O principal pedido apresentado ao governo foi de R$ 623 bilhões em recursos para financiamentos agropecuários no ciclo 2026/27.
As negociações do Plano Safra 2026/27 já movimentam o agronegócio brasileiro. Com início previsto para 1º de julho, o governo federal, entidades do setor, cooperativas e instituições financeiras discutem o volume de recursos, juros e regras do crédito rural que vão definir boa parte do financiamento da próxima safra.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil afirma que o produtor rural vem enfrentando um cenário de custos elevados, juros altos, dificuldades financeiras e instabilidade climática. Segundo a entidade, muitos produtores estão mantendo a produção com margens menores e aumento do endividamento.
Por isso, a CNA considera o novo Plano Safra “decisivo” para o setor. O principal pedido apresentado ao governo foi de R$ 623 bilhões em recursos para financiamentos agropecuários no ciclo 2026/27. O valor representa aumento de 53,5% em relação aos R$ 405,9 bilhões do ciclo anterior, sem considerar as operações via CPR (Cédula de Produto Rural).
O documento foi entregue no dia 28 de abril pelo presidente da CNA, João Martins, ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.
Outro ponto que ganhou força nas negociações é o seguro rural. A entidade pede R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), além da aprovação do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que propõe mudanças no sistema de seguro agrícola brasileiro.
A preocupação aumentou depois das perdas registradas por produtores em diferentes regiões do país nos últimos anos, principalmente por seca, excesso de chuva e eventos climáticos extremos. Na prática, o seguro rural ajuda o produtor a reduzir riscos financeiros em caso de quebra de safra.
A CNA também quer mudanças estruturais no funcionamento do Plano Safra. Uma das propostas é transformar o modelo anual em um planejamento plurianual. Segundo a entidade, hoje o produtor enfrenta falta de previsibilidade porque os recursos dependem do calendário fiscal do governo e podem sofrer contingenciamentos ao longo da safra.
A agricultura familiar também está no centro das discussões. A proposta prevê R$ 104,9 bilhões para o segmento, além da atualização dos limites de renda para enquadramento em programas como Pronaf e Pronamp.
Outro debate importante envolve os juros do crédito rural. A CNA propõe taxas de até 4% ao ano para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12,5% para os demais produtores. Entidades do Paraná pedem redução ainda maior.
O desafio do governo será equilibrar essas demandas com o cenário fiscal atual. Com a Selic elevada, o custo da equalização dos juros aumenta significativamente para o Tesouro Nacional.
Um exemplo recente mostra essa dificuldade: no Plano Safra 2025/26, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões, mas conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões. Ou seja, menos de um quarto do total anunciado teve subsídio efetivo.
Para quem depende de financiamento rural, o momento é de atenção. Se você pretende investir em custeio, máquinas, irrigação ou armazenagem na próxima safra, vale acompanhar as definições do novo Plano Safra e já começar a organizar documentação, análise financeira e planejamento da propriedade. Isso pode facilitar o acesso ao crédito logo no início da temporada.