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13 de abril de 2026 - 14:43h

A Folha Agrícola

Integração internacional no agro abre novas fronteiras de negócios

Mesmo como concorrentes globais em commodities, Estados Unidos e Brasil podem ampliar oportunidades por meio da troca de conhecimento, tecnologia e estratégias de mercado

A agricultura mundial tem sido profundamente moldada pela força produtiva de dois gigantes: os Estados Unidos e o Brasil. De um lado, o modelo norte-americano se destaca pela alta tecnologia, eficiência operacional e liderança global na produção de grãos. Do outro, o Brasil consolida-se como um verdadeiro celeiro do mundo na produção de alimentos, impulsionado por sua diversidade, crescente inovação no campo e capacidade de produzir até três safras por ano.

Embora concorram em diversas commodities, esses dois países compartilham desafios e oportunidades que vão além da disputa por mercado. A integração entre as culturas agrícolas americana e brasileira abre espaço para a troca de conhecimento, adoção de boas práticas e geração de valor especialmente para empresas e agroindústrias brasileiras que buscam ampliar sua competitividade em escala global.

De acordo com Márcio Barboza, técnico em agricultura, gerente de exportação e vendas internacionais e especialista em expansão de mercado, planejamento estratégico e liderança de equipes, essa integração é sempre importante. “Não importa se é no preparo de solo ou em qualquer outra atividade: para atuar nos Estados Unidos, é fundamental entender suas peculiaridades se integrar a cultura local”, diz.

Segundo ele, os Estados Unidos são formados por uma diversidade cultural significativa, o que também se reflete no ambiente de negócios. “Cada estado tem suas características próprias. Em algumas regiões, principalmente no Sul, as relações são mais reservadas no início, mas, à medida que a confiança é construída, a proximidade cresce de forma consistente”, explica o especialista.

Importância da pesquisa de mercado

Para empresas que desejam acessar o mercado norte-americano, a pesquisa de mercado é um passo essencial. Compreender as características regionais, os perfis produtivos e as demandas específicas podem reduzir significativamente as barreiras de entrada. “Conhecer bem o produto e avaliar se ele se encaixa no mercado almejado é fundamental”, explica Barboza.

Não é recomendável, segundo o consultor, tentar inserir soluções voltadas para soja ou milho em regiões onde essas culturas não são expressivas, como na Califórnia, por exemplo. Nessa região já há mais oportunidades para segmentos específicos. “Quem atua com soluções para fruticultura, amêndoas e cultivos similares, a região pode ser estratégica”, destaca.

Outra recomendação é utilizar informações disponíveis online para mapear o mercado antes de ir a campo. “É possível acessar sites de revendas americanas, conhecer seus estoques, entender o tipo de maquinário utilizado e a potência de tratores mais comum em cada área, isso faz toda a diferença na abordagem comercial e torna as visitas presenciais muito mais assertivas”, orienta o profissional.

Além disso, ter uma base ou parceiro local nos Estados Unidos é um diferencial competitivo importante. “Os americanos valorizam muito a garantia de reposição de peças e suporte. Ter estoque local ou uma estrutura de apoio pode facilitar muito a entrada no mercado”, acrescenta.

Desafios

Entre os principais desafios para as empresas brasileiras está a comunicação. Dominar o idioma inglês é essencial para estabelecer relações comerciais sólidas, afinal a fluência facilitará a abertura de portas e fortalece a confiança nas negociações.

Outro ponto importante a se atentar é sobre às exigências logísticas e regulatórias. A boa notícia é que nesse ponto já há empresas especializadas locais que oferecem suporte completo, desde o transporte até o desembaraço aduaneiro. “Grande parte da operação pode ser terceirizada, o que facilita o processo de internacionalização”, explica Barboza.

Melhores oportunidades

Segundo o gerente de exportação, o segmento de componentes para o mercado de reposição (aftermarket) representa uma porta de entrada estratégica para empresas brasileiras. “É um caminho mais acessível do que tentar ingressar diretamente com máquinas ou equipamentos completos”, avalia.

Em relação às regiões, os estados do Sul dos Estados Unidos, como: Geórgia, Alabama, Mississippi, Flórida, Carolinas, Oklahoma e Arkansas, tendem a oferecer maior abertura inicial para novos negócios. Os estados da costa Oeste e parte do Noroeste, como Idaho, Washington, Oregon e Califórnia, também demonstram boa receptividade. “Tive experiências positivas tanto com revendas vinculadas a grandes marcas quanto com independentes, que estão mais abertas a novas parcerias. Também destacaria o Texas como um mercado promissor”, relata Barboza.

Já o Corn Belt, principal região produtora de grãos do país, é preciso um pouco mais de atenção, pois apresenta maior grau de competitividade e barreiras de entrada mais elevadas. “É um mercado mais consolidado e disputado e continua sendo o ambiente mais desafiador e competitivo para quem deseja entrar no mercado americano. É uma região mais indicada para quem já está com a operação consolidada”, conclui o consultor.