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23 de janeiro de 2026 - 11:40h

A Folha Agrícola

Acordo Mercosul-União Europeia: ganhos econômicos e o desafio da sustentabilidade

Por Evandro A. S. Grili Após mais de duas décadas de negociações, a aprovação do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico nas relações comerciais internacionais. O tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando dois blocos que, juntos, reúnem mais de 700 milhões de consumidores e parcela relevante do PIB global. O acordo prevê a redução gradual e, em muitos casos, a eliminação de tarifas sobre cerca de 90% dos bens comercializados entre as partes, ampliando o acesso do Mercosul a um mercado sofisticado e de alto poder aquisitivo, ao mesmo tempo em que abre espaço para a expansão de produtos industriais, serviços e tecnologias europeias.

Para o Brasil e os demais países do Mercosul, os benefícios incluem a ampliação das exportações, especialmente de produtos agrícolas e commodities, a redução de custos e maior previsibilidade nas relações comerciais, o estímulo a investimentos estrangeiros e a integração a cadeias globais de valor, além da diversificação de parceiros em um cenário geopolítico instável. Do lado europeu, o acordo tende a aumentar a competitividade de bens industriais, favorecer a expansão de empresas em mercados emergentes, garantir acesso a matérias-primas estratégicas e reforçar a posição da União Europeia como polo global de comércio e tecnologia.

Ao mesmo tempo, o tratado impõe desafios relevantes às empresas brasileiras, sobretudo no campo da sustentabilidade ambiental. Alinhado ao European Green Deal, o acordo traz exigências rigorosas relacionadas a ESG, rastreabilidade, combate ao desmatamento, redução de emissões de carbono e uso responsável do solo. Na prática, o acesso preferencial ao mercado europeu demandará elevado nível de compliance ambiental, com investimentos em governança, certificações e transparência das cadeias produtivas, impactando especialmente setores como agronegócio, mineração e indústria de base. Embora isso represente custos adicionais no curto prazo, a sustentabilidade consolida-se como fator estratégico de competitividade, capaz de gerar reputação internacional, acesso a novos mercados e melhores condições de financiamento.

O Acordo Mercosul–União Europeia vai além da redução tarifária e sinaliza uma nova etapa de integração econômica, na qual crescimento e sustentabilidade caminham juntos. O desafio brasileiro será transformar exigências ambientais em oportunidades de modernização, inovação e posicionamento global. Presente na Europa desde 2018, com sede em Portugal, o escritório Brasil Salomão atua no apoio a empresários brasileiros interessados em fazer negócios no continente europeu e está preparado para assessorar clientes nas diversas áreas jurídicas, tanto brasileiros que buscam oportunidades na Europa quanto europeus interessados no Mercosul.



Evandro A. S. Grili é advogado, sócio e diretor-executivo do Brasil Salomão e Matthes Advocacia

Crédito – Joel Silva

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