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12 de janeiro de 2026 - 10:09h

A Folha Agrícola

Família guarujaense encerra atividade leiteira após 40 anos

Além de uma atividade econômica, havia uma paixão envolvida, Ingrid Mühl conta que sente saudades do contato direto com as vacas, pois cresceu vendo seus pais dedicarem ao setor. (Foto: Divulgação)

O que começou com uma decisão ousada, após 40 anos, a família Mühl, de Guarujá do Sul, decidiu encerrar as atividades leiteiras devido a inconstância do preço do litro de leite

Depois de quatro décadas dedicadas à produção de leite, a família de Sérgio Mühl, de 56 anos, e Roseli Mühl, de 52 anos, moradores do interior de Guarujá do Sul, vive um dos momentos mais difíceis de sua trajetória, encerrar uma atividade que não era apenas um trabalho, mas um modo de vida. Quem conta essa história é a filha do casal, Ingrid Mühl, de 25 anos, que cresceu no meio das vacas e viu seus pais dedicarem a vida inteira ao setor.

Tudo começou quando Sérgio, então caminhoneiro, tomou uma decisão ousada e vendeu seu caminhão para investir na produção de leite. A filha destaca essa decisão como uma escolha corajosa, e a partir dali a atividade passou a ser o sustento e a identidade da família. Vieram tempos bons, em que o preço do litro era justo e as contas fechavam.

Mais do que uma atividade econômica, havia paixão envolvida. A família sempre gostou de lidar com os animais e nunca hesitou em investir no bem-estar deles: “Vacas bem cuidadas produzem mais, e nós sempre acreditamos que o retorno vinha do cuidado”, destaca Ingrid.

A família chegou a ter 60 vacas em lactação, porém com o tempo optaram por reduzir o número e focar em qualidade, mantendo 42 animais que produziam em média 33 litros por dia. Durante muitos anos, o trabalho foi inteiramente familiar, depois com o avanço da idade e dos problemas de saúde, Sérgio e Roseli contrataram um casal para ajudar, aliviando o peso das tarefas diárias.

Quando o amor pelo trabalho não vence as contas

A atividade leiteira sempre teve altos e baixos, mas nos últimos anos a instabilidade se agravou. O preço pago ao produtor despencou, enquanto os custos só aumentaram: “A verdade é que, hoje quem não investe em estrutura e conforto animal dificilmente se mantém. O bem-estar das vacas gera custos e em regiões quentes como a nossa, investir em ventilação, aspersão, confinamento e água de qualidade deixou de ser opção, é obrigação. Uma vaca em estresse térmico não produz e não reproduz”, explica Ingrid.

Ingrid conta que quando o litro de leite chegou a R$ 4, era possível cobrir os custos e ainda sobrar algo, mas com o preço atual se tornou praticamente impossível de se manter. Quando a família decidiu encerrar as atividades, o preço do litro do leite era em torno de R$ 2,20.

A filha do casal destaca que o encerramento da atividade não foi uma desistência, foi um ato de resistência até o limite. Ela conta que foram dias de debate, cálculos, previsões negativas e muitas noites sem dormir: “Foi uma das decisões mais difíceis das nossas vidas. Choramos muito quando o assunto surgiu, pois nunca imaginamos que esse dia chegaria. Sempre acreditamos que a atividade continuaria por muitas gerações. Doeu e ainda dói, porque tudo o que conquistamos foi através das vacas”.

A realidade se impôs, quando as previsões mostraram que continuar seria como acumular dívidas impagáveis. O momento mais difícil para a família Mühl, foi quando a ficha caiu e viram as vacas sendo carregadas. De repente uma rotina de cerca de 40 anos, se tornou apenas uma lembrança e um silêncio ensurdecedor que ecoa pelo galpão, que antes comportava diariamente 42 vacas.

Um futuro ainda indefinido, mas com esperança

Sem planos concretos para os próximos passos, a família sabe apenas que o ciclo que se encerrou abriu espaço para novos caminhos. Ingrid acredita que o setor precisa mudar e que o produtor merece mais valorização: “O produtor tem muitos custos para manter a qualidade, mas não é valorizado por isso”.

Mesmo assim, o sentimento não é de revolta, mas de gratidão. Gratidão por tudo que as vacas proporcionaram, pelas conquistas e pelas lições. “O cenário do leite segue incerto, por isso desejamos força, sabedoria e sorte a todos que ainda permanecem lutando nessa fase difícil. E se tem algo que mais deixará saudade, é o contato diário com as vacas. Elas são animais inteligentes, sensíveis e nos ensinaram lições que levaremos para a vida toda”, conclui Ingrid Mühl.

Fonte: Jornal Sentinela do Oeste

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Milho

R$ 69,02

Soja

R$ 133,99

Trigo

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Feijão

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Boi

R$ 306,40

Suíno

R$ 7,88

Leite

R$ 2,74

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