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31 de julho de 2026 - 10:08h

A Folha Agrícola

Bioinsumos podem reduzir em até 80% o custo de produção

Encontro realizado na Assesoar articula organizações e instituições para ampliar o uso de soluções biológicas na agricultura paranaense.

A Assesoar reuniu organizações, movimentos sociais e instituições parceiras para fortalecer a agroecologia e articular a criação da Rede no Estado.

A redução dos custos nas propriedades e da dependência de insumos externos está entre as principais vantagens debatidas no 1º Encontro da Rede de Bioinsumos do Paraná, realizado nesta quinta-feira, 30 de julho, na Assesoar, em Francisco Beltrão. A atividade reúne organizações, movimentos sociais, instituições de ensino e órgãos públicos para estruturar uma articulação estadual voltada à agroecologia e à produção sustentável de alimentos.

Os bioinsumos utilizam recursos biológicos no manejo das lavouras. Conforme o professor Eloir Missio, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), essas práticas seguem uma lógica já conhecida na agricultura, como o uso de esterco, adubação verde e plantas de cobertura do solo. O avanço está na multiplicação de comunidades de microrganismos presentes no ambiente para aplicação nas áreas produtivas.

Segundo Missio, a biodiversidade contribui para restabelecer o equilíbrio biológico do solo, afetado ao longo do tempo pelas práticas agrícolas. “Com a multiplicação de comunidades, conseguimos trazer essa biodiversidade de volta, fazer a comunidade biológica funcionar e diminuir o ataque de pragas”, afirma.

O professor destaca que a principal contribuição para as pequenas propriedades está na redução das despesas. Diante das secas, chuvas intensas e de outros eventos associados às mudanças climáticas, ampliar a produtividade torna-se mais difícil. Com custos menores e produção estável, porém, o agricultor consegue aumentar sua margem de lucro.

De acordo com Missio, a produção de microrganismos na própria propriedade tem custo reduzido e pode diminuir entre 50% e 80% as despesas das culturas convencionais desenvolvidas pelos agricultores.

A Rede Sul de Bioinsumos, coordenada regionalmente pela Unipampa, atua na formação de lideranças e técnicos nos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O trabalho inclui a sensibilização de agricultores e a capacitação técnica em manejo biológico do solo e produção de bioinsumos.

O Paraná já possui experiências em territórios como Francisco Beltrão, Marechal Cândido Rondon e Lapa. O encontro busca ampliar essa mobilização e consolidar uma rede estadual.

Segundo Elisângela Bellandi, da Assesoar, a programação deverá definir coordenações territoriais, constituir uma coordenação política estadual e elaborar um plano estratégico de ação. “A proposta é construir essa Rede no Paraná e conectá-la às redes Sul e Nacional de Bioinsumos”, explica.

Participam da articulação MST/CCA-PR, Fetraf-PR, Unicafes-PR, MAB, MMC, MPA, Assesoar, Fundação Luterana de Diaconia e AS-PTA. Também são parceiras a Unipampa, a UTFPR – Campus Pato Branco, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e o IDR-Paraná.

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