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13 de janeiro de 2026 - 12:02h

A Folha Agrícola

Com apoio da certificação RTRS, FAPCEN leva desenvolvimento social às comunidades e povos tradicionais no estado do Maranhão

Mais de 60% da soja produzida no Maranhão e no Piauí é certificada RTRS e gera recursos para melhoria de gestão, capacitação, segurança alimentar, aumento da produtividade de diferentes cultivos e valorização dos povos tradicionais

A Mesa Global de Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy – RTRS) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (FAPCEN) vêm consolidando um modelo de atuação que alia desenvolvimento do agronegócio, responsabilidade social e valorização das comunidades indígenas e tradicionais no Maranhão.

O Padrão RTRS para Produção Responsável de Soja garante que a soja certificada atenda aos mais altos critérios ambientais (incluindo desmatamento zero e conversão zero verificados por terceiros) e cumpra um amplo conjunto de requisitos sociais e trabalhistas, estabelecendo o respeito aos costumes e culturas dos povos indígenas.

De acordo com a superintendente da FAPCEN e membro do Comitê Executivo da RTRS (Mesa Redonda da Soja Responsável), Gisela Introvini, as ações de capacitação e dias de campo promovidos pela FAPCEN têm sido decisivos para levar conhecimentos com tecnologias sustentáveis e de alta produtividade, permitindo o acesso ao conhecimento de como produzir e obter maior produtividade a populações historicamente excluídas.

“A FAPCEN é uma fundação de pesquisa sem fins lucrativos que atua de forma transparente e integrada com produtores, comunidades e instituições. Nosso objetivo é garantir que o desenvolvimento do agro gere benefícios reais dentro e fora da porteira”, realça.

De acordo com Gisela, a experiência da FAPCEN tem inspirado produtores certificados RTRS a ampliarem suas responsabilidades ao entorno das propriedades certificadas. Devido a esse olhar amplo, a certificação além de um selo, é compromisso com pessoas, comunidades e o futuro do agro brasileiro.

Eventos do agro como ferramentas de inclusão

Além do AgroBalsas, um dos dez maiores eventos do agronegócio do Brasil que chega à sua 22ª edição, a FAPCEN promove projetos denominados, Agro Cidades e Agro Comunidades, realizados através de dias de campo, onde são semeados a diversificação de cultivos altamente produtivos com apoio da RTRS. Os eventos são abertos a pequenos produtores, empresários rurais, estudantes da rede pública e privada e moradores de comunidades tradicionais.

Nessas iniciativas, os participantes têm acesso a informações sobre saúde, segurança, legislação ambiental e trabalhista, agricultura sustentável e regenerativa. Em vitrines vivas, são demonstradas novas tecnologias, sementes melhoradas, genética animal e práticas agrícolas que elevam a produtividade no campo, sempre alinhadas aos princípios e critérios da RTRS.

Certificação RTRS e desenvolvimento local

Mais de 60% da soja produzida no Maranhão e no Piauí já é certificada RTRS, um marco que, segundo Gisela, fortalece uma nova narrativa do agronegócio brasileiro. Parte dos recursos provenientes da certificação é direcionada para ações sociais, após diagnósticos gratuitos realizados pela FAPCEN nas propriedades rurais.

“Os produtores certificados colaboram com melhorias nas fazendas e também com projetos comunitários. Os recursos são revertidos em distribuição gratuita de sementes de melhor genética, tratos culturais, diversificação de cultivos e apoio a pequenos produtores que não cultivam soja”, explica.

O trabalho junto aos povos tradicionais respeita os modos de vida e a cultura local. Em regiões onde a caça foi extinta e o fogo compromete habitats naturais, a introdução de tecnologias agrícolas tem garantido segurança alimentar a comunidades que antes enfrentavam a fome. “Os resultados obtidos nos últimos dois anos são surpreendentes e nos motivam a ampliar essas ações”, destaca Gisela.

Produção de alimentos e pesquisa no campo

A mandioca é o principal cultivo e base alimentar das comunidades atendidas. A FAPCEN desenvolve pesquisas a campo com variedades de manivas, testando tratos culturais para alcançar altos tetos produtivos em distintos solos e climas. Também fazem parte dos estudos cultivares de milho, capins e culturas alternativas como girassol, amendoim, gergelim, crotalária, milheto, sorgo e arroz.

Conexão feminina atuando nas comunidades

Outro pilar da atuação é o programa feminino, que conecta mulheres do agro a profissionais da saúde, da academia, do comércio e do sistema jurídico. Essa rede atua diretamente nas comunidades, promovendo cursos, palestras e atendimentos básicos voltados a mulheres e crianças.

“São essas mulheres, muitas delas das universidades, que levam conhecimento técnico e social às comunidades, garantindo que as técnicas de plantio e produção resultem em autonomia econômica e melhoria da qualidade de vida”, ressalta Gisela.

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Mais informações: https://responsiblesoy.org/