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12 de fevereiro de 2026 - 15:13h

A Folha Agrícola

Carne vermelha ganha novo status na política alimentar internacional

Novas orientações nutricionais nos Estados Unidos alteram prioridades de consumo e proteínas animais ganham espaço

Por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil

Os Estados Unidos mudaram oficialmente suas diretrizes de alimentação e passaram a recomendar maior consumo de proteínas animais, incluindo a carne bovina, por meio do documento “Dietary Guidelines for Americans 2025-2030”. A revisão desloca o eixo das recomendações da pirâmide nutricional, reduzindo o protagonismo histórico dos carboidratos refinados e dos alimentos ultraprocessados e recolocando alimentos de alta densidade nutricional no centro da política de saúde pública. Como maior referência global nesse campo, a decisão tende a influenciar padrões de consumo e mercados internacionais, abrindo espaço para países produtores de proteína animal, como o Brasil. É um movimento que merece atenção e reconhece o que já defendemos há muito tempo: a carne é um alimento essencial para as pessoas.

O novo direcionamento reconhece que alimentos integrais, especialmente os de origem animal, exercem papel central no funcionamento metabólico humano. Carnes (assim como ovos, pescado e laticínios integrais) passam a ser tratadas como fontes estruturais de nutrientes essenciais, deixando de ocupar posição secundária nas recomendações norte-americanas.

Nesse contexto, a carne vermelha é reposicionada como alimento completo, capaz de oferecer proteína de alto valor biológico, minerais biodisponíveis e vitaminas fundamentais para saciedade, manutenção da massa muscular e equilíbrio metabólico ao longo da vida.

Esse reposicionamento vem acompanhado de uma sinalização política explícita. Robert F. Kennedy, Jr., secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, e Brooke L. Rollins, secretária do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, afirmando dizem que, “associada a uma redução drástica de alimentos ultraprocessados, carregados de carboidratos refinados, açúcares adicionados, excesso de sódio, gorduras prejudiciais e aditivos químicos, essa abordagem pode mudar a trajetória da saúde de milhões de americanos”. Ainda na apresentação do relatório, eles destacaram que “estamos realinhando nosso sistema alimentar para apoiar agricultores, pecuaristas e empresas americanas que cultivam e produzem comida de verdade”.

Sim, carne é comida de verdade!

Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial de carne bovina, essa mudança tem peso estratégico – e vai além do debate sobre saúde humana. A valorização da carne em diretrizes internacionais fortalece a posição do país em um mercado cada vez mais atento à densidade nutricional, à rastreabilidade e à eficiência produtiva. E a raça Nelore, responsável por cerca de 80% do rebanho de corte nacional, sustenta a base da produção pecuária e reúne atributos alinhados às novas exigências globais, como adaptação climática, produtividade, escala e capacidade de atender diferentes mercados consumidores. Sem dizer sua composição, com teores ideias de gordura, fibras, ferro e uma série de ingredientes saudáveis.

Do ponto de vista nutricional, a carne bovina brasileira apresenta perfil robusto. A cada 100 gramas de acém – o corte mais consumido do país – há quase 20 gramas de proteína, além de uma ampla oferta de micronutrientes essenciais. Zinco, ferro, fósforo, magnésio, potássio, cálcio e vitaminas como B12, B6, B3, B2, B1, A e D compõem um conjunto nutricional relevante, conforme a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, criada pela Rede Brasileira de Dados de Composição de Alimentos em parceria com a Universidade de São Paulo e centros de pesquisa nacionais.

A valorização da proteína animal nas diretrizes internacionais impõe um desafio claro ao país. Não basta reconhecer a mudança; é preciso acompanhá-la com políticas públicas, incentivos à produção e valorização do sistema pecuário. O Brasil reúne condições únicas para ampliar sua contribuição à segurança alimentar global, com escala, eficiência e sustentabilidade.

Iniciativas conduzidas pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), como o incentivo à seleção dos melhores animais por meio de programas de melhoramento genético baseados na avaliação de reprodutores e análise de carcaças realizada no maior campeonato do gênero no mundo, o Circuito Nelore de Qualidade, demonstram que a base produtiva já está estruturada e em constante evolução. Com apoio institucional e diretrizes alinhadas à nova realidade nutricional, o Brasil conquista ainda melhores condições para consolidar seu papel como fornecedor de proteína animal de alta qualidade para alimentar o mundo. E esse alimento tem sabor de carne Nelore.