador. No período seco ocorre redução na quantidade e qualidade das forragens. Assim, as estratégias de suplementação são fundamentais para o sucesso da atividade.

Com objetivo de garantir bons índices produtivos para a pecuária brasileira, a Premix busca alternativas viáveis para aumentar o desempenho de bovinos durante a fase de recria, onde manter bons índices produtivos e com lucratividade durante o período seco é um dos maiores desafios da pecuária de corte.

Para tal, é necessário compreender o ciclo da seca e assim poder realizar o planejamento estratégico de utilização e manejo do pasto, bem como da suplementação. A seca é caracterizada pela diminuição na produção e valor nutricional das forragens que acontece devido a senescência da planta (final do ciclo), associada com a diminuição nos índices pluviométricos, redução da temperatura ambiente e menor foto período (dias curtos).

O diferimento estratégico de pastagens pode ser uma alternativa para suprir a oferta de pasto no período seco, porém é necessário aumentar a lotação em algum ponto da fazenda. Logo, com essa técnica, a propriedade deixa de ofertar uma forragem com alto valor nutricional para ofertar quando ela está senescente, deixando-a exposta a problemas, devido ao aumento de pressão de pastejo. Problemas climáticos como geadas e chuvas fora de período podem ocorrer prejudicando esta estratégia.

A integração lavoura e pecuária ou pastagens de inverno podem ser complementares ao sistema quando a região for favorável no quesito clima.

A irrigação é uma opção também utilizada, porém, além do investimento em recursos hídricos e licenças, a duração do período de luz e a temperatura são menores durante a seca. Logo o crescimento vegetativo pode ser insuficiente.  

A Premix, pensando na melhor alternativa para suplementar a carência dos nutrientes no período seco, mantendo bons ganhos de maneira eficiente e rentável, desenvolveu o Projeto R30. 

O Projeto R30 parte do princípio de se manter a produtividade do rebanho no período seco, podendo produzir pelo menos 30@/ha/ano durante a fase de recria. Para isso, é necessário complementar a oferta de volumoso na época seca em combinação com o proteico energético PSAI, aditivado com o Fator P, aditivo 100% natural, que favorece o ganho de peso em até 20%, melhora a reprodução das matrizes e pode reduzir o manejo sanitário, melhorando a resposta imunológica do animal.

O manejo de pasto é muito importante para sucesso do Projeto R30, para o qual a referência é a quantidade e a qualidade de folhas disponíveis, lembrando que bovinos consomem preferencialmente 2/3 iniciais da folha onde estão concentrados a maior parte dos nutrientes disponíveis. Desta forma, correção do solo, adubação nitrogenada e manejo de pasto são ferramentas fundamentais para início do projeto.  

Outro princípio desse projeto é de utilizar o conceito de “Unidades Produtivas”, representando um animal (cabeça), cujo foco é a produção de arrobas por hectare por ano. Assim, os ganhos por hectare são a consequência dos ganhos individuais somados. Veja: R30 = (∑ ganhos individuais/ha). Mas como o produtor consegue aumentar a rentabilidade?

 • Aumento dos ganhos individuais – melhor suplementação (PSAI com Fator P);

• Aumento das unidades produtivas (mínimo de 4 animais/ha/ano) com incremento da lotação (animais leves em recria);

• Redução da área – melhor qualidade do volumoso ofertado;

• Correção do solo;

• Adubação;

• Conservação de forragens (silagens ou fenos) para complementar oferta volumosos durante a época seca.

É necessário, portanto, combinar a suplementação com linha PSAI aditivada com Fator P ao aumento de animais em recria, manejo de pasto e complementação de volumoso na época seca.  A rentabilidade será maior quanto maior for o número de animais em recria em menor área, lembrando que nem sempre o melhor ganho individual representa o melhor ganho por hectare. 

O Projeto R30 foi desenvolvido no Centro de Pesquisas da Premix, localizado no município de Patrocínio Paulista (SP). Foram utilizadas quatro unidades produtivas por hectare, em pastejo contínuo, utilizando-se Brachiaria brizantha como forragem. 

Como suplemento foi utilizada a linha PSAI aditivada com Fator P durante 12 meses, com oferta limitada de 1,25 kg/animal/dia. Os piquetes de Brachiaria brizantha foram adubados com 80 kg de nitrogênio por hectare, considerando que o solo já estava corrigido. A complementação do volumoso durante a época de seca foi limitada em 8 Kg de silagem de milho por animal dia.

As barras em amarelo representam os ganhos ocorridos durante a complementação do pasto com silagem de milho. Vale destacar que no mês de junho existia a tendência de manutenção ou perda de peso durante a seca, porém, com o início do fornecimento da silagem no mês de julho, os ganhos voltaram a acontecer, sendo tão importantes quanto os ganhos na época das águas. Logo, é possível manter a produção na época seca com rentabilidade. Produções acima de 12@/ha/ano são consideradas importantes, pois já possuem competitividade com a agricultura. Porém, quando comparada à produção Projeto R30, a rentabilidade é superior em pelo menos 50%.

Finalizado o ciclo de recria, é importante terminar os animais em outra área para dar início ao novo ciclo do Projeto R30. Com uma recria eficiente e lucrativa a terminação pode ocorrer em semi confinamento, confinamento próprio ou terceirizado, pois o lucro dos animais já foi garantido na fase de recria, sendo menos dependente do mercado de commodities.

Artigo publicado na Edição de Agosto/17

André Pastori D’Aurea é zootecnista, doutor em nutrição animal e consultor técnico da Premix




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