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21 de janeiro de 2026 - 10:05h

A Folha Agrícola

Bioinsumos avançam na hortifruticultura gaúcha e entram no manejo de tomate e uva

Soluções biotecnológicas ganham espaço como complemento ao manejo tradicional

Em um segmento em que qualidade, padronização e sanidade pesam tanto quanto volume, produtores de hortifrúti (HF) no Rio Grande do Sul têm ampliado o uso de soluções biotecnológicas, como ferramenta complementar ao manejo convencional dos cultivos. A tendência aparece em relatos de campo que apontam plantas mais vigorosas e ganhos de produtividade em áreas com tomateiros e parreirais, além de melhora na brotação e no aspecto geral da lavoura, percepção que vem puxando o interesse por ferramentas biológicas no manejo do dia a dia. “Esse ano aqui, se você ver, dá uns 30% a mais na produção”, afirma o Sr. Márcio Vizentin, produtor da região de Flores da Cunha (RS), ao comentar os resultados observados na propriedade.

A movimentação acontece em paralelo ao crescimento do setor no país. Um levantamento divulgado pela CropLife Brasil aponta que a utilização de bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/2025, alcançando 156 milhões de hectares, e elevando a taxa média de adoção por área para 26%. No recorte institucional, o tema ganhou corpo com políticas públicas: o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) destaca que o Programa Nacional de Bioinsumos tem por objetivo “ampliar e fortalecer a utilização de bioinsumos” para promover o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira.

No discurso do setor, a aposta é combinar nutrição e biologia para sustentar o potencial produtivo sem depender apenas do manejo químico. Flávio Copatti, representante da Superbac na região Sul do País, descreve que os fertilizantes biotecnológicos “fornecem macro e micronutrientes, aliados a um condicionador biológico de solo rico em bactérias positivas para as plantas”, proposta que mira o fortalecimento do sistema solo-planta em diferentes cultivos, incluindo HF. A empresa sustenta que a tecnologia atua como condicionador biológico do solo, buscando favorecer uma microbiota mais saudável e melhorar a eficiência de absorção de nutrientes, um argumento que conversa diretamente com as demandas do HF, onde vigor vegetativo, pegamento, uniformidade e sanidade costumam definir o resultado comercial.

No mercado, o crescimento também aparece nos números. Segundo a Kynetec (FarmTrak Bioinsumos 2024/25), repercutida pela Forbes Agro, os defensivos de base biológica movimentaram R$ 4,35 bilhões na safra 2024/25, alta de 18% sobre o ciclo anterior, um termômetro de que o interesse por soluções biológicas segue em alta, inclusive como complemento ao manejo tradicional.

“Para o hortifrúti, a aposta em biológicos costuma ser guiada por três fatores: a necessidade de sanidade e aparência, a busca por redução de perdas e o interesse em manejos mais equilibrados, especialmente em regiões de produção intensiva”, destaca Copatti. Na prática, agrônomos e empresas do setor tendem a defender que o papel dos bioinsumos é complementar, integrando nutrição, solo e proteção de cultivos, e não uma troca automática de todo o sistema.