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21 de janeiro de 2026 - 15:04h

A Folha Agrícola

Comércio internacional: gestão de riscos segue na prioridade das lideranças do agro

Volume de comércio com o Irã e possíveis tarifas dos EUA elevam importância de gestão e planejamento no agronegócio brasileiro

O agronegócio brasileiro mantém uma participação relevante nas exportações destinadas a regiões como o Oriente Médio, incluindo o Irã, com foco no fornecimento de produtos agrícolas e agroindustriais. De acordo com dados do sistema de estatísticas de comércio exterior desse setor brasileiro (Agrostat), em 2025, as exportações nacionais para o país somaram US$2,9 bilhões, com destaque para cereais, soja, milho e açúcar. 

Nesse contexto, recentes sinalizações do governo dos Estados Unidos sobre a possibilidade de aplicação de tarifas de 25% a países que mantêm relações comerciais com o Irã passaram a ser acompanhadas com atenção por agentes do mercado. Embora não haja, até o momento, uma medida formal implementada, o tema entrou no radar de produtores e exportadores por seu potencial de influenciar decisões estratégicas no comércio global. 

Segundo Leciane Batista, diretora de Agronegócio da Falconi, o principal desafio para o agro é lidar com um ambiente cada vez mais volátil. “Mesmo quando ainda se trata de uma discussão em nível internacional, o mercado começa a reavaliar riscos, contratos e estratégias. Por isso, é importante que o produtor esteja preparado para diferentes cenários. O risco passa a fazer parte do dia a dia do negócio e saber gerenciá-lo é um ponto importante”, afirma. 

O cenário internacional se soma a outros fatores que já exigem maior disciplina no campo, como juros elevados, volatilidade cambial, custos de produção mais altos e questões climáticas. “O produtor rural está sendo impactado por variáveis que fogem completamente do seu controle. Por isso, a gestão e o planejamento deixam de ser diferenciais e passam a ser fundamentais para a sustentabilidade do negócio”, explica Leciane.  

Diante de um ambiente global mais dinâmico, a especialista recomenda algumas práticas para fortalecer a tomada de decisão no agronegócio: 

  • Planejamento com múltiplos cenários: sempre considerando diferentes combinações de preços, tarifas e condições de comércio, para minimizar surpresas e apoiar decisões mais seguras. 
  • Rigor no controle financeiro: conhecer profundamente custos, fluxo de caixa e margens, permitindo ajustes rápidos diante de choques externos. 
  • Diversificação de mercados: reduzir a dependência de poucos destinos comerciais diminui a exposição a riscos geopolíticos e tarifários. 
  • Instrumentos de mitigação de risco: uso de hedge cambial e outras ferramentas financeiras pode suavizar impactos de flutuações externas. 
  • Aprimoramento de eficiência operacional: investimentos em tecnologia e produtividade ajudam a sustentar competitividade, independentemente de barreiras externas. 

“O agro brasileiro já mostrou sua capacidade de adaptação diante de crises. Mas, o contexto atual exige um nível ainda maior de maturidade na gestão. As tensões geopolíticas e as barreiras comerciais podem surgir de forma repentina. Quem estiver mais bem preparado, com planejamento sólido e decisões baseadas em dados, terá mais condições de atravessar esse cenário com resiliência”, conclui.

Sobre a Falconi

Fundada no Brasil em 1984, a Falconi é a maior consultoria brasileira de gestão empresarial. Com tecnologia de ponta e inteligência de dados para acelerar a geração de valor sustentável para seus clientes, atua em mais de 50 diferentes setores econômicos. Seu portfólio inclui mais de 10 mil projetos em 42 países, e a consultoria se destaca por sua capacidade de implementação nos níveis estratégico (estratégia, modelo de negócios e estrutura organizacional), tático (implementação e alinhamento de processos e metas) e operacional (alinhamento e monitoramento de operações).